Restos a pagar Cidade corria risco de não ter condições de pagar salários a servidores
FOTO: Denis Maciel/DGABC

Em um cenário de malabarismo financeiro, o governo do prefeito de Diadema, Taka Yamauchi (MDB), decretou a renegociação de dívidas herdadas da gestão do antecessor José de Filippi Júnior (PT) com 307 fornecedores, o que corresponde a passivo de R$ 77,8 milhões. Segundo o secretário municipal de Finanças, José Luiz Gavinelli, a administração chegou no limite, e se vê entre pagar os débitos ou manter em dia a folha de pagamento
De acordo com decreto publicado no Diário Oficial, a Prefeitura de Diadema passa a renegociar com empresas por meio de três modalidades. Entre os fornecedores que esperam até R$ 40 mil, a quantia será paga em parcela única ainda neste mês. A expectativa do governo é que 104 credores já acertem os valores nesta primeira rodada.
Para restos a pagar entre R$ 40 mil e R$ 100 mil, o acordo será selado mediante o desconto sobre o total na ordem de 40% e o saldo será pago em 24 parcelas a partir de julho. Quanto a credores com pendências acima de R$ 100 mil, o abatimento fica fixado em 25%, com a quitação do débito em 36 mensalidades, com início para depósitos em janeiro de 2026.
“Não dá para ficar em contato com fornecedor, dizendo que vai acertar e a gente sabe que a situação do fluxo de caixa não vai permitir isso, podendo colocar em xeque, inclusive, a folha de pagamento dos funcionários”, pontuou o secretário.
Conforme antecipou o Diário, Diadema contabiliza passivo de curto prazo de R$ 93,1 milhões, em um cenário de dívida global de R$ 2,5 bilhões. A maior parte do rombo financeiro vem do Ipred (Instituto de Previdência do Servidor Municipal de Diadema), com R$ 1,2 bilhão. Desde março, a autarquia perdeu a autonomia financeira e o governo terá de injetar recursos de seu caixa em mais de R$ 100 milhões até o fim do ano, a fim de manter os pagamentos de servidores, aposentados e pensionistas.
Todo esse cenário se agrava com orçamento estimado em R$ 1,2 bilhão, ao invés dos R$ 2,6 bilhões projetados para os cofres da administração direta. Dessa forma, o governo Taka corre para manter os investimentos previstos pela União e Estado, a fim de não comprometer ainda mais um cenário financeiro já caótico.
Para os fornecedores que não aceitarem os termos oferecidos pelo governo, os débitos serão pagos em 60 parcelas mensais a partir de janeiro do próximo ano. Tal situação pode gerar um outro agravante: aumento da dívida de pre-catórios, hoje estimada em R$ 186,4 milhões, caso haja credor que recorra aos tribunais, para receber o pagamento. Cenário de risco que o Paço se viu obrigado a cruzar.
“É uma coisa que realmente não dá para pensar, porque senão, de fato, a gente não acha uma solução e, neste momento, teria de sacrificar eventualmente até a folha de pagamento dos funcionários em cima de compromissos da gestão passada que não foram honrados ou não deixaram disposição no caixa para honrá-los”. sacramentou Gavinelli.
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