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SUS faz um atendimento a cada meia hora no trânsito da região

Nos três primeiros meses de 2024, Grande ABC computou 4.653 ocorrências hospitalares ou ambulatoriais, número 22% maior que ano passado

Renan Soares
02/06/2024 | 08:00
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Claudinei Plaza/DGABC

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O SUS (Sistema Único de Saúde) registrou, de janeiro a março deste ano, um total de 4.653 atendimentos por acidentes de trânsito no Grande ABC. Dados do Ministério da Saúde, registrados nos Sistemas de Informação Ambulatoriais e Hospitalares do SUS, mostram que nos três primeiros meses de 2024 a região computou ao menos um atendimento hospitalar ou ambulatorial a cada meia hora, com média diária de 51 ocorrências.

O número é 22% maior que o registrado no mesmo período de 2023, quando o SUS realizou 3.825 atendimentos, com média diária de 42. Vale ressaltar que os números relacionados às internação ambulatoriais e hospitalares não são referentes à quantidade de pessoas, mas sim aos procedimentos realizados. Dessa forma, o mesmo indivíduo pode ter sido assistido mais de uma vez no mesmo período e passado por mais de um procedimento nesse atendimento.

O maior volume de atendimentos pelo SUS ocorreu em Santo André (1.856), seguido por São Bernardo (1.271), Mauá (807), Diadema (671), São Caetano (41) e Ribeirão Pires (7). Rio Grande da Serra tem as estatísticas zeradas nos dados da Pasta do governo federal. 

Para Pedro Borges, head de Mobilidade Segura do Observatório Nacional de Segurança Viária, o atendimento ao trauma por consequência de sinistros de trânsito é uma situação que vem sobrecarregando o sistema de saúde em todo o Brasil – o que poderia ser evitado. 

“A insegurança no trânsito está relacionada com diversos fatores, podendo envolver humanos, fatores veiculares e relacionados ao ambiente externo ao veículo, como infraestrutura, sinalização etc. Comportamentos de risco, como o excesso de velocidade e uso do telefone celular durante a direção são dois exemplos de fatores inseridos no aspecto humano. Más condições de infraestrutura e de manutenção de veículos são outros fatores que podem agravar a situação,” diz o especialista.

Diretor da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), José Heverardo Montal também aponta o excesso de velocidade como fator preponderante para os altos números. Segundo o especialista, existe na população uma grande tendência a louvar a velocidade, desde a época do homem primitivo, em que a agilidade era um diferencial competitivo, tanto na hora de caçar quanto para não ser caçado. Ele considera a velocidade o “grande drama da gestão do poder público” em relação à mobilidade nas cidades. 

Montal defende ainda o trabalho de prevenção baseado em zero mortes e acidentes. “A Suécia possui um programa chamado Iniciativa Visão Zero, que se baseia em alguns princípios. Um deles é que não existe justificativa moral para um sinistro de trânsito, e muito menos para uma morte. Considerando essa filosofia, não pode ser considerado algo descartável (a vida) ou normal (a morte). Não se pode normalizar os acidentes,” diz o especialista. “Portanto, qualquer sinistro que aconteça e que afete a saúde de qualquer ser humano deve ser sempre considerado muito”, finaliza.

Em nota, o Ministério da Saúde diz que promove e apoia uma série de ações nos estados que visam à conscientização da população quanto à diminuição dos acidentes de trânsito, como o PVT (Projeto Vida no Trânsito), que consiste em uma estratégia de governança e gestão intersetorial.

DADOS

Segundo dados do InfoSiga, sistema de monitoramento do governo estadual gerenciado pelo Detran-SP (Departamento de Trânsito de São Paulo), no acumulado de janeiro a abril, a região registrou 61 mortes no trânsito, sendo 38 em vias municipais (62%). A maioria das vítimas dirigia motocicletas (32), eram homens (51) e tinham entre 20 e 24 anos (com 13 mortes no total). O registro de sinistros se manteve estável, passando de 2.577 para 2.679, com 4% de aumento.

Estado tem menor taxa proporcional de mortes, aponta CLP

São Paulo se destaca como o Estado brasileiro com a menor taxa proporcional de acidentes fatais no trânsito, apesar de seu elevado número populacional. Esta constatação vem de um estudo realizado pelo CLP (Centro de Liderança Pública), cujos resultados completos serão divulgados em agosto. Segundo o CLP, São Paulo registrou 10,9 mortes no trânsito para cada 100 mil habitantes, um número significativamente inferior à média nacional de 20,9 mortes por 100 mil habitantes.

Com 21,87% da população do Brasil, São Paulo responde por apenas 14,30% das mortes no trânsito do país, evidenciando um índice relativamente baixo para o tamanho do estado. A análise também aponta que a região Sudeste obteve um bom desempenho em relação às mortes no trânsito. Com 41% da população nacional, a região registra 31% dos óbitos no trânsito no Brasil. A média de mortalidade por acidentes de trânsito nos municípios do Sudeste é de 16,79 por 100 mil habitantes, a menor entre todas as regiões do País.

“Nenhuma morte no trânsito é aceitável. Os municípios paulistas estão mostrando que o diálogo entre gestores públicos, empresas e a sociedade pode construir, em conjunto, soluções para uma mobilidade mais segura aos cidadãos. O resultado também é fruto de campanhas frequentes de conscientização da necessidade de respeito às leis de trânsito, com foco na preservação da vida”, afirma Tadeu Barros, diretor-presidente do CLP. O estudo se baseia em dados públicos, incluindo informações do DATASUS (Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde) de 2023.




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