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Ciclofaixa instalada na Rua Amazonas gera prejuízo a comerciantes

Falta de espaço para estacionar e para carga e descarga afasta clientes de um dos pontos comerciais mais movimentados de São Caetano

Renan Soares
28/08/2024 | 20:50
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FOTO: Denis Maciel/DGABC

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A instalação de uma ciclofaixa na Rua Amazonas, em São Caetano, há cerca de duas semanas, tem gerado dor de cabeça para comerciantes do local, um dos mais importantes para o setor no Centro da cidade. Os lojistas citam problemas gerados pela intervenção, como falta de vagas para estacionar e de espaço para carga e descarga, em uma via de alto fluxo de veículos, e pedem mudanças ao Paço devido à queda no movimento de clientes. Segundo eles, um abaixo-assinado foi feito, mas a Prefeitura não teria retornado os pedidos.

Os relatos de Alessandra Mamono, 49 anos, e Juliana da Silva dos Santos, 27, reforçam o impacto da implementação da ciclofaixa. Alessandra, que trabalha em uma loja de conveniência, afirma que o movimento diminuiu drasticamente, cerca de 90%, e reclama da dificuldade de descarregar mercadorias e da falta de comunicação prévia sobre as mudanças. Juliana, trabalhadora de uma confeitaria, menciona que, embora o número de clientes não tenha caído tanto devido a um convênio da loja com um estacionamento próximo, muitos clientes reclamam da ciclofaixa, que atrapalha tanto compradores quanto motoboys, que têm dificuldade de pegar as encomendas sem serem multados.

Márcio Pastorelli, 55, chaveiro na Rua Amazonas há 29 anos, relata como a implantação da ciclofaixa no local afetou negativamente seu comércio. Ele conta que, em 2024, o Paço iniciou obras na rua sem consultar os comerciantes, pegando todos de surpresa. “As máquinas começaram a trabalhar de repente, e logo a rua ganhou um tapete vermelho”, diz o comerciante, que ainda comenta que raramente uma bicicleta passa por lá. Para ele, a via se tornou uma espécie de “Faixa Azul”, já que na prática motocicletas a usam para cortar caminho. Pastorelli critica ainda a falta de diálogo da Prefeitura e sugere que a ciclovia seja transferida para a Rua Santa Rosa, que para ele é tranquila e sem comércio.

“Hoje, a pessoa vem fazer uma chave, comprar um guarda-chuva, tomar um café, pegar um bolo na confeitaria e não pode parar nem por um minuto sequer. Então, é um desgaste total para os nossos comerciantes, sem apoio de ninguém. Pedimos ajuda, fizemos abaixo-assinado e, até agora, ninguém veio conversar. Ninguém deu uma solução para a gente”, lamenta o chaveiro, citando falta de apoio e de resposta do prefeito da cidade, José Auricchio Júnior (PSD). Ele estima que suas vendas caíram cerca de 40%.

ZONA AZUL

Wellington Leal de Carvalho, 31, comerciante em uma loja de utensílios há 11 anos na Rua Amazonas, conta que a Zona Azul, que antes permitia certa rotatividade, foi retirada junto com as demais vagas. Ele menciona que, com a falta de espaço para carga e descarga, é comum haver acidentes e confusões – e ainda descreve um episódio envolvendo um motoboy e um ciclista pouco antes da conversa com o Diário. Segundo ele, o trabalhador iria trazer materiais para sua loja quando bateu em um ciclista, o que gerou um princípio de discussão.

“Acho até viável colocar a Zona Azul para ter uma rotatividade, porém, tiraram todas as vagas que havia aqui. Nós temos que carregar produtos, sejam leves ou pesados, como álcool, bobinas e papelão, e muitas vezes paramos rapidamente aqui, mas logo aparecem agentes de trânsito para multar”, diz Wellington, que afirma ter perdido cerca de 50% dos clientes. Ele também aponta que o fluxo de carros na região ficou caótico, especialmente durante os horários de pico, já que os ônibus não respeitam a faixa exclusiva para eles. Mesmo com tentativas de abaixo-assinado levadas à Prefeitura, os comerciantes não conseguiram melhorias ou respostas do Paço.

A faixa termina abruptamente no cruzamento da Amazonas com as ruas Samuel Klein e João Pessoa. A Prefeitura de São Caetano não retornou os questionamentos do Diário sobre o tema.




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