Setecidades Titulo Solidariedade
Cufa São Bernardo garante Natal para família em vulnerabilidade social

Mesmo sem recursos, voluntários arrecadaram internamente alimentos e brinquedos para menina de 12 anos que luta contra o câncer

Thainá Lana
Do Diário do Grande ABC
24/12/2022 | 00:01
Compartilhar notícia
Thainá Lana/DGABC


Quem vê o olhar meigo e o sorriso doce da pequena Emilly Vitoria Mendes Tavares, 12 anos, não imagina a quantidade de batalhas que ela precisou enfrentar ao longo da sua jovem vida. Diagnosticada com osteossarcoma (tipo de câncer ósseo), a doença atingiu seu joelho e, após tratramento quimioterápico, foi necessário amputar sua perna direita.

A vontade de viver manteve a alegria de Emily, que estava aprendendo a usar as muletas quando foi atingida por mais um duro golpe: o tumor avançou para o pulmão esquerdo. A quimioterapia precisou ser retomada, porém, devido à falta de eficácia do tratamento para eliminar o nódulo, em abril deste ano ela passou por cirurgia de remoção do tumor.

Em agosto, a família recebeu mais uma triste notícia e percebeu que a batalha ainda estava longe de ser vencida: desta vez o nódulo havia atingido o pulmão direito. A são-bernardense passou por 37 intensas sessões de quimioterapia, realizadas três vezes por semana. Emilly vive agora a expectativa de saber se o tratramento foi eficaz ou se precisará passar por novo procedimento cirúrgico para remover o tumor. 

Além dos problemas de saúde, a menina e sua família também precisam enfrentar diariamente a insegurança alimentar. O tratamento oncológico é realizado no Hospital do Amor, em Barretos (cidade em que morava) e, por conta disso, sua mãe, Karina Mendes dos Santos, 35, não consegue trabalhar formalmente.

Sem renda, a família de sete pessoas, a mãe e mais seis filhos, sobrevive de doação de conhecidos e entidades sociais. Foi através de um pedido de ajuda que Karina conheceu neste ano a Cufa (Central Única das Favelas) São Bernardo. A organização, que auxilia cerca de 12.500 famílias que vivem em comunidades do município, atendeu a família de Emilly com cestas básicas. 

Tradicionalmente, a Cufa realiza ações de Natal em pelos menos 35 favelas de São Bernardo. Porém, neste ano, por conta da baixa doação de itens, como alimentos, brinquedos, roupas, entre outros, a entidade precisou ‘escolher’ apenas uma família que vive em situação de vulnerabilidade para poder ajudar. 

“Este é o primeiro ano que não conseguimos atender outras pessoas que precisam. Não recebemos nada, nenhuma cesta básica ou nenhum brinquedo. É triste. Fizemos o que estava ao nosso alcance para tentar mudar a realidade pelo menos uma família”, desabafa o líder da Cufa São Bernardo, Marcos Miranda, 52. 

Para ajudar a transformar o Natal da família de Emilly, 15 voluntários da entidade arrecadaram internamente, em 48 horas, mais de R$2.000. Com o valor, as lideranças compraram cestas básicas, brinquedos, doces e outros itens. 

De surpresa, os membros da Cufa entregaram nessa sexta-feira (23) os objetos na casa de Emilly, localizada na Vila São José. Com direito a Papai Noel carregando os presentes, música natalina nos carros e muita alegria e emoção da equipe. “Não imaginava que eles viriam trazer tanta coisa. Vamos conseguir passar o Natal em paz com essa doação”, disse a mãe, Karina. 

Durante toda ação solidária, Emilly não largou um ursinho de pelúcia que havia ganhando. A pequena são-bernardense, que sonha em ser advogada quando crescer, revelou que se pudesse pedir qualquer coisa para o papai noel, pediria “uma bebê reborn para poder brincar com as irmãs.”


BAIXAS DOAÇÕES

“Nossas doações caíram 95% de maio para cá. Muitas pessoas não têm nem o que comer e, é muito triste não conseguir ajudar todo mundo. A pandemia da Covid-19 pode estar chegando ao fim, mas a pandemia da fome e da insegurança alimentar continua”, diz o líder da Cufa no Riacho Grande, Gilcimar Almeida Campos, 39. Doações para Cufa podem ser feitas através das redes sociais da entidade. 




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;