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Filmes retratam oprimidos e opressores


Cássio Gomes Neves
Do Diário do Grande ABC

01/06/2004 | 19:00


Estabelecer paralelos é tarefa difícil, quando não forçada. Mas há dois filmes em cartaz nos quais é possível identificar semelhanças – até no que diz respeito aos propósitos de seus realizadores. Kill Bill – Volume 1 (em São Paulo) e A Paixão de Cristo (opção em apenas uma sala na região), vistos lado a lado, provocam leituras emparelhadas. Em que ponto os filmes de Quentin Tarantino e Mel Gibson convergem? Na violência levada às últimas conseqüências.

Tanto Kill Bill quanto A Paixão de Cristo sangram em demasia para ilustrar o relacionamento de oprimidos e opressores. A obra de Gibson lida com um fato histórico, o Dia D do cristianismo. Não obstante as cobranças, A Paixão de Cristo precisa ser entendido também como fato cinematográfico.

Jesus Cristo (Jim Caviezel) recebe murros, açoites, achincalhes e marteladas na cruz. A coreografia do sadismo expõe um personagem heróico não por revidar, mas por acatar o sofrimento imposto. A vingança viria depois, representada na cena da ressurreição, com a ascensão do cristianismo – esta, no entanto, é outra história.

Gibson glorifica o sangue do oprimido como fonte da fé de seus seguidores. Em seu filme, o fator físico não só sobrepõe o fator político, mas o reproduz ao transformar a violência em signo exclusivo da tirania.

Tarantino acampa, com Kill Bill – Volume 1, em topografia mais plana por não haver cobranças de fidelidade ao mito. Em seu filme, o dilúvio de sangue representa a sublevação da mulher diante da opressão sexual masculina. O discurso está todo implícito: A Noiva (Uma Thurman) e as mulheres de Kill Bill, assassinas cuja autonomia é sacrificada em favor das vontades de um único homem (o tal Bill), cortam cabeças de homens, castram pretendentes, exterminam potenciais estupradores; enfim, derramam centenas de litros de sangue para confrontar o paternalismo. A vingança para Tarantino é aqui e agora, até porque ela já foi retardada durante muito tempo por plutocracias machistas, não raro amparadas por livros sagrados. E o sangue não pára.



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