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Morte por Covid este ano na região já supera total de 2020

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Foram 3.509 óbitos desde janeiro, contra 3.480 no ano passado; especialistas apontam variante como uma das causas


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

06/05/2021 | 00:01


Em quatro meses e cinco dias de 2021 o Grande ABC já tem mais mortes por Covid do que em dez meses de 2020. A marca foi alcançada depois que os sete municípios confirmaram, ontem, mais 38 óbitos. Com isso, 3.509 pessoas morreram em razão do coronavírus neste ano, contra 3.480 no ano passado.
Especialistas explicam que a maior mortalidade em 2021 pode ser explicada pelo afrouxamento nos cuidados, aglomerações em festas como Natal, Ano-Novo, Carnaval e Páscoa, além da descoberta da variante P1, originária de Manaus, que é mais agressiva e que acomete pessoas mais jovens.

Infectologista e fundador do IBSP (Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente), José Ribamar Branco explicou que a P1 é semelhante à derivação do vírus que atingiu a Inglaterra e a África do Sul. “Esse é o grande problema. Não mudou nada desde que começou a pandemia. Continuamos com a necessidade de usar máscara o tempo todo, inclusive se estiver próximo de familiares mais velhos, higienizar as mãos e manter o distanciamento”, esclareceu.

A secretária municipal de Saúde de São Caetano, Regina Maura Zetone, ressaltou ainda que, no início da pandemia no Brasil, em 2020, houve maior adesão da população às medidas não farmacológicas para prevenção da transmissão. “O distanciamento foi mais respeitado, o que podemos constatar sem dificuldade quando comparamos a circulação de veículos de março e abril de 2020 ao mesmo período de 2021”, ressaltou a chefe da pasta.

Infectologista e diretor do Hospital Santa Ana, em São Caetano, Paulo Rezende destaca que o fenômeno, embora triste, é “fácil de explicar”. “A primeira questão é a variante que começou em Manaus e dominou 90% dos casos (no País). Segundo que essa população atingida agora é mais jovem, diferentemente do ano passado (quando foram acometidos idosos e pessoas com comorbidades)”, disse o médico, lamentando que, embora a mídia divulgue as medidas preventivas, “a população burlou o tempo todo as orientações sanitárias”.

O diretor do hospital de campanha de Ribeirão Pires, Malek Imad, não só concorda com a opinião dos colegas como ainda critica a maneira como a transferência dos primeiros pacientes que apresentaram contaminação com a variante P1, em Manaus, ocorreu. “Faltou uma boa gestão de como esses pacientes estavam sendo cuidados e mandados para outros Estados (devido ao colapso do sistema de saúde da Capital do Amazona). A transferência foi feita de forma desorganizada, os doentes foram levados a outros locais sem o isolamento correto, e acabou espalhando rapidamente essa nova cepa, que tem maior mortalidade e acomete a população mais jovem”, frisou.

Os especialistas criticam ainda a briga política entre os governos federal e estadual, o que, segundo ele, resultou não somente em deficiência no enfrentamento da pandemia, mas, também, no atraso da vacinação.

Malek destacou, por exemplo, que a OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que até o fim de agosto o Brasil alcance 560 mil mortes. “Esse número muito alto reflete a polarização que ocorreu no Brasil entre os Estados e a federação, o que atrasou a campanha de vacinação, justo em um País que é referência mundial em imunização. Na crise da Covid, essa imunização em massa que vimos em outros tempos não aconteceu porque a briga política teve efeito colateral muito negativo no enfrentamento da pandemia, que acarretou nesse aumento da mortalidade”, frisou o chefe do hospital de campanha de Ribeirão Pires.

“O panorama até aqui é de desastre. Não tem unificação da política de saúde pública voltada para a Covid, não tem até agora vacinação suficiente para toda a população e continuamos sem um governo federal que unificasse toda a orientação de enfrentamento ao vírus”, lamentou o diretor do hospital Santa Ana, Paulo Rezende.

Já Branco afirma que o governo federal “é disfuncional”. “Sem uma coordenação nacional teremos esses dados desastrosos. Temos um número muito alto de pessoas que morreram e algumas mortes poderiam ser evitadas. Isso ocorreu por falta de organização nacional. A economia é, sim, importante, mas vidas também  importam. Temos de zerar tudo e começar tudo de novo, enfrentar essa pandemia da forma correta”, disse o infectologista.

Os especialistas destacam que, como em 2020, agora também não há nenhum medicamento para tratamento ou prevenção da doença e, portanto, a população deve seguir as orientações para preservação com o distanciamento físico, higiene das mãos, e uso contínuo e correto das máscaras, destacando ainda que a vacinação terá efeito significativo de diminuição de transmissão somente quando alcançar a aplicação completa, com duas doses, de 70% de toda a população.


Especialistas acreditam em terceira onda da pandemia

Diante do avanço da pandemia em 2021, especialistas da área da saúde alertam para possível terceira onda da Covid e pedem conscientização da população em relação às medidas sanitárias.

A secretária de Saúde de São Caetano, Regina Maura Zetone, salientou que o comportamento da população é fundamental para determinar quando e onde serão verificados novos picos com aumento do número de casos é óbitos.

“Precisamos diminuir ao máximo o risco de nova onda, ou diminuir gigantescamente o tamanho dela, caso ela chegue”, alertou a chefe da pasta, pontuando que o enfrentamento para uma nova leva devastadora depende de alguns pontos específicos, como o tamanho do evento epidêmico, a disponibilidade de recursos humanos, disponibilidade de estruturas adequadas para o atendimento dos casos, empenho da autoridade pública nacional e estadual em prover os municípios das suas necessidades de insumos, incluindo os exames diagnósticos e dos medicamentos necessários para a assistência adequada da população e a velocidade da vacinação.

O diretor do hospital de campanha de Ribeirão Pires, Malek Imad, disse que, para prevenir a terceira onda, é preciso responsabilidade. “Existem estudos que dizem que há a possibilidade de uma terceira onda de Covid em pacientes mais jovens. Não dá para prever quando a terceira onda pode chegar na região, e se vai chegar, mas estamos assistindo à diminuição em internação de pacientes nesses últimos meses. Nosso medo é esse afrouxamento da proteção individual e coletiva e a reabertura dos comércios”, disse Malek.

“Esperamos que não chegue (a terceira onda), mas, para isso, o mundo todo precisa estar na mesma dinâmica e grau de proteção”, frisou o infectologista e diretor do Hospital Santa Ana, em São Caetano, Paulo Rezende, explicando que as pessoas viajando e transitando acabam levando variações do vírus para outros locais.
Embora os municípios acreditem que estejam preparados para combater mais uma onda da pandemia, sobretudo no que diz respeito à estrutura hospitalar, o infectologista e fundador do IBSP (Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente), José Ribamar Branco, destaca que as cidades e Estados estão “extremamente desgastados” e que, de modo geral, o País todo não está preparado para enfrentar uma terceira onda da Covid. “Sem uma coordenação nacional para enfrentar a pandemia, o que nunca tivemos, fica muito difícil (estar preparado para mais uma leva). Se vai ter uma terceira onda, ou não, a gente ainda não sabe, mas há uma grande probabilidade que tenha, e precisamos ter o maior número de pessoas vacinadas, o que no Brasil ainda está muito longe de conseguir”, lamentou o médico.

O futuro menos letal da pandemia no Brasil, segundo os especialistas, depende, sobretudo, da adesão às medidas sanitárias por parte da população, e do governo federal engajado no enfrentamento da crise, em acordo com os Estados e municípios. Segundo os médicos, se ambas situações não estiverem em comunhão, a terceira onda poderá ser mais letal e acometer, inclusive, a região.  



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