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Setor têxtil se agarra aos veículos


Mariana Oliveira
Do Diário do Grande ABC

07/08/2005 | 10:55


A indústria têxtil do Grande ABC se desenvolve na esteira da principal atividade econômica da região: o setor automotivo, que responde por 70% do PIB (Produto Interno Bruto) local. Enquanto as empresas que fornecem direta ou indiretamente para montadoras registraram crescimento de até 18% no primeiro semestre, as demais apontaram retração de até 30% no faturamento em relação ao mesmo período do ano passado.

No Grande ABC, o setor é formado por 412 empresas entre fiações, tecelagens, malharias e confecções. Os dados são do Observatório Econômico de Santo André, com base em pesquisa do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de 2003.

A dependência da indústria têxtil em relação ao setor automotivo na região é ratificada por Rafael Cervone Netto, presidente do Sinditêxtil-SP (Sindicato das Indústrias Têxteis do Estado de São Paulo). Segundo ele, o primeiro semestre foi ruim para as empresas em geral devido à queda nas exportações – resultantes da desvalorização do dólar –, à concorrência com os itens chineses e às elevadas taxas de juros. “O crescimento das empresas ligadas ao setor automobilístico acontece no Grande ABC porque é uma região voltada para o segmento. Mas não podemos generalizar a situação, já que, considerando todo o Estado, o cenário é de estagnação.”

Dificuldades para a maioria, mas não para empresas como Toros (fabricante de revestimentos) e Inylbra (carpetes automotivos), ambas de Diadema, Rhodia Fios Têxteis (fornece fibras para a indústria de pneus), de Santo André, e Rieter Automotive (fabrica feltros e revestimentos), de São Bernardo.

“As que se destacam são que as que têm atividade ligada ao mercado automobilístico”, confirma Luiz Antônio de Souza, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Fiação e Tecelagem de São Bernardo e Diadema – que agrega 6 mil dos 9,6 mil empregados do setor na região.

A Toro, de Diadema, que tem 100% da produção voltada para o mercado automotivo, produz revestimentos para caminhões e automóveis e fornece para montadoras como Volkswagen, GM, Ford e Scania. No primeiro semestre, a empresa teve incremento de 18% no faturamento em relação ao mesmo período do ano passado. A empresa conta com 600 funcionários.

“Os sinais de dificuldade para a indústria têxtil em geral são visíveis. A sobrevivência está realmente ligada ao mercado automotivo, dado que a região historicamente criou competência baseada nessa indústria. É clara nossa vantagem, pois as grandes empresas do segmento automobilístico estão aqui”, destaca Marco Aurélio Picolo, diretor comercial da Toro.

Já na Finantex, de Santo André, a queda no faturamento chega a 30% neste semestre na comparação com o mesmo período do ano passado. Os principais clientes são atacadistas de tecidos que vendem para pequenas confecções e confecções maiores que vendem para grandes. No último ano, o número de funcionários foi reduzido pela metade e agora a empresa tem 33 empregados.

“Tivemos queda acentuada do número de trabalhadores, principalmente os antigos, que acarretavam custos elevados, e reduzimos a produção para contornar a crise”, afirma Marcos Lovinger, diretor da Finantex.

A confecção Antishock, com fábrica em Diadema, teve faturamento estagnado neste ano. “A moeda americana desvalorizada atrapalha a concorrência e favorece os importados”, diz Reinaldo Batah, sócio-proprietário da marca.

A concorrência com os itens chineses prejudica principalmente empresas ligadas ao setor de confecção. Mas empresas que também atuam em outros ramos, como a Rhodia Fios Têxteis – produtora de fios e fibras que abastecem mercado automotivo e confecções –, com unidades em São Bernardo e Santo André, sentem os reflexos. “A concorrência é forte em poliester e algodão e acaba prejudicando os resultados”, diz o vice-presidente da Rhodia Poliamida para a América do Sul, Marcos De Marchi. Segundo ele, o crescimento de 7% na produção no primeiro semestre foi motivado pelo fornecimento de fibras ao setor automotivo, por meio da indústria de pneus.

De acordo com o presidente do Sinditêxtil-SP, Rafael Cervone, o governo precisa implantar salvaguarda no setor para que a indústria têxtil paulista não fique ainda mais prejudicada. “É um equívoco do governo brasileiro reconhecer a China como economia de mercado. Isso contribui para derrubar ainda mais as nossas vendas.” Na última quarta-feira, representantes do setor de têxteis e confecções reclamaram da demora e também pediram medidas mais eficazes contra o subfaturamento de desembarques e o contrabando no setor têxtil.



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