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Dengue pode agravar caso de Covid

Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Mesmo na pandemia, cuidados com outras doenças devem ser mantidos; sintomas podem ser confundidos


Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

10/07/2020 | 00:01


Ainda que neste momento as atenções estejam direcionadas à Covid-19, outras doenças, como a dengue, não podem ser deixadas de lado. Inclusive, portar a enfermidade, mesmo que seja menos letal, pode agravar o quadro de saúde caso a pessoa seja infectada pelo novo coronavírus. Neste ano, o Grande ABC registra, ao menos, 243 casos, enquanto 2019 encerrou com 1.758 ocorrências, 22 vezes mais do que em 2018. Os números foram levantados pelo Diário com as prefeituras.

Adriana de Brito, gestora do curso de biomedicina da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), explicou que são quatro tipos de dengue, dentre eles a hemorrágica, que também pode ser desenvolvida quando a pessoa contrai a doença pela segunda vez. “Já a Covid é uma doença sistêmica com aspectos hematológicos e, embora ainda não se saiba o efeito de uma na outra, é fato que a dengue hemorrágica diminui o número de plaquetas e (a atuação de) o coronavírus causa problemas de coagulação, podendo diminuir ainda mais o número de plaquetas no sangue.”

Segundo a especialista, outro problema é que a enfermidade cujo vetor é o mosquito Aedes Aegypti causa resposta exacerbada do sistema imunológico, gerando um descontrole fisiopatológico, ou seja, desequilíbrio de órgãos e aparelhos do corpo humano. Somada à chamada ‘tempestade de citocina’, espécie de reação hiperinflamatória causada pelo coronavírus, a combinação das enfermidades pode agravar o quadro do paciente.
Paulo Rezende, infectologista do Hospital Santa Ana, de São Caetano, destacou que o fato de a pessoa estar doente tende a diminuir a imunidade. Portanto, a resistência a outras enfermidades, incluindo a Covid, fica comprometida (leia mais abaixo). Uma vez que a doença pode ser agressiva por si só, apenas vacina dará a devida segurança à população.

A docente da USCS lembrou que a dengue não é infectocontagiosa, ou seja, não é transmitida entre os seres humanos. Assim, o principal cuidado é frear a reprodução do mosquito vetor. Para isso, é essencial cuidar para não deixar água parada e manter ambientes, como quintal e calçadas, limpos. “É importante as pessoas se cuidarem porque (a dengue) pode ser confundida com o coronavírus, pois alguns sintomas, como febre e dor muscular, são parecidos com os da Covid, podendo gerar medo e pânico no paciente e nos familiares”, adicionou Adriana.

Vale lembrar que o Aedes Aegypti também transmite os vírus da zika, da febre amarela urbana e da chikungunya. Além destas doenças causarem problemas à pessoa contaminada, a zika está ligada ao desenvolvimento de microcefalia quando a paciente infectada está grávida.

Mesmo com a pandemia, as prefeituras da região garantiram que mantêm as ações de combate à dengue por meio de conscientização da população e fiscalização de possíveis criadouros do mosquito, principalmente mediante denúncia, mantendo os protocolos de distanciamento. Contudo, as administrações destacaram que, em razão da quarentena, a ocorrência da doença diminui, já que os moradores estão dando mais atenção aos cuidados com a própria casa.  

Outras condições também exigem atenção

 Especialistas alertam para outras doenças que estão avançando. Exemplo é o sarampo, cujo País perdeu o certificado de erradicação concedido pela Opas (Organização Pan-Americana de Saúde) em março de 2019, ano em que a região registrou 1.285 casos da doença. Neste ano, até o momento, são pelo menos 40 infectados. 

Adriana de Brito, gestora do curso de biomedicina da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), lembra que, mesmo durante a pandemia do coronavírus, os pais não devem deixar de levar as crianças para tomar a primeira dose e os reforços da vacina – dose zero em bebês de 6 meses a 1 ano incompleto, primeira dose ao completar 1 ano e a segunda dose aos 15 meses. Ao contrário da dengue, a enfermidade é infectocontagiosa e uma pessoa contaminada pode infectar até 18 indivíduos.

Paulo Rezende, infectologista do Hospital Santa Ana, de São Caetano, chama atenção para doenças endêmicas, que são aquelas sazonais, como a H1N1, que pode ser combatida com a vacina da gripe. “É preciso seguir o calendário de vacinação, já que ele é gratuito e um dos mais completos do mundo. Os pais devem continuar fazendo a profilaxia das crianças para doenças como hepatite e tuberculose”, reforçou.

O infectologista destacou que pacientes com doenças crônicas, como hipertensão, diabete e problemas cardíacos precisam ficar atentos, já que fazem parte do grupo de risco, junto com os idosos, da Covid-19. 

 Vale lembrar que pesquisa da APM (Associação Paulista de Medicina), divulgada na terça-feira, apontou que 59% dos médicos já notaram agravo de outras doenças, como infarto, câncer e descompensação de doenças crônicas, pois as pessoas deixam de ir aos hospitais e consultórios por medo da pandemia. 



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Dengue pode agravar caso de Covid

Mesmo na pandemia, cuidados com outras doenças devem ser mantidos; sintomas podem ser confundidos

Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

10/07/2020 | 00:01


Ainda que neste momento as atenções estejam direcionadas à Covid-19, outras doenças, como a dengue, não podem ser deixadas de lado. Inclusive, portar a enfermidade, mesmo que seja menos letal, pode agravar o quadro de saúde caso a pessoa seja infectada pelo novo coronavírus. Neste ano, o Grande ABC registra, ao menos, 243 casos, enquanto 2019 encerrou com 1.758 ocorrências, 22 vezes mais do que em 2018. Os números foram levantados pelo Diário com as prefeituras.

Adriana de Brito, gestora do curso de biomedicina da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), explicou que são quatro tipos de dengue, dentre eles a hemorrágica, que também pode ser desenvolvida quando a pessoa contrai a doença pela segunda vez. “Já a Covid é uma doença sistêmica com aspectos hematológicos e, embora ainda não se saiba o efeito de uma na outra, é fato que a dengue hemorrágica diminui o número de plaquetas e (a atuação de) o coronavírus causa problemas de coagulação, podendo diminuir ainda mais o número de plaquetas no sangue.”

Segundo a especialista, outro problema é que a enfermidade cujo vetor é o mosquito Aedes Aegypti causa resposta exacerbada do sistema imunológico, gerando um descontrole fisiopatológico, ou seja, desequilíbrio de órgãos e aparelhos do corpo humano. Somada à chamada ‘tempestade de citocina’, espécie de reação hiperinflamatória causada pelo coronavírus, a combinação das enfermidades pode agravar o quadro do paciente.
Paulo Rezende, infectologista do Hospital Santa Ana, de São Caetano, destacou que o fato de a pessoa estar doente tende a diminuir a imunidade. Portanto, a resistência a outras enfermidades, incluindo a Covid, fica comprometida (leia mais abaixo). Uma vez que a doença pode ser agressiva por si só, apenas vacina dará a devida segurança à população.

A docente da USCS lembrou que a dengue não é infectocontagiosa, ou seja, não é transmitida entre os seres humanos. Assim, o principal cuidado é frear a reprodução do mosquito vetor. Para isso, é essencial cuidar para não deixar água parada e manter ambientes, como quintal e calçadas, limpos. “É importante as pessoas se cuidarem porque (a dengue) pode ser confundida com o coronavírus, pois alguns sintomas, como febre e dor muscular, são parecidos com os da Covid, podendo gerar medo e pânico no paciente e nos familiares”, adicionou Adriana.

Vale lembrar que o Aedes Aegypti também transmite os vírus da zika, da febre amarela urbana e da chikungunya. Além destas doenças causarem problemas à pessoa contaminada, a zika está ligada ao desenvolvimento de microcefalia quando a paciente infectada está grávida.

Mesmo com a pandemia, as prefeituras da região garantiram que mantêm as ações de combate à dengue por meio de conscientização da população e fiscalização de possíveis criadouros do mosquito, principalmente mediante denúncia, mantendo os protocolos de distanciamento. Contudo, as administrações destacaram que, em razão da quarentena, a ocorrência da doença diminui, já que os moradores estão dando mais atenção aos cuidados com a própria casa.  

Outras condições também exigem atenção

 Especialistas alertam para outras doenças que estão avançando. Exemplo é o sarampo, cujo País perdeu o certificado de erradicação concedido pela Opas (Organização Pan-Americana de Saúde) em março de 2019, ano em que a região registrou 1.285 casos da doença. Neste ano, até o momento, são pelo menos 40 infectados. 

Adriana de Brito, gestora do curso de biomedicina da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), lembra que, mesmo durante a pandemia do coronavírus, os pais não devem deixar de levar as crianças para tomar a primeira dose e os reforços da vacina – dose zero em bebês de 6 meses a 1 ano incompleto, primeira dose ao completar 1 ano e a segunda dose aos 15 meses. Ao contrário da dengue, a enfermidade é infectocontagiosa e uma pessoa contaminada pode infectar até 18 indivíduos.

Paulo Rezende, infectologista do Hospital Santa Ana, de São Caetano, chama atenção para doenças endêmicas, que são aquelas sazonais, como a H1N1, que pode ser combatida com a vacina da gripe. “É preciso seguir o calendário de vacinação, já que ele é gratuito e um dos mais completos do mundo. Os pais devem continuar fazendo a profilaxia das crianças para doenças como hepatite e tuberculose”, reforçou.

O infectologista destacou que pacientes com doenças crônicas, como hipertensão, diabete e problemas cardíacos precisam ficar atentos, já que fazem parte do grupo de risco, junto com os idosos, da Covid-19. 

 Vale lembrar que pesquisa da APM (Associação Paulista de Medicina), divulgada na terça-feira, apontou que 59% dos médicos já notaram agravo de outras doenças, como infarto, câncer e descompensação de doenças crônicas, pois as pessoas deixam de ir aos hospitais e consultórios por medo da pandemia. 

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