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São 55 anos de vida e ao menos 27 deles dedicados ao mercado imobiliário. Apesar de já ter atuado na área de RH, foi no comércio de imóveis que Eloy Ferreira construiu a carreira. Batizado como Israel na cidade mineira de Teixeiras, distrito de Viçosa, na Zona da Mata, o agora empresário teve que mudar a alcunha quando passou a atuar no setor. Nada que o impedisse de vivenciar experiências completas: foi corretor, coordenador, diretor e, por fim, presidente em empresas de renome, como a Lopes Consultoria de Imóveis, onde construiu sua trajetória, e a Abyara. Com todo o know how adquirido, em 2022 Ferreira deu início ao seu maior desafio profissional: fundou a América Realty, incorporadora responsável pela elaboração, desenvolvimento e venda de produtos imobiliários no Grande ABC. Os projetos já se estendem a São Paulo e, em prazo não definido, devem avançar o Interior do Estado. Mas a principal meta já está definida: alcançar R$ 1 bilhão em VGV (Valor Geral de Vendas) de lançamentos em uma única temporada.
RAIO X
Nome: Israel Laurindo Ferreira (Eloy)
Idade: 55 anos
Local de nascimento: Teixeiras (MG)
Formação: Segundo grau
Hobby: Música
Local predileto: Bons restaurantes
Livro que recomenda: A Bíblia
Personalidade que marcou a sua vida: Eike Batista
Profissão: Empresário (Corretor de imóveis)
Onde trabalha: América Realty
Afinal, devo perguntar ao Israel ou ao Eloy? (risos)
No mercado de lançamentos, acho que menos de 10% dos corretores usam o próprio nome. Por quê? Quando um colaborador começa numa empresa, se já tem outro com o mesmo nome, o recém-chegado tem que usar um pseudônimo. Quando entrei na Lopes, há mais de 22 anos, já havia um corretor chamado Israel. Sugeri alguns e um dos aprovados foi Eloy. No mercado imobiliário ninguém conhece o Israel. Conhecem apenas o Eloy.
O que pode falar da sua história?
Nasci em Minas Gerais. Vim para São Paulo muito novo, com 2 anos de idade. Foi onde estabeleci a minha vida profissional. Trabalhei anteriormente no mercado de RH. Tive uma empresa de prestação de serviço de mão de obra temporária. Isso há cerca de 30 anos.
Como foi chegada ao ramo de imóveis?
Entrei no mercado imobiliário em 1999. No segmento de lançamentos. Comecei na empresa Exclusiva. Trabalhei lá durante três anos. Fui corretor, coordenador e gerente de vendas. Depois segui para a Abyara. Queria trabalhar em uma empresa maior, que fizesse muitos lançamentos. Fiquei por lá por um ano e meio (2001 e 2002). Em janeiro de 2003, fui para a Lopes, onde tive a carreira consolidada. Comecei como corretor. Em oito meses fui promovido a coordenador de vendas. Depois de um ano virei gerente de vendas. E resolvemos há 17 anos montar a Lopes ABC. Vim para a região como diretor, estruturei toda a empresa. Deixei a Lopes há dois anos. Saí como presidente.
Como surgiu a ideia de criar a América Realty?
Meu amor pela Lopes é eterno. Sempre fui muito bem remunerado, tive posições excelentes, sempre com cargo de liderança. A questão é que o mercado de lançamento imobiliário toma muito tempo. E mesmo sendo o presidente da empresa, para as coisas saírem bem você tem que estar no negócio. Então, basicamente, eu trabalhava de domingo a domingo. Tenho quatro filhos, de 18, 25, 35 e 37 anos. Ou seja, não vi eles crescerem. Eu tinha duas férias por ano. Uma semana em julho e 15 dias no fim de ano. Não dava para fazer absolutamente nada. Então, a motivação realmente foi por ter qualidade de vida.
Por que América Realty?
É normal ao criar uma empresa você acreditar que ela vai ficar gigante. Optei por colocar um nome que fizesse sentido aqui e fora do Brasil e, também, porque em algum momento a gente pode vir a abrir capital. E os maiores compradores hoje de ações das empresas que abrem capital no mercado imobiliário são fundos americanos e europeus. Quando você coloca o nome América Realty, ele tem uma atratividade, e como a gente fala para o investidor de altíssimo padrão, do mercado financeiro sobretudo, ele soa bem e interpreta muito rápido.
Qual a sua principal característica nos negócios?
Pela própria cultura eu sou muito agressivo comercialmente. Muitos clientes faziam empreendimentos pequenos e na época eu não aceitava a Lopes vender. Não é porque eu quero ser grande, é porque eu não sei ser pequeno. Acho que se eu fizer uma coisa pequena, vou fazer tudo errado. Então, o meu planejamento de vendas e de negócios sempre é isso. Um empreendimento com pelo menos 60 unidades, com um VGV mínimo de R$ 35 milhões.
Como foi a transição da Lopes para a nova empresa?
Saí em outubro de 2022. O meu primeiro lançamento pela América Realty foi dois meses depois com o empreendimento Residencial Santorino (em Santo André). Começamos as obras há sete meses. O produto foi 100% vendido no lançamento. São 136 unidades de 50 metros. Um VGV, valor geral de vendas, de R$ 58 milhões.
E os demais projetos?
No fim de abril, encerramos o plantão de outro empreendimento na Avenida Atlântica (Santo André). Chama-se Boulevard Atlântica, em frente ao Parque Atlântica. Tem apartamentos de até 83 metros, três dormitórios e suíte. Um VGV de R$ 65 milhões. De 114 unidades no total, temos agora apenas quatro. Está 98% vendido.
Quais as classes sociais no foco e como estão os preços?
Nossos produtos são sempre de médio padrão, mas vamos atuar também no alto padrão. Quando lançamos o Boulevard Atlântica a média de preço do metro quadrado no bairro Valparaíso estava entre R$ 7,5 mil e R$ 8,2 mil. Lançamos o nosso empreendimento a R$ 9,2 mil. Porque o produto é muito bem elaborado. A gente não vende barato. A gente vende por um preço justo.
Depois do Residencial Santorino, em 2022, e do Boulevard Atlântica, no ano passado, como está o planejamento para 2024?
Vamos lançar três empreendimentos este ano. Já estamos com estrutura em um plantão no bairro Campestre, na rua Vitória Régia. Estamos com outro terreno no bairro Campestre, na Rua João Ribeiro. Vamos fazer apartamentos de três dormitórios. E estamos também na Vila Assunção (também em Santo André), Vamos lançar unidades de 110 metros. Esses três projetos estão bem desenvolvidos e com um VGV total de R$ 200 milhões. Em 2025 planejamos fazer R$ 500 milhões em vendas. Isso apostando no Grande ABC e em São Paulo.
Alguma região específica da Capital?
Em um primeiro momento, estamos com foco na Zona Leste, região muito pujante, mais populosa e com uma infraestrutura viária excelente. Buscamos terrenos próximos a metrô. Já temos terrenos na Vila Ema, na Vila Prudente.
O foco está exclusivamente na Zona Leste?
Adquirimos também uma boa área no Ipiranga (Zona Sul da Capital) Mais de 2.000 metros quadrados. Gostaria de fazer esse lançamento ainda este ano, em novembro, porque é uma região onde o mercado está borbulhando. Mas tudo vai depender do processo de aprovação, que é mais complexo e demorado.
Qual análise faz em relação ao desenvolvimento imobiliário nas cidades do Grande ABC?
Hoje, Santo André é uma cidade bastante acolhedora para o mercado imobiliário. Um município que se desenvolve juntamente com o empresariado. Já São Caetano é pequena. Muito difícil até para conseguir terreno, além de existir uma exigência muito grande da Prefeitura. Mauá tem bastante território, tem eficiência nas aprovações, mas no nosso caso especificamente, como a América Realty trabalha muito mais no segmento de médio e alto, são poucos os bairros para fazer esse tipo de produto. Fica difícil encontrar terreno também. Já Diadema tem características semelhantes às de Mauá.
E São Bernardo?
É a maior cidade, que pode responder melhor para o mercado imobiliário. Mas é um município que, nos últimos dez anos, apresentou uma dificuldade muito grande de aprovação, sobretudo para os empreendimentos de médio e alto padrão. Está difícil a aprovação e até o entendimento do próprio plano diretor, que está passando por revisão. A Prefeitura vai modernizar, e eu acho que isso vai criar uma atratividade para o segmento. Olhamos muito para São Bernardo. A cidade tem um potencial até superior ao de Santo André, mas esse gigante está adormecido, porque realmente a legislação não favorece. Vamos ver se vai andar com essa revisão. Acredito que sim.
Diante da queda da Selic, da maior disponibilização de crédito, qual a sua expectativa para o setor?
Estou tranquilo. Acho que estamos reconquistando espaço importante. Esse movimento de queda da Selic é de fundamental importância para o nosso mercado, porque cada ponto que cai, melhora muito o financiamento na ponta do cliente. Já tivemos um desenvolvimento muito forte, uma queda substancial e eu acredito sim que a gente vai continuar numa tendência de queda.
E preço? Observa-se um aumento no valor do metro quadrado nos últimos anos, independentemente de região. Como fica no Grande ABC?
Só posso dar uma dica ao leitor do Diário: não espere uma redução de preço. Muito pelo contrário. Essa onda de aumentos que houve em São Paulo vai chegar aqui inevitavelmente. Acredito que teremos incremento de uns 30%. Esse cliente deve tomar a decisão rápida de comprar o seu imóvel na planta, porque, a partir de 2025, deveremos ter aumento significativo.
Quais as suas principais metas?
Quero fazer no mínimo cinco lançamentos por ano e na medida que a gente for ampliando as cidades, inclusive indo para o Interior e chegar aos R$ 500 milhões de VGV em lançamentos. E depois tem o sonho, aquele do executivo jovem americano, que é conseguir o seu primeiro bilhão de dólares. Quando eu traduzo essa intenção para a nossa empresa com esse mesmo espírito é lançar R$ 1 bilhão num único ano. Claro que para conseguir chegar lá tem de estar muito bem estruturado. É uma expectativa que tenho para os próximos cinco anos, quando quero ser reconhecido como uma das melhores empresas do Grande ABC.
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