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Para pagar dívidas, Metodista põe à venda campus Vergueiro

Celso Luiz/ DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Universidade de São Bernardo deve quase R$ 500 milhões; 200 alunos serão realocados em unidade do Rudge Ramos


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

20/07/2021 | 00:15


A Rede Metodista de Educação vai vender o campus Vergueiro, em São Bernardo, no esforço para saldar dívida que chega a R$ 479 milhões. Em grave crise financeira, a instituição de ensino paralisou as atividades presenciais no campus no início da pandemia, em março de 2020, e na retomada, sem data prevista, os 200 alunos remanescentes serão realocados na unidade do Rudge Ramos, também em São Bernardo. A decisão consta no plano de recuperação do grupo, protocolado no dia 9 de abril no TJ-RS (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul), que prevê, inclusive, a venda do imóvel da Vergueiro por R$ 66,9 milhões. O terreno tem 13.379,80 metros quadrados de área total e 6.289,51 metros quadrados de área construída.

O laudo técnico do campus Vergueiro foi assinado pela empresa Consul Patrimonial Ltda, com vistoria do imóvel realizada no dia 9 de junho. A perícia foi anexada ao processo de viabilidade econômica, que consta como parte do plano de recuperação judicial, elaborado pela consultoria Alvarez & Marsal. Conforme o documento, outros dois campi universitários do grupo na região (Rudge Ramos e Planalto) e o colégio, no Rudge Ramos, todos em São Bernardo, não serão afetados e os cursos seguirão em andamento.

Segundo o relatório, o imóvel da Vergueiro está desocupado e conta com dois blocos, sendo um com três pavimentos – o primeiro e o segundo são compostos por salas e o terceiro tem também auditório, refeitório, estacionamento e sanitários. O segundo bloco tem dois andares com salas, sanitários, refeitório, copa, vestiário e áreas de administração. O endereço foi avaliado em bom estado e sem necessidade de reforma.

O campus Vergueiro tinha cinco cursos presenciais (processos gerenciais, recursos humanos, logística, marketing e gestão da qualidade), com 200 alunos matriculados. No total, 27 pessoas trabalhavam no local e, segundo a universidade, foram remanejados, sem demissões.
A receita líquida operacional da Metodista em 2020 foi avaliada em R$ 242 milhões. Ainda assim, a instituição colocou à venda outros espaços, como o Colégio Bennett, no Rio de Janeiro, e unidade da universidade em Altamira, no Pará.

De acordo com Edilene Arjoni, presidente do Sinpro-ABC (Sindicato dos Professores do ABC), o fechamento do campus Vergueiro não era esperado. “As unidades da região nunca tiveram problemas financeiros. O que ocorreu é que tiveram de arcar com a dívida das outras (unidades)”, disse a presidente do Sinpro-ABC, que critica a venda não estar explícita no plano de recuperação judicial, sendo apresentada só no processo de viabilidade econômica.

Além disso, Edilene condena a proposta de recuperação judicial e afirma que o texto “causa indignação”, sobretudo no que diz respeito aos acordos financeiros. Segundo o processo, a Metodista propõe quitar integralmente apenas as dívidas trabalhistas que não ultrapassem R$ 50 mil. No caso de valores que estejam entre R$ 50 mil e R$ 165 mil, a rede propõe o pagamento com redução de 30%. Já para os trabalhadores aos quais a Metodista deve mais do R$ 165 mil, o grupo propõe desconto de 70% da dívida. “O cálculo, porém, não leva em consideração multa por atraso e fundo de garantia”, diz Edilene.

A crise que assola a Metodista é observada desde 2015, que, segundo a própria instituição, se iniciou com a mudança nas regras do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). O cenário se agravou e a pandemia tornou a manutenção de algumas unidades insustentável. A estimativa é que dos R$ 500 milhões devidos, 60% sejam referentes a dívidas trabalhistas.  



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