Docente, que saiu no periódico há 22 anos, utiliza reportagens para ensinar alunos de Diadema a escrever cartas ao leitor
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Em 2002, a hoje professora de Diadema Simone Pereira Xavier, 41 anos, saiu pela primeira vez no Diário, em uma reportagem sobre a volta às aulas, ao lado de sua irmã, Solange Pereira Martins. Na ocasião, as jovens faziam pesquisa de preço de material escolar na região central de São Bernardo. Mais de duas décadas depois, a docente utilizou essa e outras reportagens do periódico para ensinar seus alunos do ensino fundamental a escrever cartas ao leitor.
A iniciativa faz parte do conteúdo pedagógico sugerido pelo governo do Estado, que prevê o aprendizado do gênero textual e também o contato com diferentes produtos jornalísticos, como o jornal impresso. Para despertar o interesse das duas turmas do 4° ano do ensino fundamental da E.E (Escola Estadual) Professor Lívio Marcos Guércia, no bairro Campanário, a docente decidiu exibir a reportagem em que foi retratada – e com a tática conseguiu o engajamento dos pequenos durante as aulas.
“Venho por meio desta carta informar que há muitos anos vocês tinham entrevistado uma menina chamada Simone. Ela é minha professora hoje em dia e ela está nos ensinando sobre jornais. Uma das nossas tarefas é escrever carta de leitor, e a notícia que mais gostei foi a que ela apareceu. Tenho uma pergunta, como você se sente sabendo que entrevistou uma menina que virou professora e muitos anos depois a sua reportagem foi o tema da nossa aula?”, questiona em sua carta a pequena Ema Alessandra Hernandez Biscaya, 10, que nasceu na Venezuela e hoje mora em Diadema com o pai.
Apesar de utilizar a própria reportagem como exemplo, Simone incentivou que os 56 alunos escolhessem matérias jornalísticas mais atuais para produzirem novas cartas. Assim, ela distribui diversas edições do Diário, que ganhou do seu vizinho, para as crianças. Além da escrita, a docente utilizou as reportagens para que os estudantes desenvolvessem a leitura, a interpretação de texto e o pensamento crítico, ao debaterem em sala de aula os temas abordados nas publicações.
“Escrevi uma carta sobre uma notícia de dengue. A maioria dos meninos escolheu algo sobre esportes, mas essa foi a que mais me chamou atenção. Fiquei surpreso com tantos casos, nem sabia que tinha dengue em Diadema.”
O relato curioso é do pequeno Lucas Oliveira dos Santos, 10. A reportagem à qual o estudante se refere foi publicada no dia 9 de agosto, neste caderno, e mostrou que em apenas dois meses, de junho a agosto, os casos de dengue cresceram 65% e foram contabilizadas 48 mortes na região.
Não foi a primeira vez que os jovens tiveram contato com o periódico. Isso porque Simone lê toda segunda-feira pela manhã as principais notícias do Diário, assim como as turmas assistem a programas jornalísticos na televisão. “É importante eles saberem o que está acontecendo no mundo e ficarem cada vez mais informados. Eles gostaram tanto da atividade que passaram um dia inteiro comentando sobre uma reportagem sobre uma operação realizada em Mauá contra o transporte irregular de crianças. Eles ficaram indignados com a informação de que os veículos estavam circulando sem condições seguras”, ressaltou a docente.
Além das cartas ao leitor, que serão enviadas ao Diário no fim do ano, após as correções da professora, os pequenos também produziram cartas em outros dois estilos: de reclamação e pessoal. “Essa etapa do aprendizado é muito necessária, porque, por mais que essa nova geração não tenha mais o hábito de enviar cartas, eles aprendem a se comunicar com o outro e transmitir a mensagem que precisam passar”, diz Simone.
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