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Polícia Civil da região tem deficit de 761 profissionais

Pixabay Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Grande ABC deveria ter 1.948 trabalhadores; especialista destaca prejuízos à população e aos próprios policiais


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

29/10/2020 | 00:01


As delegacias de Polícia Civil do Grande ABC têm deficit de 761 profissionais. O levantamento foi feito em agosto pelo Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo). Os dados apontam que entre delegados, escrivães, investigadores, agentes policiais e de telecomunicações, papiloscopistas e auxiliares de papiloscopistas, a região deveria ter 1.948 trabalhadores da Polícia Judiciária. No entanto, nas três seccionais existentes no Grande ABC, são apenas 1.187 funcionários – veja na arte ao lado.

A falta de profissionais é um problema antigo e vem se agravando ano a ano. No último levantamento, realizado em novembro do ano passado, o Grande ABC tinha 1.241 trabalhadores, isso significa que, em um intervalo de nove meses, o efetivo diminuiu 4,3%, com 54 trabalhadores a menos.
A presidente do Sindpesp, Raquel Kobashi Gallinati relatou, que em todo o Estado de São Paulo o deficit médio é de 34%. A defasagem no Grande ABC, de 39%, portanto, é superior à média estadual. “Além de sobrecarregar os policiais, que chegam a realizar a função que deveria ser feita por quatro pessoas, esse deficit compromete muito a qualidade do serviço de investigação e a segurança pública dos moradores da região”, afirmou.

Para a presidente, o deficit de profissionais da Polícia Civil é um dos problemas que formam o cenário agonizante da corporação no Estado de São Paulo. “Hoje trabalhamos com equipamentos obsoletos, viaturas sem manutenção e delegacias em péssimo estado de conservação”, listou. “Tudo isso somado ao fato de a Polícia Civil de São Paulo receber o pior salário do País. A situação só não é pior pela dedicação dos policiais, que se desdobram para oferecer uma segurança pública de qualidade”, concluiu.

Consultora em segurança, Regina Jasinowodolinski afirmou que a situação não é exclusiva do Grande ABC ou do Estado de São Paulo, mas, sim, uma realidade nacional. “Há propensão maior em colocar o policiamento ostensivo nas ruas em detrimento da Polícia Judiciária”, explicou. “Isso acarreta prejuízo nas investigações, os plantões são alterados, a primeira hora do crime, que a gente chama a hora de ouro, é prejudicada e temos uma sensação maior de impotência junto à criminalidade”, completou.

Regina lembra que, com poucos profissionais nas delegacias, o atendimento é mais demorado e a população acaba não registrando casos de menor gravidade, que não entram nas estatísticas e prejudicam o planejamento de segurança como um todo. “Os policiais se veem diante de uma verdadeira escolha de Sofia (expressão que indica pressão de se tomar decisão difícil e de sacrifício pessoal, como a vista no filme homônimo de 1982 que valeu a Meryl Streep o Oscar de melhor atriz), tendo que escolher a quais casos vão se dedicar”, pontuou Regina. “Falta a decisão política de melhorar a investigação, porque isso também desestimula o policial militar, que está na sua função, se arriscando, mas que não vê a investigação do crime que ele flagrou ou inibiu avançar”, concluiu.

Em nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) informou que investe na valorização, ampliação e recomposição do efetivo policial em todo o Estado. Que a atual gestão reajustou em 5% o piso salarial dos policiais, equiparou o auxílio-alimentação dos agentes, além de ter ampliado a bonificação por resultados, que passa a ser bimestral. “O governo de São Paulo também autorizou a abertura de mais 2.750 vagas para concursos da Polícia Civil, sendo 250 delegados, 900 investigadores e 1.600 escrivães. Em razão do decreto 64.937, de 13 de abril de 2020, novas contratações estão temporariamente suspensas, a fim de que os recursos sejam destinados ao combate ao coronavírus”, completou o comunicado.

Delegado de Diadema questiona números

O delegado seccional de Diadema, Guerdson Ferreira, questionou os números apresentados pelo Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo). A cidade é a que apresenta o maior deficit, segundo o levantamento.

“Quem determina o que é ideal?”, questionou o delegado. Segundo o sindicato, os números se baseiam em resolução da SSP (Secretaria da Segurança Pública), que determina quantos policiais devem atuar em cada delegacia. De acordo com o levantamento, deveria haver na cidade 359 profissionais nas delegacias, mas existem apenas 202, deficit de 43,7%.

À frente da seccional desde janeiro de 2019, Ferreira afirmou que mais importante do que o número de funcionários é a qualidade dos profissionais. “Claro que ter vários funcionários é bom, mas aqui em Diadema temos atendido a população com os profissionais que estão atuando. Além do mais, entre setembro e outubro todas as seccionais da região receberam novos policiais, o que já ajudou”, completou.

O delegado lembrou que a seccional de Diadema é mais nova do que as de Santo André (que responde pelos municípios de Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra) e de São Bernardo (que também cobre São Caetano) e foi criada na década de 1990, quando a cidade ostentava o título de a mais violenta do Brasil. “Na ocasião, se estabelece o número de funcionários, distritos e outros critérios. Esse número de funcionários necessários varia com o tempo, temos critérios adotados internacionalmente por número de funcionários por habitantes, mas isso incluiria outras forças de segurança”, considerou. Para Ferreira, a instituição da delegacia eletrônica, aumentando a possibilidade de registros de ocorrências de maneira on-line, também atenua eventual deficit de funcionários.

O delegado seccional de São Bernardo, Ronaldo Tossunian, concorda que há defasagem no número de funcionários, mas destaca que o quadro foi reforçado. “Não tenho esses números exatos, mas a Polícia Civil tem grande defasagem em todo o Estado. Recebemos, recentemente, escrivães de polícia e agentes policiais e até o fim do ano receberemos delegados de polícia, todos provenientes dos últimos concursos públicos aprovados pelo atual governo e realizados este ano, mesmo na pandemia. Em em que pese todo esse esforço estamos longe ainda de repor todo o nosso deficit”, comentou.

O delegado seccional de Santo André, Francisco José Alves Cardoso, preferiu não comentar os números.



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Polícia Civil da região tem deficit de 761 profissionais

Grande ABC deveria ter 1.948 trabalhadores; especialista destaca prejuízos à população e aos próprios policiais

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

29/10/2020 | 00:01


As delegacias de Polícia Civil do Grande ABC têm deficit de 761 profissionais. O levantamento foi feito em agosto pelo Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo). Os dados apontam que entre delegados, escrivães, investigadores, agentes policiais e de telecomunicações, papiloscopistas e auxiliares de papiloscopistas, a região deveria ter 1.948 trabalhadores da Polícia Judiciária. No entanto, nas três seccionais existentes no Grande ABC, são apenas 1.187 funcionários – veja na arte ao lado.

A falta de profissionais é um problema antigo e vem se agravando ano a ano. No último levantamento, realizado em novembro do ano passado, o Grande ABC tinha 1.241 trabalhadores, isso significa que, em um intervalo de nove meses, o efetivo diminuiu 4,3%, com 54 trabalhadores a menos.
A presidente do Sindpesp, Raquel Kobashi Gallinati relatou, que em todo o Estado de São Paulo o deficit médio é de 34%. A defasagem no Grande ABC, de 39%, portanto, é superior à média estadual. “Além de sobrecarregar os policiais, que chegam a realizar a função que deveria ser feita por quatro pessoas, esse deficit compromete muito a qualidade do serviço de investigação e a segurança pública dos moradores da região”, afirmou.

Para a presidente, o deficit de profissionais da Polícia Civil é um dos problemas que formam o cenário agonizante da corporação no Estado de São Paulo. “Hoje trabalhamos com equipamentos obsoletos, viaturas sem manutenção e delegacias em péssimo estado de conservação”, listou. “Tudo isso somado ao fato de a Polícia Civil de São Paulo receber o pior salário do País. A situação só não é pior pela dedicação dos policiais, que se desdobram para oferecer uma segurança pública de qualidade”, concluiu.

Consultora em segurança, Regina Jasinowodolinski afirmou que a situação não é exclusiva do Grande ABC ou do Estado de São Paulo, mas, sim, uma realidade nacional. “Há propensão maior em colocar o policiamento ostensivo nas ruas em detrimento da Polícia Judiciária”, explicou. “Isso acarreta prejuízo nas investigações, os plantões são alterados, a primeira hora do crime, que a gente chama a hora de ouro, é prejudicada e temos uma sensação maior de impotência junto à criminalidade”, completou.

Regina lembra que, com poucos profissionais nas delegacias, o atendimento é mais demorado e a população acaba não registrando casos de menor gravidade, que não entram nas estatísticas e prejudicam o planejamento de segurança como um todo. “Os policiais se veem diante de uma verdadeira escolha de Sofia (expressão que indica pressão de se tomar decisão difícil e de sacrifício pessoal, como a vista no filme homônimo de 1982 que valeu a Meryl Streep o Oscar de melhor atriz), tendo que escolher a quais casos vão se dedicar”, pontuou Regina. “Falta a decisão política de melhorar a investigação, porque isso também desestimula o policial militar, que está na sua função, se arriscando, mas que não vê a investigação do crime que ele flagrou ou inibiu avançar”, concluiu.

Em nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) informou que investe na valorização, ampliação e recomposição do efetivo policial em todo o Estado. Que a atual gestão reajustou em 5% o piso salarial dos policiais, equiparou o auxílio-alimentação dos agentes, além de ter ampliado a bonificação por resultados, que passa a ser bimestral. “O governo de São Paulo também autorizou a abertura de mais 2.750 vagas para concursos da Polícia Civil, sendo 250 delegados, 900 investigadores e 1.600 escrivães. Em razão do decreto 64.937, de 13 de abril de 2020, novas contratações estão temporariamente suspensas, a fim de que os recursos sejam destinados ao combate ao coronavírus”, completou o comunicado.

Delegado de Diadema questiona números

O delegado seccional de Diadema, Guerdson Ferreira, questionou os números apresentados pelo Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo). A cidade é a que apresenta o maior deficit, segundo o levantamento.

“Quem determina o que é ideal?”, questionou o delegado. Segundo o sindicato, os números se baseiam em resolução da SSP (Secretaria da Segurança Pública), que determina quantos policiais devem atuar em cada delegacia. De acordo com o levantamento, deveria haver na cidade 359 profissionais nas delegacias, mas existem apenas 202, deficit de 43,7%.

À frente da seccional desde janeiro de 2019, Ferreira afirmou que mais importante do que o número de funcionários é a qualidade dos profissionais. “Claro que ter vários funcionários é bom, mas aqui em Diadema temos atendido a população com os profissionais que estão atuando. Além do mais, entre setembro e outubro todas as seccionais da região receberam novos policiais, o que já ajudou”, completou.

O delegado lembrou que a seccional de Diadema é mais nova do que as de Santo André (que responde pelos municípios de Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra) e de São Bernardo (que também cobre São Caetano) e foi criada na década de 1990, quando a cidade ostentava o título de a mais violenta do Brasil. “Na ocasião, se estabelece o número de funcionários, distritos e outros critérios. Esse número de funcionários necessários varia com o tempo, temos critérios adotados internacionalmente por número de funcionários por habitantes, mas isso incluiria outras forças de segurança”, considerou. Para Ferreira, a instituição da delegacia eletrônica, aumentando a possibilidade de registros de ocorrências de maneira on-line, também atenua eventual deficit de funcionários.

O delegado seccional de São Bernardo, Ronaldo Tossunian, concorda que há defasagem no número de funcionários, mas destaca que o quadro foi reforçado. “Não tenho esses números exatos, mas a Polícia Civil tem grande defasagem em todo o Estado. Recebemos, recentemente, escrivães de polícia e agentes policiais e até o fim do ano receberemos delegados de polícia, todos provenientes dos últimos concursos públicos aprovados pelo atual governo e realizados este ano, mesmo na pandemia. Em em que pese todo esse esforço estamos longe ainda de repor todo o nosso deficit”, comentou.

O delegado seccional de Santo André, Francisco José Alves Cardoso, preferiu não comentar os números.

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