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Mentor de seqüestro era funcionário de empresária morta


Gabriel Batista
Do Diário do Grande ABC

24/02/2006 | 08:38


O homem que confessou ter planejado o seqüestro que acabou na morte da empresária de Ribeirão Pires Rosa Maria Vera Magnani, 61 anos, em janeiro, é um ex-funcionário da vítima. Nove anos atrás, Rogério de Oliveira trabalhou na área de limpeza da indústria e da casa de Rosa Maria. De acordo com a polícia, Oliveira arquitetou o crime ao constatar o crescimento econômico da família. Convidou dois conhecidos do universo do crime, Renan Ferreira dos Santos e Fabiano Miranda Henrique, e explicou a eles o dia-a-dia da família da empresária, dona da metalúrgica Real Mecânica de Precisão. Outro ponto revelado pela polícia quinta-feira explica que a empresária foi morta com quatro tiros na cabeça em decorrência da decisão unilateral de um dos criminosos.

Após passar 11 dias confinada em um quarto de 2m por 3m em um cortiço no meio da cidade de Rio Grande da Serra, no Jardim Santa Tereza, a empresária foi levada a uma estrada vicinal da SP-122 para ser libertada. Rosa Maria teve de tirar o capuz para andar pela estrada de terra batida com Fabiano Miranda. Segundo a polícia, foi assassinada porque Fabiano, usuário de crack, ficou com receio de ser reconhecido por ela posteriormente. A empresária foi morta na madrugada do dia 15 de janeiro, a 50m de um ponto de ônibus, segurando uma nota de R$ 2 para pegar um coletivo até sua casa.

O delegado da Anti-Seqüestro de Santo André, Alberto José Mesquita Alves, afirma que quando Rogério Oliveira pensou em fazer o seqüestro e chamou Fabiano e Renan, formou-se um grupo de seqüestradores inexperientes. Os três têm antecedentes criminais por roubo. Renan, portanto, teria convidado Nivaldo Ely Flausino Alves para coordenar o seqüestro.

"Nivaldo é experiente nesse tipo de crime, tem condenações por seqüestro na região de Garça (interior do Estado). Foi o negociador e pegou o resgate pago pela família", diz o delegado seccional de Santo André, Luiz Alberto de Souza Ferreira. Nivaldo teria acompanhado a quadrilha desde o aluguel do cativeiro, em Rio Grande da Serra, dias antes do arrebatamento da vítima. A quadrilha pagou R$ 160 pelo aluguel do imóvel que serviu de cativeiro, que fica em um terreno com cerca de dez moradias.

A empresária foi arrebatada na manhã do dia 4, em sua casa, na Vila Aurora, que passava por obras. O portão da residência, que tem quatro empregados, estava encostado. Um funcionário da família foi rendido quando voltava da padaria. Com duas armas, os criminosos levaram Rosa Maria no carro da filha dela, um EcoSport. Da casa, apanharam um aparelho de som e uma TV para servir como distração da vítima no cativeiro. Uma hora depois, os filhos de Rosa Maria recebiam o primeiro pedido de resgate: R$ 1 milhão.

Durante o tempo em que ficou encarcerada, a empresária não foi amarrada. Ela respeitou as exigências dos criminosos. Não gritou por socorro nem tentou fugir. O negociador da quadrilha assustava a família. Em um dia ele parecia descontrolado e ameaçava os parentes, em outro ele transmitia calma e pedia desculpas. "O Nivaldo fazia isso para desestabilizar a família, e sempre ligava do celular da vítima", diz o delegado Alberto Mesquita.

A família pagou R$ 350 mil. O dinheiro foi repartido pela quadrilha, que logo comprou bens. A polícia afirma que recuperou metade dos bens adquiridos com o dinheiro do seqüestro, e diz ter localizado a outra parte. Os seqüestradores não queriam libertar a empresária perto do cativeiro. Contrataram, segundo a polícia, Ernando Carlos da Silva, o Pinguço, para utilizar seu Fusca e levar a vítima até uma estrada de terra perto da SP-122.

Ernando teria ficado com medo no meio do caminho e se negado a entrar com o carro na estrada de terra. Fabiano, então, teria descido do carro com a empresária e caminhado com ela até o local escolhido. Para isso, ela teve de tirar o capuz.

Dias depois da morte, Nivaldo quis se desfazer do celular. Negociou o aparelho com uma quadrilha de estelionatários. O telefone passou de mão em mão até ficar em posse de Alessandra Roberta Wenzel, presa em flagrante acusada de estar com o celular em casa, na Barra Funda, na capital. A partir dela, a polícia fez o caminho inverso e chegou nos outros acusados.



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Mentor de seqüestro era funcionário de empresária morta

Gabriel Batista
Do Diário do Grande ABC

24/02/2006 | 08:38


O homem que confessou ter planejado o seqüestro que acabou na morte da empresária de Ribeirão Pires Rosa Maria Vera Magnani, 61 anos, em janeiro, é um ex-funcionário da vítima. Nove anos atrás, Rogério de Oliveira trabalhou na área de limpeza da indústria e da casa de Rosa Maria. De acordo com a polícia, Oliveira arquitetou o crime ao constatar o crescimento econômico da família. Convidou dois conhecidos do universo do crime, Renan Ferreira dos Santos e Fabiano Miranda Henrique, e explicou a eles o dia-a-dia da família da empresária, dona da metalúrgica Real Mecânica de Precisão. Outro ponto revelado pela polícia quinta-feira explica que a empresária foi morta com quatro tiros na cabeça em decorrência da decisão unilateral de um dos criminosos.

Após passar 11 dias confinada em um quarto de 2m por 3m em um cortiço no meio da cidade de Rio Grande da Serra, no Jardim Santa Tereza, a empresária foi levada a uma estrada vicinal da SP-122 para ser libertada. Rosa Maria teve de tirar o capuz para andar pela estrada de terra batida com Fabiano Miranda. Segundo a polícia, foi assassinada porque Fabiano, usuário de crack, ficou com receio de ser reconhecido por ela posteriormente. A empresária foi morta na madrugada do dia 15 de janeiro, a 50m de um ponto de ônibus, segurando uma nota de R$ 2 para pegar um coletivo até sua casa.

O delegado da Anti-Seqüestro de Santo André, Alberto José Mesquita Alves, afirma que quando Rogério Oliveira pensou em fazer o seqüestro e chamou Fabiano e Renan, formou-se um grupo de seqüestradores inexperientes. Os três têm antecedentes criminais por roubo. Renan, portanto, teria convidado Nivaldo Ely Flausino Alves para coordenar o seqüestro.

"Nivaldo é experiente nesse tipo de crime, tem condenações por seqüestro na região de Garça (interior do Estado). Foi o negociador e pegou o resgate pago pela família", diz o delegado seccional de Santo André, Luiz Alberto de Souza Ferreira. Nivaldo teria acompanhado a quadrilha desde o aluguel do cativeiro, em Rio Grande da Serra, dias antes do arrebatamento da vítima. A quadrilha pagou R$ 160 pelo aluguel do imóvel que serviu de cativeiro, que fica em um terreno com cerca de dez moradias.

A empresária foi arrebatada na manhã do dia 4, em sua casa, na Vila Aurora, que passava por obras. O portão da residência, que tem quatro empregados, estava encostado. Um funcionário da família foi rendido quando voltava da padaria. Com duas armas, os criminosos levaram Rosa Maria no carro da filha dela, um EcoSport. Da casa, apanharam um aparelho de som e uma TV para servir como distração da vítima no cativeiro. Uma hora depois, os filhos de Rosa Maria recebiam o primeiro pedido de resgate: R$ 1 milhão.

Durante o tempo em que ficou encarcerada, a empresária não foi amarrada. Ela respeitou as exigências dos criminosos. Não gritou por socorro nem tentou fugir. O negociador da quadrilha assustava a família. Em um dia ele parecia descontrolado e ameaçava os parentes, em outro ele transmitia calma e pedia desculpas. "O Nivaldo fazia isso para desestabilizar a família, e sempre ligava do celular da vítima", diz o delegado Alberto Mesquita.

A família pagou R$ 350 mil. O dinheiro foi repartido pela quadrilha, que logo comprou bens. A polícia afirma que recuperou metade dos bens adquiridos com o dinheiro do seqüestro, e diz ter localizado a outra parte. Os seqüestradores não queriam libertar a empresária perto do cativeiro. Contrataram, segundo a polícia, Ernando Carlos da Silva, o Pinguço, para utilizar seu Fusca e levar a vítima até uma estrada de terra perto da SP-122.

Ernando teria ficado com medo no meio do caminho e se negado a entrar com o carro na estrada de terra. Fabiano, então, teria descido do carro com a empresária e caminhado com ela até o local escolhido. Para isso, ela teve de tirar o capuz.

Dias depois da morte, Nivaldo quis se desfazer do celular. Negociou o aparelho com uma quadrilha de estelionatários. O telefone passou de mão em mão até ficar em posse de Alessandra Roberta Wenzel, presa em flagrante acusada de estar com o celular em casa, na Barra Funda, na capital. A partir dela, a polícia fez o caminho inverso e chegou nos outros acusados.

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