Prefeito de S.Caetano diz cuidar pessoalmente do setor, mas terceiriza ‘superfluxo’ de pacientes
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Na reta final de seu quarto mandato como prefeito de São Caetano, José Auricchio Júnior (PSD) admite que a Saúde, até poucos dias atrás chefiada pela sua fiel escudeira Regina Maura Zetone (PSD), tem problemas e, por ser médico, “cuida pessoalmente das questões de Saúde junto à secretaria”. Apesar de chamar a responsabilidade para si, não respondeu, por exemplo, sobre questão financeira ligada a pagamento de profissionais lotados no Hospital Maria Braido. O chefe do Executivo, inclusive, faz mea-culpa e terceirizou responsabilidades.
Durante ato de prestação de contas na Paróquia Nossa Senhora das Graças, no bairro Nova Gerty, principal colégio eleitoral da cidade, Auricchio reconheceu existir gargalos no setor de urgência e emergência, mas negou falta de investimentos, terceirizou problemas e apontou questões epidêmicas e socioeconômicas. “Há um superfluxo nas unidades em decorrência dos casos de dengue, antecipação de doenças respiratórias e de pacientes que perderam seus planos de saúde”, justificou.
O prefeito, cercado por vereadores, assessores e secretários, falou ao público, que enchia o salão paroquial, que a cidade investe na saúde 34% do Orçamento, valor superior ao mínimo constitucional de 25%. No entanto, no último quadrimestre, a rede de “portas abertas” de atendimento composta pela UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e pelo Hospital de Emergências teve um acréscimo de 21 mil pacientes. Com mais pacientes, aumentou o tempo de resposta para atendimento. “Indicador de tempo não serve para saber se o serviço funciona bem ou não”, disse.
Para tentar amenizar a demora na pronta resposta nas unidades de emergência e urgência e garantir que São Caetano ainda segue na vanguarda do serviço público de saúde no Grande ABC, o prefeito garantiu monitorar problemas em outras cidades. “Eu cronometro. No dia em que tínhamos cinco horas de espera, São Bernardo tinha cinco e Santo André, seis”, comparou.
Porém, na conta, Auricchio não levou em consideração a população estimada de cada uma das cidades citadas para ser justo. No território andreense há, segundo o Censo 2022, população de 748.919 moradores e São Bernardo, 810.729, enquanto São Caetano registra 165.655.
Durante a explanação, o prefeito sul-caetanense, que tem articulado para assumir a presidência da Fundação do ABC, organização social de saúde e gestora de hospitais na região, a partir de 2025, reforçou que “existem dificuldades” na rede sob seus cuidados, mas que a cidade “está suportando” a escalada na demanda. “Não nos escondemos e sabemos enfrentar as dificuldades. Sei onde estão os problemas e temos as soluções. Saúde é comigo. Aqui tem café no bule”, discorreu.
Apesar de garantir encarar os desarranjos e ser sua responsabilidade assuntos ligados à Saúde, quando indagado pelo Diário ao término do evento de prestação de contas se sua gestão tem, por exemplo, cumprido com as obrigações de pagar os médicos do Hospital Maria Braido, que reclamam dos constantes atrasos, permaneceu em silêncio.
CAP descumpre promessa e não paga médicos
A CAP Serviços Médicos, empresa que mantém sob contrato uma dezena de médicos que atuam no Hospital Maria Braido, de São Caetano, e que convivem com atrasos recorrentes nos salários, informou aos profissionais que os vencimentos de abril serão pagos somente na sexta-feira. A informação contraria o que disse na terça o médico e proprietário da empresa, Daniel Aldhi. Ele informou que os pagamentos seriam feitos ontem. O montante devido referente a maio, por sua vez, só será depositado no 5º dia útil de julho.
O caso – noticiado inicialmente no Instagram, pelo Fala Sanca – foi publicado ontem pelo Diário. A CAP Serviços Médicos foi subcontratada para atuar no Maria Braido pela Fundação do ABC, que gerencia a saúde do município. A reportagem conversou com alguns médicos que, sob condição de anonimato, revelaram que os atrasos ocorrem desde 2021. Há, inclusive, um pagamento referente a dezembro do ano passado em aberto – a empresa propôs parcelamento, mas o acordo também não foi cumprido.
“Não vão quitar hoje (ontem, os atrasados). Falaram que vão pagar na sexta o referente a abril. Quanto ao de maio, só no mês que vem é que vão pagar”, disse um médico. Daniel Aldhi, desta vez, não respondeu aos contatos da reportagem.
Os profissionais argumentam ainda que a situação afeta o atendimento aos pacientes, já que provoca muitos furos na escala. “Por diversas vezes chegamos ao plantão e a escala não está completa. Faltam médicos e nós temos de fazer o serviço de dois para não deixar o paciente desassistido”, disse um médico.
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