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Locadora resiste ao tempo e mantém porta aberta

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Comerciante supera mercado pirata, serviço de locação pela internet, se reinventa e conquista público fiel em Sto.André


Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

20/09/2020 | 07:00


Entrar em uma videolocadora, perguntar no balcão pelas novidades, desbravar as prateleiras com inúmeros títulos e, para os mais curiosos, aproveitar para pincelar algo mais antigo, quem sabe um clássico. O Brasil passou a viver isso a partir dos anos 1980, com a explosão dos videocassetes, mais tarde trocados por aparelhos de DVD e também pelos de blu-ray. Hoje, bastam alguns cliques no celular para escolher, por meio das plataformas de streaming, alguma obra oferecida no catálogo das plataformas para animar o fim de semana. Mas há uma locadora, no entanto, que resiste ao tempo e também às facilidades oferecidas pelo mundo moderno: a Barber Shop Point Vídeo.

Localizada em Santo André, no número 1.283 da Rua Carijós, na Vila Alzira, está de portas abertas desde 2005 e nasceu da paixão de seu proprietário, Alexandre Salata, 38 anos, pelo universo cinematográfico. “Cinema sempre foi o programa predileto da minha família. Quis unir prazer com trabalho, mas nem sempre é fácil”, diz.

O comerciante se lembra que o primeiro filme que comprou para sua locadora foi Alexandre, produção de 2005 com direção de Oliver Stone e estrelado por Colin Farrell e Angelina Jolie. À época, a locadora tinha 380 títulos. “Comecei com duas prateleiras de um lado e três do outro”, lembra Salata. Hoje o espaço soma acervo com cerca de 5.000 títulos de todos os gêneros.

Em três anos de funcionamento, o local tinha 5.000 clientes. “Foi o auge”, recorda. Atualmente a locadora conta com cerca de 150 clientes assíduos. “A gente gosta de falar dos filmes. Quando o cliente volta, quero que me fale da experiência que teve com aquela obra que viu. Falamos do diretor, sobre o filme. A locadora é legal por isso também”, conta. “Não é um lugar só para alugar e ir embora”.

Passados 15 anos da inauguração, Salata teve de lidar com momentos complicados. Um deles, em 2008, quando houve a explosão dos camelôs vendendo filmes pirateados. “Pagava caro em cópia oficial e as piratas eram vendidas por preços baratos. Pensei em fechar”, revela.

A chegada dos serviços de streaming às casas, no início dos anos 2010, também atrapalhou seu negócio, mas não tanto quanto a pirataria. “Isso é legalizado. Mas o País está cheio de problemas econômicos e as pessoas acabam usando pelo serviço que já tem. O que percebi é que as pessoas não têm noção dos lançamentos como tinham antes. Ficam presas ao que está no seu streaming”, avalia.

Mas as dificuldades fizeram Salata se reinventar. Em 2009, com queda no aluguel de filmes, investiu em games. Comprou jogos e aumentou as possibilidades. “Vendemos jogos e consoles, além de fazer consertos”, conta. Além disso, desde o ano passado, a locadora ganhou uma barbearia. “Tinha um cliente (Maurici Ogeda) que virou amigo e fez uma proposta. Aceitei e ele abriu um salão aqui. Pessoal vem, corta o cabelo, dá uma olhada nos filmes, aluga um jogo para o filho”, explica Salata, que conta com a ajuda do filho, Guilherme, 14. “Temos sempre que tentar trazer coisas diferentes e clientes novos”, explica.

Este ano veio a pandemia da Covid-19. E mais uma vez o local se reinventou. “Não parei de trabalhar. Fechei a porta e fiz delivery de filmes e jogos”, diz.

Claro que o local não vive mais seus tempos áureos, com fila de espera para alugar um filme que acabou de chegar. Mas Salata diz que a locadora nunca lhe deixou faltar nada. “Tenho cliente semanal. É público específico, com mais de 30 anos. São pessoas que querem ver a locadora aberta. Tanto que nunca mais tive problemas com descuido dos DVDs. Eles manuseiam com cuidado”, explica.

Os aluguéis de filmes recém-lançados custam R$ 6 e é possível ficar com o título por até três dias. Mas se o cliente levar três obras, o prazo é de uma semana para devolução. Um filme novo, como O Chamado da Floresta, lançado em fevereiro de 2020, se alugado no streaming, custa em torno de R$ 14,90. Filmes antigos custam R$ 4,50 o aluguel. Um exemplo é o clássico Gremlins (1984). Se alugado de forma digital custará, em média, R$ 7,90. No caso dos games os valores vão de R$ 8 a R$ 20.

E para que sempre tenha novidade para quem vai até a locadora, todo mês chegam, pelo menos, dez títulos novos. Há também, para quem gosta de mergulhar ainda mais no vasto universo do cinema, obras argentinas, coreanas, alemãs e francesas. “Temos também clássicos que não se encontram com facilidade por aí”, finaliza o resiliente comerciante. 



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Locadora resiste ao tempo e mantém porta aberta

Comerciante supera mercado pirata, serviço de locação pela internet, se reinventa e conquista público fiel em Sto.André

Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

20/09/2020 | 07:00


Entrar em uma videolocadora, perguntar no balcão pelas novidades, desbravar as prateleiras com inúmeros títulos e, para os mais curiosos, aproveitar para pincelar algo mais antigo, quem sabe um clássico. O Brasil passou a viver isso a partir dos anos 1980, com a explosão dos videocassetes, mais tarde trocados por aparelhos de DVD e também pelos de blu-ray. Hoje, bastam alguns cliques no celular para escolher, por meio das plataformas de streaming, alguma obra oferecida no catálogo das plataformas para animar o fim de semana. Mas há uma locadora, no entanto, que resiste ao tempo e também às facilidades oferecidas pelo mundo moderno: a Barber Shop Point Vídeo.

Localizada em Santo André, no número 1.283 da Rua Carijós, na Vila Alzira, está de portas abertas desde 2005 e nasceu da paixão de seu proprietário, Alexandre Salata, 38 anos, pelo universo cinematográfico. “Cinema sempre foi o programa predileto da minha família. Quis unir prazer com trabalho, mas nem sempre é fácil”, diz.

O comerciante se lembra que o primeiro filme que comprou para sua locadora foi Alexandre, produção de 2005 com direção de Oliver Stone e estrelado por Colin Farrell e Angelina Jolie. À época, a locadora tinha 380 títulos. “Comecei com duas prateleiras de um lado e três do outro”, lembra Salata. Hoje o espaço soma acervo com cerca de 5.000 títulos de todos os gêneros.

Em três anos de funcionamento, o local tinha 5.000 clientes. “Foi o auge”, recorda. Atualmente a locadora conta com cerca de 150 clientes assíduos. “A gente gosta de falar dos filmes. Quando o cliente volta, quero que me fale da experiência que teve com aquela obra que viu. Falamos do diretor, sobre o filme. A locadora é legal por isso também”, conta. “Não é um lugar só para alugar e ir embora”.

Passados 15 anos da inauguração, Salata teve de lidar com momentos complicados. Um deles, em 2008, quando houve a explosão dos camelôs vendendo filmes pirateados. “Pagava caro em cópia oficial e as piratas eram vendidas por preços baratos. Pensei em fechar”, revela.

A chegada dos serviços de streaming às casas, no início dos anos 2010, também atrapalhou seu negócio, mas não tanto quanto a pirataria. “Isso é legalizado. Mas o País está cheio de problemas econômicos e as pessoas acabam usando pelo serviço que já tem. O que percebi é que as pessoas não têm noção dos lançamentos como tinham antes. Ficam presas ao que está no seu streaming”, avalia.

Mas as dificuldades fizeram Salata se reinventar. Em 2009, com queda no aluguel de filmes, investiu em games. Comprou jogos e aumentou as possibilidades. “Vendemos jogos e consoles, além de fazer consertos”, conta. Além disso, desde o ano passado, a locadora ganhou uma barbearia. “Tinha um cliente (Maurici Ogeda) que virou amigo e fez uma proposta. Aceitei e ele abriu um salão aqui. Pessoal vem, corta o cabelo, dá uma olhada nos filmes, aluga um jogo para o filho”, explica Salata, que conta com a ajuda do filho, Guilherme, 14. “Temos sempre que tentar trazer coisas diferentes e clientes novos”, explica.

Este ano veio a pandemia da Covid-19. E mais uma vez o local se reinventou. “Não parei de trabalhar. Fechei a porta e fiz delivery de filmes e jogos”, diz.

Claro que o local não vive mais seus tempos áureos, com fila de espera para alugar um filme que acabou de chegar. Mas Salata diz que a locadora nunca lhe deixou faltar nada. “Tenho cliente semanal. É público específico, com mais de 30 anos. São pessoas que querem ver a locadora aberta. Tanto que nunca mais tive problemas com descuido dos DVDs. Eles manuseiam com cuidado”, explica.

Os aluguéis de filmes recém-lançados custam R$ 6 e é possível ficar com o título por até três dias. Mas se o cliente levar três obras, o prazo é de uma semana para devolução. Um filme novo, como O Chamado da Floresta, lançado em fevereiro de 2020, se alugado no streaming, custa em torno de R$ 14,90. Filmes antigos custam R$ 4,50 o aluguel. Um exemplo é o clássico Gremlins (1984). Se alugado de forma digital custará, em média, R$ 7,90. No caso dos games os valores vão de R$ 8 a R$ 20.

E para que sempre tenha novidade para quem vai até a locadora, todo mês chegam, pelo menos, dez títulos novos. Há também, para quem gosta de mergulhar ainda mais no vasto universo do cinema, obras argentinas, coreanas, alemãs e francesas. “Temos também clássicos que não se encontram com facilidade por aí”, finaliza o resiliente comerciante. 

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