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Metrô no Grande ABC não pode ser esquecido, diz Alckmin

Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Ex-governador pondera período de recessão para atrasar projeto, mas justifica que região necessita de modal de alta capacidade e velocidade


Fábio Martins
Do Diário do Grande ABC

28/12/2020 | 00:01


Antecessor de João Doria (PSDB) no comando do governo de São Paulo, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) sugeriu que o Estado pudesse estudar eventual relicitação da Linha 18-Bronze, hoje cancelada, que ligaria o Grande ABC à Capital via monotrilho. Em entrevista ao Diário, o tucano considerou que a região não pode ficar fora da rede, tendo em vista o potencial das sete cidades. “Esse projeto é necessário. Isso poderia ser relicitado, não tenho detalhes da decisão (de extinguir o acordo), mas é natural que região tão populosa, tão importante quanto o Grande ABC, tenha ligação pelo sistema metroviário.”

É uma das primeiras declarações taxativas de Alckmin a respeito do caso após o desfecho. O tucano assinou contrato de PPP (Parceria Público-Privada) em 2014 para construção da Linha 18, ao custo inicial de R$ 4,2 bilhões. O Estado, à época, não concretizou engenharia financeira para bancar as desapropriações – algo em torno de R$ 600 milhões. Mesmo três anos e meio depois, ao deixar o posto, ele não consolidou o plano. Em julho de 2019, logo no primeiro ano de gestão, Doria rasgou a promessa eleitoral de implantação do modal e cancelou o ajuste, sob alegação de inviabilidade econômica – em números atualizados, o projeto estaria na casa dos R$ 6 bilhões. Na ocasião, ele se comprometeu a estabelecer BRT (sistema de transporte rápido por ônibus) no lugar e desengavetar a Linha 20-Rosa, ainda incipiente.

“É claro que tivemos crise financeira muito grande, recessão em 2014, 2015, 2016 e neste ano, principalmente, com a (pandemia de) Covid-19. Agora, não pode ser abandonado, esquecido, o projeto. (Acredito que) Poderia ser relicitado, enfim, é natural, vai acabar levando Metrô para Taboão da Serra, região Oeste de São Paulo. Metrô já está lá chegando na Vila Sônia. Como vai chegar a Guarulhos, ele (sistema) tem que vir para o Grande ABC”, comparou o tucano. “Já tem (na região) bom sistema de trem (da CPTM, Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), porém, precisa ter sistema metroviário”, emendou. Doria, aliás, sinalizou reforma das estações da Linha 10-Turquesa.

A chegada do Metrô ao Grande ABC é promessa antiga, esticada há, pelo menos, 45 anos. Questionado sobre a hipótese de o BRT suprir a demanda por transporte de alta capacidade na região, Alckmin manteve a posição, insistindo na tese de retomar o monotrilho, sem desconsiderar a possibilidade de também incluir projeto de corredores de ônibus. “Os corredores são importantes. Eles não competem, se complementam. Deve ser feito BRT, corredores, dar prioridade ao coletivo, ajuda a população a ter deslocamento mais rápido, mas o foco na questão do trilho, do monotrilho, deve continuar.”

O Estado reservou R$ 20 para a Linha 20 e ao BRT no orçamento de 2021 – o valor é considerado apenas simbólico na peça para eventual aporte. A Linha 20 se encontra em fase preliminar, de projeto funcional e estudo de solo do trajeto. Previsões extraoficiais indicam que, se sair do papel, o projeto, que ligaria a Estação de Santo André à Lapa, em São Paulo, beira meados de 2030. Para o BRT, por sua vez, não foi dado passos iniciais, a despeito de o volume de investimento cair para cerca de R$ 680 milhões.

Para Maranhão, faltou ação estadual para viabilizar BRT

Presidente do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC e prefeito de Rio Grande da Serra até o dia 31 de dezembro, Gabriel Maranhão (Cidadania) declarou que faltou articulação por parte do governo do Estado, comandado por João Doria, para retirar o BRT (sigla em inglês para ônibus de alta velocidade) do papel no Grande ABC.

De acordo com Maranhão, que a partir de janeiro será secretário de Obras em Ribeirão Pires, o governo paulista falhou em buscar algum tipo de interlocução com os prefeitos do Grande ABC para que o modal, com previsão de ligar a região ao sistema de Metrô da Capital, tivesse, ao menos, as obras iniciadas em 2020. “Como presidente do Consórcio eu gostaria de ter entregue o início das obras do BRT para o Grande ABC, mas acabou não acontecendo. Infelizmente faltou articulação do governo do Estado com as cidades da região.”

O BRT foi o modal escolhido por Doria para substituir o projeto original da Linha 18-Bronze do Metrô, cujo contrato foi assinado em 2014. A ligação ao sistema metroviário seria semelhante, mas, em vez de ônibus, por monotrilho. Com alegação de que o projeto seria oneroso – aproximadamente R$ 6 bilhões –, o Palácio dos Bandeirantes definiu, em 2019, que o BRT era a solução adequada, com custo de R$ 680 milhões.

O projeto deveria ser apresentado no fim de 2019, o que não se concretizou no período. Já as intervenções físicas tinham previsão de começar no primeiro semestre de 2020, porém a pandemia do novo coronavírus mudou os planos da secretaria estadual de Transportes Metropolitanos, que ainda avalia novo cronograma de ações e condições econômicas para viabilizar o empreendimento.

O governo estadual sustentou, por meio de nota, que o diálogo com os prefeitos da região e com o próprio Consórcio sempre foi produtivo. “O início da implementação do projeto do BRT ABC estava previsto para abril, mas, devido à pandemia, foi suspenso e está em avaliação pelos comitês internos do governo. Vale ressaltar que todos os grandes projetos no País sofreram mudanças em seus cronogramas em função da pandemia no novo coronavírus”, alegou a pasta. 



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Metrô no Grande ABC não pode ser esquecido, diz Alckmin

Ex-governador pondera período de recessão para atrasar projeto, mas justifica que região necessita de modal de alta capacidade e velocidade

Fábio Martins
Do Diário do Grande ABC

28/12/2020 | 00:01


Antecessor de João Doria (PSDB) no comando do governo de São Paulo, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) sugeriu que o Estado pudesse estudar eventual relicitação da Linha 18-Bronze, hoje cancelada, que ligaria o Grande ABC à Capital via monotrilho. Em entrevista ao Diário, o tucano considerou que a região não pode ficar fora da rede, tendo em vista o potencial das sete cidades. “Esse projeto é necessário. Isso poderia ser relicitado, não tenho detalhes da decisão (de extinguir o acordo), mas é natural que região tão populosa, tão importante quanto o Grande ABC, tenha ligação pelo sistema metroviário.”

É uma das primeiras declarações taxativas de Alckmin a respeito do caso após o desfecho. O tucano assinou contrato de PPP (Parceria Público-Privada) em 2014 para construção da Linha 18, ao custo inicial de R$ 4,2 bilhões. O Estado, à época, não concretizou engenharia financeira para bancar as desapropriações – algo em torno de R$ 600 milhões. Mesmo três anos e meio depois, ao deixar o posto, ele não consolidou o plano. Em julho de 2019, logo no primeiro ano de gestão, Doria rasgou a promessa eleitoral de implantação do modal e cancelou o ajuste, sob alegação de inviabilidade econômica – em números atualizados, o projeto estaria na casa dos R$ 6 bilhões. Na ocasião, ele se comprometeu a estabelecer BRT (sistema de transporte rápido por ônibus) no lugar e desengavetar a Linha 20-Rosa, ainda incipiente.

“É claro que tivemos crise financeira muito grande, recessão em 2014, 2015, 2016 e neste ano, principalmente, com a (pandemia de) Covid-19. Agora, não pode ser abandonado, esquecido, o projeto. (Acredito que) Poderia ser relicitado, enfim, é natural, vai acabar levando Metrô para Taboão da Serra, região Oeste de São Paulo. Metrô já está lá chegando na Vila Sônia. Como vai chegar a Guarulhos, ele (sistema) tem que vir para o Grande ABC”, comparou o tucano. “Já tem (na região) bom sistema de trem (da CPTM, Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), porém, precisa ter sistema metroviário”, emendou. Doria, aliás, sinalizou reforma das estações da Linha 10-Turquesa.

A chegada do Metrô ao Grande ABC é promessa antiga, esticada há, pelo menos, 45 anos. Questionado sobre a hipótese de o BRT suprir a demanda por transporte de alta capacidade na região, Alckmin manteve a posição, insistindo na tese de retomar o monotrilho, sem desconsiderar a possibilidade de também incluir projeto de corredores de ônibus. “Os corredores são importantes. Eles não competem, se complementam. Deve ser feito BRT, corredores, dar prioridade ao coletivo, ajuda a população a ter deslocamento mais rápido, mas o foco na questão do trilho, do monotrilho, deve continuar.”

O Estado reservou R$ 20 para a Linha 20 e ao BRT no orçamento de 2021 – o valor é considerado apenas simbólico na peça para eventual aporte. A Linha 20 se encontra em fase preliminar, de projeto funcional e estudo de solo do trajeto. Previsões extraoficiais indicam que, se sair do papel, o projeto, que ligaria a Estação de Santo André à Lapa, em São Paulo, beira meados de 2030. Para o BRT, por sua vez, não foi dado passos iniciais, a despeito de o volume de investimento cair para cerca de R$ 680 milhões.

Para Maranhão, faltou ação estadual para viabilizar BRT

Presidente do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC e prefeito de Rio Grande da Serra até o dia 31 de dezembro, Gabriel Maranhão (Cidadania) declarou que faltou articulação por parte do governo do Estado, comandado por João Doria, para retirar o BRT (sigla em inglês para ônibus de alta velocidade) do papel no Grande ABC.

De acordo com Maranhão, que a partir de janeiro será secretário de Obras em Ribeirão Pires, o governo paulista falhou em buscar algum tipo de interlocução com os prefeitos do Grande ABC para que o modal, com previsão de ligar a região ao sistema de Metrô da Capital, tivesse, ao menos, as obras iniciadas em 2020. “Como presidente do Consórcio eu gostaria de ter entregue o início das obras do BRT para o Grande ABC, mas acabou não acontecendo. Infelizmente faltou articulação do governo do Estado com as cidades da região.”

O BRT foi o modal escolhido por Doria para substituir o projeto original da Linha 18-Bronze do Metrô, cujo contrato foi assinado em 2014. A ligação ao sistema metroviário seria semelhante, mas, em vez de ônibus, por monotrilho. Com alegação de que o projeto seria oneroso – aproximadamente R$ 6 bilhões –, o Palácio dos Bandeirantes definiu, em 2019, que o BRT era a solução adequada, com custo de R$ 680 milhões.

O projeto deveria ser apresentado no fim de 2019, o que não se concretizou no período. Já as intervenções físicas tinham previsão de começar no primeiro semestre de 2020, porém a pandemia do novo coronavírus mudou os planos da secretaria estadual de Transportes Metropolitanos, que ainda avalia novo cronograma de ações e condições econômicas para viabilizar o empreendimento.

O governo estadual sustentou, por meio de nota, que o diálogo com os prefeitos da região e com o próprio Consórcio sempre foi produtivo. “O início da implementação do projeto do BRT ABC estava previsto para abril, mas, devido à pandemia, foi suspenso e está em avaliação pelos comitês internos do governo. Vale ressaltar que todos os grandes projetos no País sofreram mudanças em seus cronogramas em função da pandemia no novo coronavírus”, alegou a pasta. 

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