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Presença feminina na saúde aumenta 58% em dez anos

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Em S.Bernardo, número dobrou na década; mulher é maioria nas equipes que combatem a Covid em pelo menos três cidade


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

08/03/2021 | 00:01


Hoje, no Dia Internacional da Mulher, há um motivo para celebrar. Em dez anos a presença feminina entre profissionais da saúde em São Bernardo, São Caetano e Diadema cresceu 57,8%, passando de 8.253 para 13.024. Além disso, elas são maioria na área, sobrecarregada com o combate à Covid, nas três cidades, únicas da região que informaram dados ao Diário.

Em São Bernardo, a presença feminina na saúde praticamente dobrou de 2011 a 2021, saltando de 3.999 a 7.931. Atualmente, a cidade possui 10 mil pessoas na área, ou seja, elas representam 80% da força de trabalho. Em São Caetano, são 2.251 mulheres, mais da metade dos cerca de 4.000 profissionais da saúde. Na comparação com 2011, o número de trabalhadoras cresceu em 80%. Já em Diadema, são 2.842 mulheres, sendo a maioria dos 3.787, ou seja, elas representam 59%. Porém, na cidade, a presença feminina encolheu 4,3% em dez anos.

Entre as profissionais que atuam em São Caetano está a cardiologista Carla Lantieri, 54 anos, que trabalha no ambulatório do Hospital Maria Braido e desde o início da pandemia atua no teleatendimento. “Foram meses de incerteza. Tivemos pacientes com dificuldade de se isolar e com a saúde mental abalada. São coisas que não podemos fechar os olhos”, afirma ela, que também trabalha </CS>na recuperação de pacientes que ficaram com sequela da Covid.

Em Diadema, a maior parte das mulheres trabalha como auxiliar ou técnico de enfermagem (681 profissionais), seguida de agente comunitário de saúde (419), agente administrativo (356) e médicas (333).

A enfermeira Salete de Jesus Rosa, 49, atua na UBS (Unidade Básica de Saúde) Vila Nogueira, que atende cerca de 4.000 pacientes. “No começo a gente não sabia o que iria acontecer. A gente se organizou e dividiu quem chegava com problemas respiratórios, dependendo da intensidade. O que mais me impactou é que o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que era raridade, virou rotina para remoção de pacientes graves”, diz. Mesmo vacinada, ela continua com receio de passar o vírus para a família e segue em frente, inclusive ajudando na conscientização. “O negacionismo dá ainda mais forças para continuar, porque é aí que vejo que há muito trabalho a se fazer”, acrescenta.

Em Ribeirão Pires, a equipe de saúde tem 494 mulheres, sendo que somente no hospital de campanha são 60 trabalhando. A enfermeira Eli Vilalba de Almeida, 61, atua na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e no início da pandemia foi infectada pelo coronavírus. “Eu estava na linha de frente. Mas, acredito que no começo, nós nem tínhamos dimensão do que viria a ser (a pandemia). Fiquei mal, inclusive com dificuldade para respirar, mas não fui internada”, conta. 

Celso Luiz/DGABC

CIÊNCIA

Além da medicina, o campo da ciência também se mostrou importante para a sociedade no desenvolvimento de vacinas e tecnologias no combate à Covid. Na planta de Santo André, a Rhodia fabrica o fio têxtil Amni Virus-Bac Off, com agente antiviral e antibacteriano – que inibe a ação de vírus e bactérias – que pode ser usado na elaboração de malhas, roupas hospitalares, máscaras, entre outros.

Uma das pesquisadoras do produto foi Carolina Branco, que mora em Sanro André. “A gente tinha uma prévia, um trabalho anterior no sentido de uma tecnologia antibacteriana que foi aperfeiçoado”, conta, dizendo que o próximo passo foi trabalhar o antiviral. “Começamos em fevereiro, logo quando surgiram os primeiros casos. Fomos trabalhar em casa em março e os pesquisadores só iam para a fábrica em momentos de amostragem. Era desanimador, mas ao pensar que estávamos contribuindo para ajudar no combate a pandemia nos dava ânimo”, diz ela, que não esconde o orgulho que sente ao ver alguém utilizando a máscara feita com o fio. “É gratificante.”

Mulher é maioria nas secretarias de saúde da região

As mulheres são maioria nas pastas da Saúde das cidades do Grande ABC. No total, são quatro à frente da principal secretaria dos municípios em tempos de pandemia, sendo que três delas, Rejane Calixto<, em Diadema, Célia Bortoletto, em Mauá, e Maria José Pereira Zago, a Zezé, em Rio Grande da Serra, assumiram o cargo no início do ano. A exceção é Regina Maura, em São Caetano, que já vinha conduzindo o trabalho desde os primeiros casos da Covid-19. 

Em Diadema, Rejane afirmou que a participação feminina na saúde é fundamental. “A equipe é formada majoritariamente por mulheres e elas ocupam cargos de chefia e coordenação em várias áreas, como assistência farmacêutica e atenção básica, além do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência)”, afirmou.

Para Rejane, a pandemia mostrou o quanto o conhecimento técnico, baseado na ciência, faz diferença. “E o fato de ser mulher, trabalhadora da saúde, atuando na emergência sanitária como a que estamos vivendo há cerca de um ano, traz outros desafios diários à realidade dessas profissionais, como conciliar a jornada de trabalho com a nova realidade das famílias, cuidar da casa, dos filhos e até dos idosos da família, além do receio recorrente de ser o vetor da doença dentro de casa.”

A secretária municipal de Saúde de São Caetano, Regina Maura afirmou que o instinto de cuidar das outras pessoas é uma característica que faz com que as mulheres se destaquem na área da saúde. “As mulheres já têm instinto de cuidadora e na saúde o fundamental é o cuidar das pessoas. A maioria é enfermeira, técnica de enfermagem, fisioterapeuta e médica. Temos mais mulheres na área da saúde do que homens. Esse papel importante que ganhamos é justamente por isso, por ser guerreiras, porque só sendo guerreira para enfrentar toda essa situação e estar disposta a recuperar cada um dos pacientes. Elas vão em frente e encaram a dupla jornada, além da pandemia”, comentou.

Além disso, Regina destaca a luta contra o negacionismo. “Gastamos energia grande nisso. Notícias falsas e tratamentos ineficazes explicam muito da atual expansão da pandemia. É essencial que a sociedade coopere, mantendo o distanciamento, utilizando máscara</CW> e mantendo cada vez mais os hábitos de higiene”, finalizou.

O Diário tentou contato com Célia Bortoletto, de Mauá, e Zezé, de Rio Grande da Serra, mas não obteve retorno. 



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Presença feminina na saúde aumenta 58% em dez anos

Em S.Bernardo, número dobrou na década; mulher é maioria nas equipes que combatem a Covid em pelo menos três cidade

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

08/03/2021 | 00:01


Hoje, no Dia Internacional da Mulher, há um motivo para celebrar. Em dez anos a presença feminina entre profissionais da saúde em São Bernardo, São Caetano e Diadema cresceu 57,8%, passando de 8.253 para 13.024. Além disso, elas são maioria na área, sobrecarregada com o combate à Covid, nas três cidades, únicas da região que informaram dados ao Diário.

Em São Bernardo, a presença feminina na saúde praticamente dobrou de 2011 a 2021, saltando de 3.999 a 7.931. Atualmente, a cidade possui 10 mil pessoas na área, ou seja, elas representam 80% da força de trabalho. Em São Caetano, são 2.251 mulheres, mais da metade dos cerca de 4.000 profissionais da saúde. Na comparação com 2011, o número de trabalhadoras cresceu em 80%. Já em Diadema, são 2.842 mulheres, sendo a maioria dos 3.787, ou seja, elas representam 59%. Porém, na cidade, a presença feminina encolheu 4,3% em dez anos.

Entre as profissionais que atuam em São Caetano está a cardiologista Carla Lantieri, 54 anos, que trabalha no ambulatório do Hospital Maria Braido e desde o início da pandemia atua no teleatendimento. “Foram meses de incerteza. Tivemos pacientes com dificuldade de se isolar e com a saúde mental abalada. São coisas que não podemos fechar os olhos”, afirma ela, que também trabalha </CS>na recuperação de pacientes que ficaram com sequela da Covid.

Em Diadema, a maior parte das mulheres trabalha como auxiliar ou técnico de enfermagem (681 profissionais), seguida de agente comunitário de saúde (419), agente administrativo (356) e médicas (333).

A enfermeira Salete de Jesus Rosa, 49, atua na UBS (Unidade Básica de Saúde) Vila Nogueira, que atende cerca de 4.000 pacientes. “No começo a gente não sabia o que iria acontecer. A gente se organizou e dividiu quem chegava com problemas respiratórios, dependendo da intensidade. O que mais me impactou é que o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que era raridade, virou rotina para remoção de pacientes graves”, diz. Mesmo vacinada, ela continua com receio de passar o vírus para a família e segue em frente, inclusive ajudando na conscientização. “O negacionismo dá ainda mais forças para continuar, porque é aí que vejo que há muito trabalho a se fazer”, acrescenta.

Em Ribeirão Pires, a equipe de saúde tem 494 mulheres, sendo que somente no hospital de campanha são 60 trabalhando. A enfermeira Eli Vilalba de Almeida, 61, atua na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e no início da pandemia foi infectada pelo coronavírus. “Eu estava na linha de frente. Mas, acredito que no começo, nós nem tínhamos dimensão do que viria a ser (a pandemia). Fiquei mal, inclusive com dificuldade para respirar, mas não fui internada”, conta. 

Celso Luiz/DGABC

CIÊNCIA

Além da medicina, o campo da ciência também se mostrou importante para a sociedade no desenvolvimento de vacinas e tecnologias no combate à Covid. Na planta de Santo André, a Rhodia fabrica o fio têxtil Amni Virus-Bac Off, com agente antiviral e antibacteriano – que inibe a ação de vírus e bactérias – que pode ser usado na elaboração de malhas, roupas hospitalares, máscaras, entre outros.

Uma das pesquisadoras do produto foi Carolina Branco, que mora em Sanro André. “A gente tinha uma prévia, um trabalho anterior no sentido de uma tecnologia antibacteriana que foi aperfeiçoado”, conta, dizendo que o próximo passo foi trabalhar o antiviral. “Começamos em fevereiro, logo quando surgiram os primeiros casos. Fomos trabalhar em casa em março e os pesquisadores só iam para a fábrica em momentos de amostragem. Era desanimador, mas ao pensar que estávamos contribuindo para ajudar no combate a pandemia nos dava ânimo”, diz ela, que não esconde o orgulho que sente ao ver alguém utilizando a máscara feita com o fio. “É gratificante.”

Mulher é maioria nas secretarias de saúde da região

As mulheres são maioria nas pastas da Saúde das cidades do Grande ABC. No total, são quatro à frente da principal secretaria dos municípios em tempos de pandemia, sendo que três delas, Rejane Calixto<, em Diadema, Célia Bortoletto, em Mauá, e Maria José Pereira Zago, a Zezé, em Rio Grande da Serra, assumiram o cargo no início do ano. A exceção é Regina Maura, em São Caetano, que já vinha conduzindo o trabalho desde os primeiros casos da Covid-19. 

Em Diadema, Rejane afirmou que a participação feminina na saúde é fundamental. “A equipe é formada majoritariamente por mulheres e elas ocupam cargos de chefia e coordenação em várias áreas, como assistência farmacêutica e atenção básica, além do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência)”, afirmou.

Para Rejane, a pandemia mostrou o quanto o conhecimento técnico, baseado na ciência, faz diferença. “E o fato de ser mulher, trabalhadora da saúde, atuando na emergência sanitária como a que estamos vivendo há cerca de um ano, traz outros desafios diários à realidade dessas profissionais, como conciliar a jornada de trabalho com a nova realidade das famílias, cuidar da casa, dos filhos e até dos idosos da família, além do receio recorrente de ser o vetor da doença dentro de casa.”

A secretária municipal de Saúde de São Caetano, Regina Maura afirmou que o instinto de cuidar das outras pessoas é uma característica que faz com que as mulheres se destaquem na área da saúde. “As mulheres já têm instinto de cuidadora e na saúde o fundamental é o cuidar das pessoas. A maioria é enfermeira, técnica de enfermagem, fisioterapeuta e médica. Temos mais mulheres na área da saúde do que homens. Esse papel importante que ganhamos é justamente por isso, por ser guerreiras, porque só sendo guerreira para enfrentar toda essa situação e estar disposta a recuperar cada um dos pacientes. Elas vão em frente e encaram a dupla jornada, além da pandemia”, comentou.

Além disso, Regina destaca a luta contra o negacionismo. “Gastamos energia grande nisso. Notícias falsas e tratamentos ineficazes explicam muito da atual expansão da pandemia. É essencial que a sociedade coopere, mantendo o distanciamento, utilizando máscara</CW> e mantendo cada vez mais os hábitos de higiene”, finalizou.

O Diário tentou contato com Célia Bortoletto, de Mauá, e Zezé, de Rio Grande da Serra, mas não obteve retorno. 

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