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Estado projeta que BRT
vai gerar 3.000 empregos

André Henriques/ DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Postos diretos e indiretos serão criados ao longo das obras; modal deve impactar economicamente entorno das estações


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

21/05/2021 | 00:01


O governo do Estado estima que a construção do BRT (sigla em inglês para ônibus de alta velocidade), sistema que vai ligar São Bernardo a São Paulo, passando por Santo André e São Caetano, em 40 minutos (nas viagens expressas), deve gerar 3.000 empregos diretos e indiretos durante a execução da obra. Segundo o secretário de Transportes Metropolitanos do Estado, Alexandre Baldy, as intervenções devem começar em setembro, mas, fontes ligadas à Metra, empresa responsável pela construção do modal, afirmam que as intervenções podem iniciar já em julho. A previsão é que o sistema comece a operar no início de 2023.

Além de postos de trabalho, a construção do sistema também deve gerar outros impactos econômicos e sociais nos bairros que vão receber o corredor, que terá 18 quilômetros de extensão e vai contar com 23 estações, sendo três delas terminais.

Em 2018, quando ainda não havia definição sobre a troca do monotrilho da extinta Linha 18-Bronze do Metrô pelo BRT-ABC, grupo de alunos do curso de engenharia civil da Fundação Santo André apresentou trabalho para obtenção de título de graduação sobre impactos econômicos do mercado imobiliário em torno do projeto do monotrilho. O estudo apontava que, em estações na cidade de São Paulo, a valorização de imóveis no raio de um quilômetro das paradas seria de 5% a 32% o valor por metro quadrado, devido à maior procura por residências e pontos comerciais nos arredores.

Para o reitor da Fundação Santo André, Rodrigo Cutri, a valorização deve se manter mesmo com a opção pelo BRT. “A partir do momento em que se define o trajeto e haja uma real perspectiva da obra, naturalmente o processo (de valorização imobiliária) acontece. É um ganha-ganha geral”, afirmou o reitor.

Professor titular no Centro Universitário FEI e mestre em engenharia de transportes, Fernando Ribeiro alertou que é preciso ter cuidado para que não haja degradação no entorno das estações, tendência verificada em alguns projetos de BRT, segundo o especialista. Para isso, o projeto precisa contemplar aspectos arquitetônicos e antropológicos. “As estações e o entorno precisam ser lugares agradáveis, onde as pessoas tenham vontade de circular”, pontou, ressaltando a necessidade de se incluir ciclovias ao corredor, como opção de intermodalidade para quem usa a bicicleta como meio de locomoção, por exemplo.

Coordenador de transporte metropolitano do Instituto de Engenharia, Flamínio Fichmann acredita que o maior beneficio do BRT, além da conexão rápida com a Capital, é o potencial incremento da economia no entorno das estações. “Vejo o transporte de duas maneiras: ou vai a reboque da demanda, que já está saturada, ou você tem o eixo que fomenta o desenvolvimento. Nesse caso, em uma boa parte da sua extensão o BRT-ABC vai promover reconfiguração urbana, valorizando o entorno”, projetou.

Setor imobiliário mostra confiança na valorização

Presidente da Acigabc (Associação dos Construtores, Imobiliárias e Administradoras do Grande ABC), Milton Bigucci Junior afirmou que o setor não tem dúvidas quanto à valorização das áreas próximas às estações do BRT (sigla em inglês para ônibus de alta velocidade), que será construído na região. Bigucci ponderou que, muito embora a expectativa da região fosse por linha de Metrô, todo sistema de transporte que seja eficiente e de fácil acesso tem potencial para atrair tanto novas habitações quanto empreendimentos comerciais.

“Em São Paulo a prefeitura fomenta que sejam implementados empreendimentos no entorno das estações, normalmente são o que chamamos de imóveis com fachada ativa, ou seja, um comércio no térreo e nos andares superiores apartamentos, alguns sem vagas de garagem pela proximidade com o sistema de transporte”, citou.

Bigucci lembrou que, se assim como em São Paulo, as prefeituras das cidades por onde vai passar o BRT-ABC – Santo André, São Bernardo e São Caetano – decidirem pela atualização de seus planos diretores, aumentando as possibilidades de áreas construídas no entorno das paradas, a associação está à disposição para participar do diálogo e colaborar. “Além de conhecimento técnico, somos moradores da região e temos o total interesse pelo desenvolvimento do Grande ABC”, concluiu.

Especialista em inovação e tendências, Arthur Igreja destacou que os potenciais de valorização são, principalmente, para estabelecimentos comerciais, pois terão ao redor das estações e proximidades um fluxo concentrado de pessoas. “Isso é desejado para todo tipo de lojas e restaurantes, o que pode trazer apreciação. Para as residências também é importante em razão da conveniência de ter acesso a Metrô, ônibus e trem. Então, para muita gente isso é altamente desejável por ter um deslocamento menor e mais agilidade na mobilidade”, pontuou.

Igreja ponderou que problemas podem aparecer aos vizinhos durante o período da obra, já que alguns espaços ficam inviabilizados, há interrupção de trânsito, eventualmente pode precisar de desapropriações, mas o benefício depois de tudo pronto compensa. “Alguns pontos da cidade podem ficar mais complexos com relação a isso, o que pode envolver questões de segurança e gargalos de trânsito até que não esteja 100% pronto”, explicou.

O especialista afirmou que o BRT é um modal de transporte extremamente interessante, pois é mais uma alternativa de mobilidade urbana. “As cidades que funcionam bem com o BRT quase que eliminam a necessidade de carros. Isso se reflete em termos de poluição, perda de tempo em engarrafamentos e custos com estacionamento. No mundo ideal, o transporte público é dominante”, declarou Igreja.

Mesmo em áreas hoje pouco adensadas, como é a maior parte da Avenida Lauro Gomes, o especialista afirma que os benefícios serão sentidos. “As novas estações do BRT, com certeza, serão pontos valorizados em razão do alto fluxo de pessoas. Serão excelentes atrativos para a instalação de comércios diversos, entre eles, shoppings, lojas, restaurantes, bem como prédios residenciais e casas”, pontuou. “Os usuários sempre buscam comodidade e conveniência. A procura por negócios e oportunidades comerciais ao redor de todo trajeto do BRT tende a ser uma crescente, bem como a valorização imobiliária local”, finalizou. 



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