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Paris controla a hora exata do mundo


Do Diário do Grande ABC

10/11/1999 | 12:45


Milhoes de pessoas que contarao os segundos antes da meia-noite de 31 de dezembro próximo obedecerao, sem saber, a um pequeno grupo de funcionários internacionais que, em um discreto edifício parisiense, decidem a hora exata no mundo.

Na periferia oeste de Paris fica a sede do Gabinete Internacional de Pesos e Medidas (OIPM), órgao internacional encarregado de unificar a hora mundial. Regida por um tratado internacional de 1875, a OIPM é a guardia do tempo e conserva em suas caixas fortes as medidas oficiais do quilo e do metro.

Para unificar os relógios do mundo, evitando o obstáculo político de escolher como referência um relógio nacional preciso, a OIPM optou por uma soluçao pragmática: a média.

``A cada mês, calculamos a média de 220 relógios atômicos distribuídos em 50 países. Esta é a medida que forma o Tempo Atômico Internacional. Comunicamos a hora aos laboratórios, que difundem a hora em seus países'', explicou o físico Gérard Petit, ``chefe da Seçao do Tempo'' da OIPM.

A informaçao é transmitida via satélite, levando em consideraçao o tempo de transmissao.

O argumento científico invocado é a imperfeiçao dos relógios atômicos. Apesar de sua precisao (teoricamente variam um segundo a cada dez milhoes de anos), nenhum fornece, exatamente, a mesma hora. Cada um ganha ou perde alguns milionésimos de segundo ao dia.

A vantagem diplomática é que, escolher a média, implica que nenhum relógio nacional tem a hora exata e, portanto, ninguém pode reivindicar qualquer supremacia.

Paralelamente, outros funcionários desempenham um papel-chave na marcaçao da hora mundial: o Serviço Internacional da Rotaçao Terrestre (IERS), no Observatório de Paris, está encarregado de fazer coincidir o tempo atômico com o tempo ``verdadeiro'', o do movimento da Terra.

O advento do tempo atômico, no qual o segundo é definido em funçao das vibraçoes do átomo e nao como uma divisao da rotaçao da Terra, de fato gerou um tempo mais regular que o tempo astronômico. ``Há milhares de anos, a Terra desacelera sua rotaçao e o dia real se prolonga milionésimos de segundo por dia, ou seja, um segundo a cada um ou dois anos'', explicou Petit.

É por isso que o IERS está encarregado de reajustar a hora dos relógios atômicos em relaçao à rotaçao da Terra. A cada um ou dois anos, à meia-noite de 30 de junho ou 31 de dezembro, os funcionários franceses indicam à OIPM que é preciso acrescentar um ``segundo intercalado'' ao tempo atômico internacional.

O tempo atômico ajustado à rotaçao terrestre se chama ``Tempo Universal Coordenado'' (UTC). É o que serve de referência internacionalmente para todos os relógios nacionais oficiais e para os satélites.



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Paris controla a hora exata do mundo

Do Diário do Grande ABC

10/11/1999 | 12:45


Milhoes de pessoas que contarao os segundos antes da meia-noite de 31 de dezembro próximo obedecerao, sem saber, a um pequeno grupo de funcionários internacionais que, em um discreto edifício parisiense, decidem a hora exata no mundo.

Na periferia oeste de Paris fica a sede do Gabinete Internacional de Pesos e Medidas (OIPM), órgao internacional encarregado de unificar a hora mundial. Regida por um tratado internacional de 1875, a OIPM é a guardia do tempo e conserva em suas caixas fortes as medidas oficiais do quilo e do metro.

Para unificar os relógios do mundo, evitando o obstáculo político de escolher como referência um relógio nacional preciso, a OIPM optou por uma soluçao pragmática: a média.

``A cada mês, calculamos a média de 220 relógios atômicos distribuídos em 50 países. Esta é a medida que forma o Tempo Atômico Internacional. Comunicamos a hora aos laboratórios, que difundem a hora em seus países'', explicou o físico Gérard Petit, ``chefe da Seçao do Tempo'' da OIPM.

A informaçao é transmitida via satélite, levando em consideraçao o tempo de transmissao.

O argumento científico invocado é a imperfeiçao dos relógios atômicos. Apesar de sua precisao (teoricamente variam um segundo a cada dez milhoes de anos), nenhum fornece, exatamente, a mesma hora. Cada um ganha ou perde alguns milionésimos de segundo ao dia.

A vantagem diplomática é que, escolher a média, implica que nenhum relógio nacional tem a hora exata e, portanto, ninguém pode reivindicar qualquer supremacia.

Paralelamente, outros funcionários desempenham um papel-chave na marcaçao da hora mundial: o Serviço Internacional da Rotaçao Terrestre (IERS), no Observatório de Paris, está encarregado de fazer coincidir o tempo atômico com o tempo ``verdadeiro'', o do movimento da Terra.

O advento do tempo atômico, no qual o segundo é definido em funçao das vibraçoes do átomo e nao como uma divisao da rotaçao da Terra, de fato gerou um tempo mais regular que o tempo astronômico. ``Há milhares de anos, a Terra desacelera sua rotaçao e o dia real se prolonga milionésimos de segundo por dia, ou seja, um segundo a cada um ou dois anos'', explicou Petit.

É por isso que o IERS está encarregado de reajustar a hora dos relógios atômicos em relaçao à rotaçao da Terra. A cada um ou dois anos, à meia-noite de 30 de junho ou 31 de dezembro, os funcionários franceses indicam à OIPM que é preciso acrescentar um ``segundo intercalado'' ao tempo atômico internacional.

O tempo atômico ajustado à rotaçao terrestre se chama ``Tempo Universal Coordenado'' (UTC). É o que serve de referência internacionalmente para todos os relógios nacionais oficiais e para os satélites.

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