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Moradora de Santo André denuncia roubo de recém-nascida; exame em hospital não confirmou gravidez

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Técnica de enfermagem de 46 anos alega que pegou um táxi perto de casa, foi sequestrada pelo motorista, deu à luz no automóvel e teve a filha roubada


Aline Melo

04/05/2022 | 18:15


A técnica de enfermagem Deise do Espírito Santo, 46 anos, estava grávida de 42 semanas quando sentiu a sua bolsa de águas romper. Entrou em um táxi que estava parado em frente a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Jardim Santo André, perto de onde mora, e pediu para ser levada até o Hospital Christóvão da Gama, na região central de Santo André, onde teria a bebê. Deise afirma que foi sequestrada pelo motorista e por uma mulher que entrou no carro posteriormente, que foi vendada, deu à luz dentro do veículo e foi abandonada na cidade de São Vicente, na tarde do dia 3 de maio, sem a filha.

A filha de Deise, a chapeira Ester do Espírito Santo de Brito, 19, contou que assim que sentiu a bolsa romper, a mãe ligou para ela e avisou que iria para o hospital. A jovem não chegou a encontrar com Deise antes que ela pegasse o táxi. O companheiro de Deise, o autônomo Rodrigo Morais de Oliveira, 38, também foi avisado que ela estava indo ao hospital e chegou na unidade de saúde antes dela. Passado o tempo que a mulher levaria para chegar na maternidade, o homem entrou em contato com as filhas de Deise, porque já não conseguia mais se comunicar com a companheira.


Deise estava grávida de 42 semanas

Sem notícias sobre Deise, Oliveira registrou um boletim de ocorrência no 5º DP (Distrito Policial) de Santo André, comunicando o seu desaparecimento. Por volta de 16 horas, o namorado recebeu uma mensagem do celular de Deise, de alguém que não quis se identificar, relatando que encontrou o telefone, um cartão e a carteira da mulher em um supermercado em São Vicente, no Litoral Sul de São Paulo. Já perto das 19 horas, Oliveira recebeu uma ligação de número desconhecido, onde a própria Deise relatou que havia sido sequestrada e levada para São Vicente, abandonada sozinha e sem a filha. O namorado acionou a polícia por meio do número 190, que foi até o local onde Deise se encontrava e a conduziu à Maternidade Municipal de São Vicente.

Ester afirma que a mãe foi mal atendida na unidade de saúde; que duvidaram da sua história e que nem a medicaram para dor. “Trataram ela como louca, não fizeram nada. Disseram que era uma gravidez psicológica, sendo que após transferência para hospital em Santo André minha mãe fez um ultrassom que localizou restos de placenta no seu útero”, alega. A família foi até São Vicente encontrar Deise e foram os familiares que providenciaram sua transferência para o Hospital Christovão da Gama, em Santo André, onde a técnica de enfermagem permanecia internada até a tarde desta quarta-feira (4).

Deise contou que depois que pegou o táxi, o motorista ficou circulando com ela, chegou a parar em um posto de gasolina da Avenida Perimetral alegando que ia abastecer, mas não abasteceu o carro. Andou mais um pouco e parou para que uma mulher branca, de cabelo escuro e tatuagem de cruz acima da sobrancelha entrasse. Segundo os familiares, o homem e a mulher tinham um sotaque espanhol.


A família de Deise enviou foto que seria de ultrassom 3D realizado pela técnica de enfermagem

Em nota, a Prefeitura de São Vicente informou que Deise deu entrada na Maternidade Municipal de São Vicente no dia 3 de maio, às 20h56, acompanhada da Polícia Civil, Guarda Civil Municipal e Corpo de Bombeiros. Que a paciente relatou que havia passado por um parto vaginal, há cerca de 8 horas, no interior de um veículo de aplicativo, após ter sido vítima de um sequestro. Que a mulher referia ter sido abandonada na Baixada Santista e o recém-nascido levado pelo sequestrador.

Segundo a nota enviada, no exame físico, a paciente apresentou bom estado geral. No exame ginecológico, apresentou discreto sangramento vaginal, útero pouco aumentado de tamanho e ausência de lacerações em canal vaginal. Que a equipe da maternidade adotou a conduta de internação para suporte clínico e realização de exames. “A paciente recusou a internação e, às 21h30, evadiu-se do local. Às 21h50, retornou à maternidade manifestando concordar com a internação, passando por nova avaliação. Em exame laboratorial realizado na admissão, foi verificado que a paciente não estava grávida. Às 4h23 desta quarta-feira (4), a paciente deixou o local novamente, sem estar de alta médica, acompanhada de familiar, conforme relatório de enfermagem”, informou a nota.

O Diário pediu uma cópia do exame realizado na maternidade, mas o documento não foi enviado. A Secretaria de Saúde de São Vicente esclareceu que foi realizado um exame de sangue para identificar a presença do hormônio HCG, cujo resultado foi negativo. O hormônio gonadotrofina coriônica humana é presente no organismo da pessoa que está ou esteve grávida há pouco tempo. Segundo a pasta, “o hormônio detectado nesse exame pode permanecer presente até 30 dias após o parto.”

A ginecologista e obstetra Naira Scartezzini Senna avaliou que o exame de HCG não é o ideal para identificar se houve uma gestação, uma vez que esse hormônio tem um aumento expressivo no início da gravidez e os níveis vão caindo ao longo dos meses. Segundo a médica, o exame clínico é que vai identificar se existem restos placentários, lacerações no canal vaginal, além dos exames realizados durante o pré-natal.

Os familiares de Deise afirmaram que ela foi submetida a uma curetagem no Hospital Christovão da Gama para remoção de restos placentários, mas não enviaram nenhum laudo. Também não enviaram documentos do pré-natal, que segundo o pai da criança, estavam na bolsa que Deise levaria à maternidade e ficaram no carro do sequestrador. O hospital confirmou que Deise esteve em atendimento, mas alegou que não poderia dar mais informações sobre a paciente.

A SSP (Secretaria de Segurança Pública) informou que a mulher foi localizada em São Vicente, onde foi registrado um boletim de encontro de pessoas na Delegacia da cidade. Segundo a pasta, o caso é investigado pelo SHPP (Setor de Homicídios de Santo André)  e a autoridade policial realiza diligências para esclarecimento dos fatos. Ainda de acordo com a SSP, detalhes serão preservados para garantir autonomia ao trabalho policial. 



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