Setecidades Titulo Sem desfecho
Júri dos 5 acusados pela morte da família Gonçalves é adiado

Ausência de uma das 17 testemunhas convocadas e apelo da defesa fizeram juiz transferir julgamento popular dos réus para o dia 13 de junho

Yasmin Assagra
Do Diário do Grande ABC
22/02/2022 | 00:01
Compartilhar notícia
André Henriques/ DGABC


A Justiça remarcou para 13 de junho o júri popular dos cinco acusados de roubar, matar e queimar o casal de empresários Flaviana de Meneses Gonçalves, na época com 40 anos, Romuyuki Veras, 43, e o filho deles, Juan Victor Gonçalves, 15, em 28 de janeiro de 2020. O julgamento estava previsto para ter início ontem, no Fórum de Santo André, mas uma das 17 testemunhas convocadas não compareceu e os advogados de defesa dos réus pediram o adiamento do processo. 

O caso teve grande repercussão, já que a filha do casal, Anaflavia Meneses Gonçalves, 24, está envolvida nos assassinatos. Além dela, a sua então companheira Carina Ramos de Abreu, 31, também é acusada do crime, além de Juliano Oliveira, 22, Jonathan Fagundes, 23 – primos de Carina –, e Guilherme Ramos, 19. 

De acordo com a polícia, Anaflavia e a ex-namorada informaram aos três rapazes que havia R$ 85 mil na residência do casal e ajudaram o trio a entrar no local. No dia do roubo, segundo a denúncia feita pelo MP (Ministério Público), os acusados não encontraram o dinheiro e, depois de ameaçar as vítimas, decidiram matá-las. Além de serem agredidos e asfixiados, o casal e o filho mais jovem foram colocados dentro do carro da família e levados para a Estrada do Montanhão, em São Bernardo. O veículo foi incendiado e todos morreram carbonizados.

Segundo a defesa da família das vítimas, a testemunha protegida que não compareceu ao fórum para prestar o depoimento teria relação com dois dos acusados, Juliano e Jonathan, mas o Tribunal de Justiça não confirmou essa informação. O Ministério Público tentou seguir com o julgamento, mesmo sem essa pessoa, mas os advogados de defesa dos acusados não abriram mão do depoimento.

Os cinco réus chegaram ao fórum por volta das 10h10 e essa testemunha-chave seria a primeira a depor. O júri seria composto por sete jurados (de 21 convocados) e presidido pelo juiz Lucas Tambor Bueno. Os cinco réus respondem por homicídio qualificado, ocultação de cadáver, roubo e formação de quadrilha. Quatro estão presos em Tremembé, no Interior, a exceção é Guilherme, que está detido no CDP (Centro de Detenção Provisória) II de Pinheiros, na Zona Oeste da Capital, desde 4 de fevereiro. 

O advogado Epaminondas Gomes de Farias, assistente de acusação contratado pela família das vítimas, relata que a testemunha foi devidamente intimada para depor e não sabe o motivo de ela não ter comparecido. “A primeira vez, inclusive, ela (a testemunha) foi espontaneamente até a sede da Deic (Delegacia Especializada em Investigações Criminais), em São Bernardo, para falar. Mas (a ausência) foi estratégia da defesa e dia 13 de junho não terão mais nenhuma manobra para fazer”, finaliza. 

DEFESA 

Em frente ao fórum, o advogado de Carina, Fábio Gomes da Costa, disse que sua cliente só teve participação na hora do roubo. “Em nenhum momento ela participa, executa ou autoriza a morte das pessoas”, declara. O advogado ainda conta que a motivação do crime foi financeira e que Carina permaneceu “todo momento” no piso inferior da casa, já que os homicídios foram cometidos na parte superior. “Ela só tem conhecimento quando o primo desce e diz para ela que algo deu errado”, declara Gomes, que ainda lembra que o principal acusado do crime de homicídio é Jonathan. 

Por outro lado, a advogada de defesa dos irmãos Jonathan e Juliano, Alessandra Jurardi, reforça que os dois acusados participaram do roubo e da ocultação dos corpos, mas da prática do homicídio, não. “Eles negam o homicídio”, destaca a advogada. 

Na mesma linha de defesa, o advogado de defesa de Guilherme, Leonardo José Gomes destaca que o réu não tinha o conhecimento dos homicídios. Segundo Gomes, “a partir do momento em que ele teve o conhecimento, prontamente ele se mostrou contra”. “O Guilherme tem algumas dúvidas se os homicídios aconteceram por excesso de violência dos irmãos e da Carina ou se realmente eles foram planejados pelos irmãos e pela Carina ou somente pela Carina”, completa o advogado.

O advogado de defesa da Anaflavia, Lucas Domingos, foi questionado no Fórum de Santo André, mas preferiu não dar entrevistas.

Mãe de Flaviana, Vera Lúcia fica cara a cara com acusadas

Amparada pelos familiares após saber do adiamento do julgamento, Vera Lúcia Chagas Conceição, 58 anos, mãe de Flaviana de Meneses Gonçalves, disse que ficou “indignada” quando soube da ausência da testemunha. Ela, que entrou sozinha para acompanhar o júri popular, avaliou como falta de respeito e consideração com toda a família e demais envolvidos no processo.

Vera Lúcia e os demais familiares sempre estiveram presentes e contribuíram para as investigações. Para ela, os advogados já estavam planejando que a ausência de testemunha iria acontecer. “Essa pessoa (testemunha) estava na Mooca, não foram buscá-la porque não quiseram. Mas eu não vou desistir, em junho estarei aqui, mais forte do que hoje (ontem)”, comenta Vera Lúcia. 

Além de todo sofrimento da família, Vera disse que precisou superar mais um desafio: o encontro com a neta. “Estava sentada no corredor, esperando para entrar e encontrei elas (Anaflavia e Carina). Achei injusto passar por isso. Mas olhei e encarei. Estava preparada para revê-las, mas não de tão perto como foi”, completa Vera. “Elas vão ficar presas, com fé em Deus. Elas e os demais”, finaliza. 

Primo de Flaviana, Diogo Reis, 32, recebeu Vera Lúcia, depois da passagem pelo fórum, e com gritos de Justiça, ao lado de demais familiares e amigos, pediu a condenação dos acusados. “Eles vão ser condenados, vão ficar presos, já que eles nunca foram lá só para roubar, foram para matar”, reforça Reis. “Se quisessem roubar, elas (Anaflavia e Carina) já teriam entrado na casa diversas vezes. Elas são assassinas”, finaliza o primo da vítima.

(colaborou Renan Soares/ Especial para o Diário)




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;