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A vitamina D em suas indagações


Antônio Carlos do Nascimento

14/09/2020 | 00:01


Desde meados da primeira década dos anos 2000 a vitamina D passou a ocupar lugar de destaque na seara médica, posto de singular distinção que não foi conquistado sem argumentos. 

Seu papel no metabolismo ósseo já era bastante conhecido e reposições metódicas desta vitamina em idosos, como parte da rotina geriátrica, se dava pela compreensão de suas ações. Baixos níveis de vitamina D se relacionam com maior ocorrência de osteoporose e consequente aumento na frequência de fraturas, esta vinculação decorre de sua crucial importância na captação intestinal de cálcio e fósforo, assim como na deposição destes minerais no arcabouço ósseo. 

Porém, o conhecimento de que a vitamina D possui receptores na maior parte de nossas células e não somente nos tecidos ósseos ampliou o horizonte investigativo de suas ações. Então, buscar a conexão de sua concentração sanguínea com doenças de toda a sorte passou a ser o objetivo de grande número de cientistas. Era preciso, contudo, estabelecer os níveis da normalidade, os quais foram inicialmente balizados em 30 ng/ml como limite inferior e após criteriosas revisões, a referência mínima ficou estabelecida em 20 ng/ml para a população geral. 

Várias pesquisas associaram baixos níveis de vitamina D com câncer de próstata, diabetes, doenças cardiovasculares, esclerose múltipla, doenças autoimunes, depressão e esquizofrenia, para anotar as mais aclamadas investigações. Por outro lado, na maior parte dos estudos, sua reposição farmacológica sistemática não tem se provado protetora.

Um dos maiores entusiastas pela vitamina D, no mundo científico, é o endocrinologista Michael Holick, da Universidade de Boston, com vários de seus textos idolatrando sua suplementação regular em variadas apresentações, enquanto muitos de seus artigos acadêmicos chancelam sua opinião pessoal. Holick foi quem alertou sobre a Pandemia da Hipovitaminose D e parece mesmo ter sido o mais importante influenciador para a avalanche mundial de solicitações de exames e prescrições desta vitamina.

Porém, o resultado de uma investigação solicitada pelo The New York Times colocou a credibilidade de Holick em xeque, pois, a confirmação de que recebia patrocínio monetário de várias empresas farmacêuticas, as quais possuem a vitamina D em suas linhas de produção, ou, produzem os testes de quantificação para a mesma, colocou à prova sua imparcialidade. Foi um verdadeiro alvoroço midiático o qual, provavelmente, balançou os alicerces profissionais do conceituado médico.

Muito embora não seja raro que pesquisadores recebam incentivos financeiros de farmacêuticas, algumas regras precisam ser observadas, incluindo o reconhecimento público destes financiamentos e Holick provavelmente os ocultou. 

A principal fonte de vitamina D é nosso tecido cutâneo, sendo necessário sua ativação pela radiação solar ultravioleta B, enquanto apenas 10 por cento é obtido pelos alimentos. Entretanto, não podemos perder de vista que o contexto urbano afasta enorme contingente humano da exposição solar, com grande prejuízo na ativação do aclamado composto em nossas peles. Entre tantas sugestivas interações não se deve perder o interesse na confirmação ou eliminação da importância da vitamina D em vários processos patológicos e é muito provável que existam benefícios para seu uso além da prevenção de osteoporose. 

Se Holick faltou com a verdade, além do que o fez com a ética, restará como dúvida, mas, investigar periodicamente os níveis de vitamina D é boa prática e sua deficiência deve ser corrigida, seja com maior exposição aos raios ultravioleta e consumo de alimentos ricos nesta substância, ou, eventualmente, administrando suas cápsulas.



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