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Ações contra assédio têm que ser mais efetivas, afirma advogada

João Cotta/Globo Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Acusações contra humorista da Globo reacendem debate sobre violências sexuais


Aline Melo
Diário do Grande ABC

05/12/2020 | 09:05


Reportagem publicada pela revista Piauí reacendeu o debate no País sobre os casos de assédios sexual e moral. A humorista Dani Calabresa, natural de São Bernardo, acusa, desde 2017, o também humorista Marcius Melhem por assédio sexual. A reportagem detalha não só as agressões sofridas, mas também todas as tentativas de Dani de levar o caso à direção da Rede Globo, emissora onde os dois trabalhavam à época, e sua frustração por não receber nenhuma devolutiva satisfatória.

Sócia fundadora da Gema Consultoria em Equidade, a advogada Isabela Del Monde destaca que as ações contra assédios sexual e moral devem ser efetivas por parte das empresas. “As pessoas não aceitam mais notas evasivas e demissões, que não eliminam o problema”, afirma.

A Gema foi criada durante a pandemia, em um contexto de aumento dos debates sobre violência sexual, de gênero, racista e por orientação sexual, explica Isabela. “Existem empresas que querem ter um olhar para esse assunto, são confrontadas, mas não sabem como se posicionar”, completa. A consultoria apoia empresas a terem a equidade no centro da organização. “Trabalhamos compliance (conformidade) cultural, com ações de igualdade de gênero, de raça, incentivo à diversidade”, completa.

A advogada pontua que a falta de dados sobre os casos é um dos grandes desafios para o enfrentamento a esse tipo de crime. Pesquisa realizada em 2019 pela consultoria de inovação social Think Eva mostrou que 47% das mulheres foram vítimas de assédio sexual no ambiente de trabalho. Negras representam a maior parcela das vítimas, 52%, e quando é analisada a renda, as que ganham entre dois e quatro salários mínimos são a maioria (30%).

Isabela afirma que os números indicam que não são casos isolados. “É uma situação estrutural e precisa de mudança de cultura. Respostas como ‘lamentamos o ocorrido’ ou a simples demissão de supostos agressores não bastam, porque não mudam a cultura da empresa”, completa.

Casos que envolvem grandes empresas e pessoas famosas, como o retratado pela Piauí, podem ser catalisadores de transformações mais profundas, avalia a advogada. “As mudanças estão batendo na porta das organizações porque o público já entendeu que determinados comportamentos, determinadas respostas, não são aceitáveis”, define. “É preciso criar canais de escuta confiáveis, para que as pessoas não tenham medo de falar sobre os casos e ser retaliadas ou demitidas. O silêncio só favorece o agressor, e é responsabilidade da empresa promover um ambiente favorável à quebra desse ciclo”, conclui.

Além de Dani Calabresa, ao menos outras 12 pessoas acusam Melhem por assédios sexual e moral, segundo a publicação. A advogada Mayra Cotta, que representa seis vítimas, informa que ainda não existe nenhuma ação na Justiça apurando o caso, mas que ela assessora as vítimas para o caso disso vir a acontecer. Mayra explica que a Rede Globo não deu nenhuma devolutiva para as pessoas que acusam Melhem sobre um processo investigatório que a empresa abriu para apurar as denúncias, mas o humorista e a emissora romperam o contrato de trabalho em agosto. Em nota emitida pela empresa, não foi mencionada a palavra assédio.

Em sua conta no Instagram, Dani agradeceu o apoio que tem recebido e afirma que “nunca quis ser vista como uma mulher assediada”, que não procurou a imprensa, mas que pela sua saúde precisou se defender. “É impressionante a luta que uma mulher precisa travar pra provar que é vítima. Denunciem!!!”, escreve.

A Rede Globo informa que não comenta questões de compliance>, mas reafirma que todo relato de assédio, moral ou sexual, é apurado assim que a empresa toma conhecimento. “A Globo não tolera comportamentos abusivos em suas equipes e incentiva que qualquer abuso seja denunciado.” Em nota enviada à revista Piauí, Marcius Melhem afirma que é inocente, que está disposto a assumir os erros, mas que é preciso uma “conversa transparente, sem omissões, mentiras ou distorções das relações.” Em outra entrevista, afirmou que irá processar Dani Calabresa e a advogada. 



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Ações contra assédio têm que ser mais efetivas, afirma advogada

Acusações contra humorista da Globo reacendem debate sobre violências sexuais

Aline Melo
Diário do Grande ABC

05/12/2020 | 09:05


Reportagem publicada pela revista Piauí reacendeu o debate no País sobre os casos de assédios sexual e moral. A humorista Dani Calabresa, natural de São Bernardo, acusa, desde 2017, o também humorista Marcius Melhem por assédio sexual. A reportagem detalha não só as agressões sofridas, mas também todas as tentativas de Dani de levar o caso à direção da Rede Globo, emissora onde os dois trabalhavam à época, e sua frustração por não receber nenhuma devolutiva satisfatória.

Sócia fundadora da Gema Consultoria em Equidade, a advogada Isabela Del Monde destaca que as ações contra assédios sexual e moral devem ser efetivas por parte das empresas. “As pessoas não aceitam mais notas evasivas e demissões, que não eliminam o problema”, afirma.

A Gema foi criada durante a pandemia, em um contexto de aumento dos debates sobre violência sexual, de gênero, racista e por orientação sexual, explica Isabela. “Existem empresas que querem ter um olhar para esse assunto, são confrontadas, mas não sabem como se posicionar”, completa. A consultoria apoia empresas a terem a equidade no centro da organização. “Trabalhamos compliance (conformidade) cultural, com ações de igualdade de gênero, de raça, incentivo à diversidade”, completa.

A advogada pontua que a falta de dados sobre os casos é um dos grandes desafios para o enfrentamento a esse tipo de crime. Pesquisa realizada em 2019 pela consultoria de inovação social Think Eva mostrou que 47% das mulheres foram vítimas de assédio sexual no ambiente de trabalho. Negras representam a maior parcela das vítimas, 52%, e quando é analisada a renda, as que ganham entre dois e quatro salários mínimos são a maioria (30%).

Isabela afirma que os números indicam que não são casos isolados. “É uma situação estrutural e precisa de mudança de cultura. Respostas como ‘lamentamos o ocorrido’ ou a simples demissão de supostos agressores não bastam, porque não mudam a cultura da empresa”, completa.

Casos que envolvem grandes empresas e pessoas famosas, como o retratado pela Piauí, podem ser catalisadores de transformações mais profundas, avalia a advogada. “As mudanças estão batendo na porta das organizações porque o público já entendeu que determinados comportamentos, determinadas respostas, não são aceitáveis”, define. “É preciso criar canais de escuta confiáveis, para que as pessoas não tenham medo de falar sobre os casos e ser retaliadas ou demitidas. O silêncio só favorece o agressor, e é responsabilidade da empresa promover um ambiente favorável à quebra desse ciclo”, conclui.

Além de Dani Calabresa, ao menos outras 12 pessoas acusam Melhem por assédios sexual e moral, segundo a publicação. A advogada Mayra Cotta, que representa seis vítimas, informa que ainda não existe nenhuma ação na Justiça apurando o caso, mas que ela assessora as vítimas para o caso disso vir a acontecer. Mayra explica que a Rede Globo não deu nenhuma devolutiva para as pessoas que acusam Melhem sobre um processo investigatório que a empresa abriu para apurar as denúncias, mas o humorista e a emissora romperam o contrato de trabalho em agosto. Em nota emitida pela empresa, não foi mencionada a palavra assédio.

Em sua conta no Instagram, Dani agradeceu o apoio que tem recebido e afirma que “nunca quis ser vista como uma mulher assediada”, que não procurou a imprensa, mas que pela sua saúde precisou se defender. “É impressionante a luta que uma mulher precisa travar pra provar que é vítima. Denunciem!!!”, escreve.

A Rede Globo informa que não comenta questões de compliance>, mas reafirma que todo relato de assédio, moral ou sexual, é apurado assim que a empresa toma conhecimento. “A Globo não tolera comportamentos abusivos em suas equipes e incentiva que qualquer abuso seja denunciado.” Em nota enviada à revista Piauí, Marcius Melhem afirma que é inocente, que está disposto a assumir os erros, mas que é preciso uma “conversa transparente, sem omissões, mentiras ou distorções das relações.” Em outra entrevista, afirmou que irá processar Dani Calabresa e a advogada. 

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