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Câmara de Ribeirão Pires rejeita contas do ex-prefeito Kiko Teixeira

Parecer do TCE apontou irregularidades da gestão tucana em 2019; excesso de cargos em comissão e atraso de obras estão entre os problemas

Artur Rodrigues
Do Diário do Grande ABC
01/07/2023 | 08:51
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Reprodução/Facebook


Aliado de Orlando Morando (PSDB) e secretário de Administração e Inovação de São Bernardo, o ex-prefeito de Ribeirão Pires Adler Kiko Teixeira (PSDB) teve suas contas relativas ao exercício de 2019 rejeitadas pela Câmara. 

O Legislativo aprovou na sessão de quinta-feira o parecer do TCE (Tribunal de Contas do Estado) que julgou irregulares as contas da administração tucana no exercício de 2019. De acordo com o Tribunal, a gestão de Kiko registrou aumento de 11,79% do deficit orçamentário. A Corte também apontou a nomeação de 33 funcionários para cargos em comissão que eram incompatíveis com a função exercida por eles, além de atraso no repasse de verba à Câmara e à Previdência Social, paralisação de duas obras relacionadas à saúde do município, entre outras questões. 

No relatório, o TCE ainda diz que ao menos oito alertas foram emitidos à gestão tucana, a fim de informar a Prefeitura sobre as irregularidades, que não foram respeitados pela administração de Kiko. O Tribunal ainda relatou que as inconsistências eram reincidentes. Procurado pela reportagem, o ex-prefeito não se posicionou até o fechamento desta edição. 

Dos 17 vereadores da cidade, apenas Archeson Teixeira, o Rato (PTB), votou contra o parecer, enquanto Alessando Dias (Podemos) se absteve. Rato é sobrinho de Kiko.

INELEGÍVEL

Kiko ainda pode recorrer da decisão do Tribunal. Caso seja mantida, o tucano volta a ficar inelegível. Isso porque ele já foi condenado, em 2018, pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) a perder seus direitos políticos por cinco anos. Por isso, ele teve a candidatura à reeleição em 2020 impugnada pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral). Se vencesse o pleito, seria impedido de assumir o cargo para o segundo mandato. 

O caso ocorreu em 2010, quando era prefeito de Rio Grande da Serra. Kiko nomeou, na ocasião, Anderson Meira Lopes, filho do então secretário de Administração, Luiz Castilho Lopes, para cargo comissionado no governo. Como configurou nepotismo, Lopes foi exonerado, mas houve, segundo o Ministério Público, realocação indireta, tendo em vista a contratação para atuar em empresa terceirizada da administração.

ELEIÇÃO SUPLEMENTAR

Kiko também esteve envolvido na tentativa de destituição do diretório do PSDB de Ribeirão, liderada por Orlando Morando, na eleição suplementar do ano passado. O grupo lutava pela candidatura de Flávia Dotto (PSDB), mulher de Kiko, mesmo com a Federação PSDB/Cidadania escolhendo Gabriel Roncon (Cidadania) para disputar o Paço. Flávia chegou a anunciar sua pré-candidatura à sucessão de Clóvis Volpi (PL) em suas redes sociais. 

A dissolução do diretório municipal chegou a ser aprovada pela diretoria estadual do PSDB, à época comandada por Marco Vinholi, o que indicava uma vitória do grupo de Orlando. No entanto, a executiva nacional da sigla barrou a intervenção, impondo derrota ao prefeito de São Bernardo. 




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