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Desejos para o futuro

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Com extensa carreira como produtora e musicista, Malka lança EP com quatro inéditas


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

13/06/2021 | 00:52


Artista, DJ, musicista multi-instrumentista e produtora musical. Natural de São Caetano, Malka lança neste mês um EP (Extended Play) com quatro músicas inéditas e que pretende iniciar nova fase em sua carreira. Conhecida e reconhecida na cena eletrônica de São Paulo como residente das festas Mamba Negra e Sangra Muta, em seu novo trabalho, Praia do Meio, a artista de 36 anos quer falar de seus desejos e sonhos para o futuro.

“No meu trabalho em geral se encontra um som mais sombrio, mais introspectivo, das minhas vivências, com militância, uma pegada mais subversiva. Mas desta vez, nesse EP, resolvi mudar o foco”, relatou. Malka tinha outro EP, composto e gravado com cinco músicas, mas aquele trabalho não a fazia feliz. “Me dava sentimentos que não estavam me fazendo bem”, explicou. “Então, Praia do Meio vem com uma energia diferente no sentido de que estou cantando sobre coisas que quero para mim, amores, sensações, coisas que quero chamar, quero falar, uma outra visão”, completou.

A ideia é se separar do conceito que as pessoas têm do seu trabalho baseado no que fez até aqui. “Também sou mil mulheres, e Praia do Meio é uma delas, a garota apaixonada pela vida, com esperança no amor. Quis trazer essa pessoa que tenho dentro de mim, essa felicidade”, reforçou. “Já Quando o Baile Voltar fala muito dessa felicidade que vou atrás, que busco, e às vezes fica escondida porque a gente está sempre ocupada em sobreviver neste País”, pontuou.

“O que muitas pessoas dizem hoje, eu já batia nessa tecla nos anos anteriores. Hoje quero dizer sobre mim. Sou uma travesti de 36 anos, no País em que mais mata travestis. É um disco sobre tomar a vida que não querem me dar, e transformar isso em vida, prosperidade”, concluiu.

Com mais de 20 anos de carreira, Malka fez remix para artistas como Ceu e Letrux, além de tocar na banda da cantora Mc Thá. Já foi professora de canto, tocou em orquestras, no início da carreira tocou na banda punk Smelly Cat e Starfish 100, na sequência formou o duo eletrônico We Say Go. Em 2016 abriu sua própria gravadora para produzir trilhas sonoras e em 2018 foi a primeira musicista trans a tocar na Sala São Paulo, maior sala de concertos de música erudita da cidade. Chegou a tocar teclado para o grupo Verônica Decide Morrer, produziu tracks para Veronica Valentino, além de outros projetos com grandes artistas nacionais e outros de proporção internacional, que serão lançados entre este ano e 2022.

As quatro faixas de seu EP de estreia com um trabalho solo serão lançadas mensalmente e contarão com participações especiais ainda a serem divulgadas. A música Quando o Baile Voltar já está disponível nas plataformas.

Trabalho foi gravado em Natal

O trabalho foi gravado em Natal, no Rio Grande de Norte, para onde Malka foi no início de 2021 a convite de Luísa Nascim, do grupo Luísa e os Alquimistas. O que era para ser só uma temporada na cidade deu origem à ideia do EP. Desde uma estética tipicamente nacional das capas de disco de trilha sonora das novelas dos anos 1980 e 1990, até os charmes e funks da clássica coletânea Rap Brasil, Malka junta uma série de referências no disco, além de homenagear a praia reduto LGBT+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Travestis e Transgêneros, entre outras orientações sexuais e expressões e identidades de gênero) em Natal, a Praia do Meio.

Ciente da importância do seu trabalho para a comunidade LGBT+, Malka ressaltou que sua produção é plural e que quer cantar e se comunicar com todos os públicos. “Nos últimos anos dei muitas entrevistas e tive que falar muito sobre ser travesti, mas tenho tentado focar mais no trabalho”, afirmou. “O que importa muito é o trabalho que estou fazendo, e ele obviamente está atrelado ao fato de eu ser travesti, porque é o retrato de uma vivência, mas venho também tentando furar a bolha”, completa.

Para Malka, mais do que representatividade, é preciso se falar em proporcionalidade. “Para a normatividade interessa muito que apenas um negro, apenas um gay, apenas uma trans ocupe um lugar de destaque. Uma cota. A gente precisa que haja paridade, entre homens, mulheres, indígenas, gays, negros, transexuais. Quando isso não for possível, que haja a proporcionalidade”, concluiu. 



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