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Pandemia derruba em 50% renda de morador de favelas

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Pesquisa realizada no fim de junho aponta que apenas 4% não sentiram reflexos financeiros causados pela crise


Yasmin Assagra
Do Diário do Grande ABC

03/07/2020 | 00:01


Pesquisa realizada com moradores de comunidades em todo o Brasil revela dado preocupante. A crise sanitária instaurada pelo novo coronavírus fez com que 80% das pessoas tivessem que encarar o período com menos da metade do que recebiam. Os dados são do levantamento Pandemia na Favela – A Realidade de 14 Milhões de Favelados no Combate ao Novo Coronavírus, produzido pelo Data Favela, em parceria com o Instituto Locomotiva, da Cufa (Central Única das Favelas) e da Favela Holding. No total, foram ouvidas 3.321 pessoas de comunidades em todos os Estados brasileiros, no fim de junho.

No total, estima-se que 13,6 milhões de pessoas moram em comunidades, sendo que 1,2 milhão (89%) está em capitais ou regiões metropolitanas. Além de 80% dizerem que perderam mais da metade da renda que tinham antes, apenas 4% garantiram que não tiveram prejuízos financeiros desde o início da pandemia. Ainda segundo a pesquisa, 52% dos moradores acreditam que a crise ainda está no meio do caminho e a preocupação com a saúde e desemprego é unanimidade. 

Esses são os principais receios de Rose Silva Cascais, 44 anos, desempregada desde abril. Ela mora na favela dos Ciganos, em Utinga, Santo André, e trabalhava em condomínio, no setor de limpeza. Na comunidade há 18 anos, mora com o marido, os três filhos, o genro e três netos. Todos sobrevivem apenas com a renda do marido, que trabalha em marmoraria e enfrenta redução de salário e carga horária.

“Podemos dizer que todos nós perdemos nossos empregos logo no início da quarentena, pois fomos mandados embora entre março e abril. Infelizmente, estamos vivendo um dia de cada vez, pois sobrevivemos com muito menos que a metade, o que não dá para quase nada”, lamenta Rose. 

Outro aspecto relevante levantado pela pesquisa é o fato de que quase sete em cada dez famílias pediram o auxílio emergencial oferecido pelo governo federal – 41% ainda não conseguiram receber o benefício. Outros 62% que receberam o auxílio emergencial usaram o benefício para ajudar familiares e amigos. “O (benefício) de todos nós aqui em casa ainda está em análise. Meus pais, inclusive, não são aposentados e vivem trabalhando por fora, com certeza, se eu estivesse recebendo o auxílio, eu poderia ajudá-los, assim como ter um fôlego nas contas de casa”, comenta Rose. 

O fundador do Data Favela, Celso Athayde, reforça a importância das políticas públicas nas comunidades e acredita que as ações não devem parar. “Esta pesquisa deixa claro que a pandemia impactou da pior forma na favela. Precisamos de política pública nestes territórios, porque o estudo também comprova que senso de solidariedade, coletividade e organização a favela tem de sobra”, ressalta. 

A pesquisa ainda aponta que, mesmo com poucas condições, 63% dos moradores fizeram algum tipo de doação na pandemia. Como exemplo, a cabeleireira e presidente do Instituto Lar da Dona Cláudia, Rakyllayne Rios, 38, moradora do Jardim do Estádio, também em Santo André, separa todo mês o auxílio emergencial para ajudar pessoas em vulnerabilidade. “Atendia em domicílio e com a pandemia minha renda caiu em 50%. Hoje, para conseguir R$ 200, tive que praticamente esperar esses três meses de quarentena, então afetou demais. Além das minhas contas, coordeno república com seis pessoas em situação de vulnerabilidade. Por meio de parcerias e amigos, consigo trazer alimento para dentro e continuar com minhas doações externas também”, declara Rakyllayne, que ajudou quatro comunidades andreenses com a distribuição de 200 cestas básicas e <CF51>kits</CF> de higiene pessoal. “Uma mão lava a outra e seguimos ajudando quem precisa”, finaliza.



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Pandemia derruba em 50% renda de morador de favelas

Pesquisa realizada no fim de junho aponta que apenas 4% não sentiram reflexos financeiros causados pela crise

Yasmin Assagra
Do Diário do Grande ABC

03/07/2020 | 00:01


Pesquisa realizada com moradores de comunidades em todo o Brasil revela dado preocupante. A crise sanitária instaurada pelo novo coronavírus fez com que 80% das pessoas tivessem que encarar o período com menos da metade do que recebiam. Os dados são do levantamento Pandemia na Favela – A Realidade de 14 Milhões de Favelados no Combate ao Novo Coronavírus, produzido pelo Data Favela, em parceria com o Instituto Locomotiva, da Cufa (Central Única das Favelas) e da Favela Holding. No total, foram ouvidas 3.321 pessoas de comunidades em todos os Estados brasileiros, no fim de junho.

No total, estima-se que 13,6 milhões de pessoas moram em comunidades, sendo que 1,2 milhão (89%) está em capitais ou regiões metropolitanas. Além de 80% dizerem que perderam mais da metade da renda que tinham antes, apenas 4% garantiram que não tiveram prejuízos financeiros desde o início da pandemia. Ainda segundo a pesquisa, 52% dos moradores acreditam que a crise ainda está no meio do caminho e a preocupação com a saúde e desemprego é unanimidade. 

Esses são os principais receios de Rose Silva Cascais, 44 anos, desempregada desde abril. Ela mora na favela dos Ciganos, em Utinga, Santo André, e trabalhava em condomínio, no setor de limpeza. Na comunidade há 18 anos, mora com o marido, os três filhos, o genro e três netos. Todos sobrevivem apenas com a renda do marido, que trabalha em marmoraria e enfrenta redução de salário e carga horária.

“Podemos dizer que todos nós perdemos nossos empregos logo no início da quarentena, pois fomos mandados embora entre março e abril. Infelizmente, estamos vivendo um dia de cada vez, pois sobrevivemos com muito menos que a metade, o que não dá para quase nada”, lamenta Rose. 

Outro aspecto relevante levantado pela pesquisa é o fato de que quase sete em cada dez famílias pediram o auxílio emergencial oferecido pelo governo federal – 41% ainda não conseguiram receber o benefício. Outros 62% que receberam o auxílio emergencial usaram o benefício para ajudar familiares e amigos. “O (benefício) de todos nós aqui em casa ainda está em análise. Meus pais, inclusive, não são aposentados e vivem trabalhando por fora, com certeza, se eu estivesse recebendo o auxílio, eu poderia ajudá-los, assim como ter um fôlego nas contas de casa”, comenta Rose. 

O fundador do Data Favela, Celso Athayde, reforça a importância das políticas públicas nas comunidades e acredita que as ações não devem parar. “Esta pesquisa deixa claro que a pandemia impactou da pior forma na favela. Precisamos de política pública nestes territórios, porque o estudo também comprova que senso de solidariedade, coletividade e organização a favela tem de sobra”, ressalta. 

A pesquisa ainda aponta que, mesmo com poucas condições, 63% dos moradores fizeram algum tipo de doação na pandemia. Como exemplo, a cabeleireira e presidente do Instituto Lar da Dona Cláudia, Rakyllayne Rios, 38, moradora do Jardim do Estádio, também em Santo André, separa todo mês o auxílio emergencial para ajudar pessoas em vulnerabilidade. “Atendia em domicílio e com a pandemia minha renda caiu em 50%. Hoje, para conseguir R$ 200, tive que praticamente esperar esses três meses de quarentena, então afetou demais. Além das minhas contas, coordeno república com seis pessoas em situação de vulnerabilidade. Por meio de parcerias e amigos, consigo trazer alimento para dentro e continuar com minhas doações externas também”, declara Rakyllayne, que ajudou quatro comunidades andreenses com a distribuição de 200 cestas básicas e <CF51>kits</CF> de higiene pessoal. “Uma mão lava a outra e seguimos ajudando quem precisa”, finaliza.

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