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Setor de logística sofre no rastro do novo coronavírus

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

No Grande ABC, são aproximadamente 700 empresas; maioria depende da produção da área automotiva


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

27/06/2020 | 23:59


Basta se lembrar da greve dos caminhoneiros, movimento nacional de paralisação da categoria que durou 11 dias em 2018, para entender o peso do setor logístico para todo o País. Essencial, é responsável pelo transporte de cargas de toda a indústria, desde a automotiva até a farmacêutica e a alimentícia. O segmento foi um dos poucos que não parou nem mesmo no início da pandemia, em março. Mesmo assim, sente os efeitos da estagnação econômica. A estimativa é que as empresas da região já sentiram pelo menos 50% de redução na demanda nos últimos meses. 

O resultado é reflexo da paralisação das fábricas – principalmente das montadoras, que apesar de já terem retomado a produção, a faz em ritmo mais lento – e queda na demanda do consumidor, que sofre com o desemprego ou a redução nos salários. 

De acordo com o diretor do Setrans (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga do Grande ABC), Fábio Brigidio, são aproximadamente 700 empresas de logística no Grande ABC, que empregam cerca de 40 mil pessoas. Com cinco montadoras e toda uma cadeia na indústria automobilística, o setor de transportes depende em grande parte da venda de veículos, tanto que a estimativa é que pelo menos 60% delas estejam envolvidas com o transporte de algum componente usado na produção. 

“Nós temos muitas cadeias fortes na região, a dos químicos, por exemplo, que se manteve estável durante este período ou teve poucas quedas. Mas a automotiva é, sem dúvida nenhuma. a mais forte delas”, declarou Brigidio.

Mesmo quando a empresa é especializada no transporte de outros produtos, surge o vínculo com o ramo automotivo. “Muitas vezes é um transporte de setor químico, mas que é responsável por produtos usados na fabricação de pneus. Ou pode ser o têxtil, mas que no fim produz o banco do veículo. O vidro, que também é fornecido para a fabricação do carro. Ou seja, ela pode não trabalhar diretamente na cadeia de autopeças, mas transporta de clientes que fazem peças para os veículos”, disse.

Uma destas empresas é a Paulista Express Transporte, localizada em São Bernardo. De acordo com o diretor-proprietário Ricardo Fernandes Siqueira, mesmo a empresa não sendo totalmente voltada para o ramo automobilístico, que é apenas um dos braços do negócio, a redução na demanda foi de 25%.

“Nós transportamos produtos diversos, e os que envolvem montadoras caíram em média 80%. Mas como trabalhamos muito com demanda de e-commerce, principalmente jogos e luminárias, tivemos aumento de cerca de 30% nessa área. Por isso tivemos este resultado”, disse.

A empresa tem 80 funcionários e, apesar de recorrer à MP (Medida Provisória) 936, que prevê redução de jornada e de salários, além da suspensão do contrato de trabalho, precisou demitir cerca de 15 motoristas. O empresário lamentou a situação. “Vinhamos com 34% a mais de demanda no começo do ano, que tinha tudo para ser promissor, mas começou a cair quando foi decretada a quarentena. Acredito que não dá mais para recuperar as perdas, só em 2021. Hoje a conta já não fecha, estamos indo para um terceiro mês sem fechar as contas”, lamentou Ricardo Fernandes.

De acordo com uma pesquisa encomendada pelo Setrans em maio, que mediu o impacto da Covid-19 nas empresas de logística do Estado, 80% das companhias tiveram redução de demanda, 75% estimam impactos negativos por pelo menos mais quatro meses e 64% apontam capacidade de pagamento comprometida. Em relação às medidas trabalhistas, 45% recorreram à suspensão temporária de contrato de trabalho e 46% à redução de jornada e salários. As demissões ocorreram em 38% das empresas.

“O desempenho desse setor depende intensamente da melhora dos setores industriais e do comércio de bens, o que gera maior demanda por transporte”, analisou o coordenador de estudos do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo, professor Sandro Maskio.

Motoristas relatam dificuldades do trabalho na crise

Os motoristas de caminhão enfrentam série de mudanças na rotina desde que a pandemia teve início, em março. Acostumados a fazer entregas e a passar dias nas estradas, ficou mais difícil fazer uma simples refeição e até mesmo descarregar nas empresas.

O motorista Antônio César Barbosa dos Santos, 49 anos, trabalha há 20 na estrada. Quando a quarentena foi decretada, ele estava a caminho do Recife para fazer entrega de uma montadora.

“Quando fui estava tudo normal, como uma viagem comum. Agora, quando voltei, parecia que o mundo tinha acabado. Não tinha mais restaurante aberto na estrada. As pessoas nos postos de gasolina e de paradas estavam desconfiadas”, disse.

Ele chegou a ficar pouco mais de um mês em casa, com a paralisação da produção. “Quando voltei já tinha que usar a máscara e o álcool gel. É toda uma mudança. Agora, em todo lugar, a higiene está bem maior.”

Natural de Goiânia, Diego Matos de Mendonça, 36, tem 14 anos de estrada e faz entregas principalmente no Porto de Santos. Muitos profissionais como ele passam pela região e descansam no bolsão da Via Anchieta, próximo à interligação com a Imigrantes. Ele conta que hoje gasta o dobro de tempo com as viagens, comparado com o período anterior à pandemia. “Agora, em todo lugar, a gente precisa medir a temperatura. Se antes a gente chegava e ficava um dia, agora ficamos dois. Aumentou a burocracia.”

Ele, que transporta milho e soja, segue duas vezes por semana até o Litoral. “Na estrada está difícil para comer. Para almoçar, você não tem uma mesa para fazer a refeição adequadamente, tem que comprar e fazer a refeição no seu caminhão. Mas nas paradas temos lanche e sabonete para lavar as mãos. Está difícil, mas vamos indo.” 



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Setor de logística sofre no rastro do novo coronavírus

No Grande ABC, são aproximadamente 700 empresas; maioria depende da produção da área automotiva

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

27/06/2020 | 23:59


Basta se lembrar da greve dos caminhoneiros, movimento nacional de paralisação da categoria que durou 11 dias em 2018, para entender o peso do setor logístico para todo o País. Essencial, é responsável pelo transporte de cargas de toda a indústria, desde a automotiva até a farmacêutica e a alimentícia. O segmento foi um dos poucos que não parou nem mesmo no início da pandemia, em março. Mesmo assim, sente os efeitos da estagnação econômica. A estimativa é que as empresas da região já sentiram pelo menos 50% de redução na demanda nos últimos meses. 

O resultado é reflexo da paralisação das fábricas – principalmente das montadoras, que apesar de já terem retomado a produção, a faz em ritmo mais lento – e queda na demanda do consumidor, que sofre com o desemprego ou a redução nos salários. 

De acordo com o diretor do Setrans (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga do Grande ABC), Fábio Brigidio, são aproximadamente 700 empresas de logística no Grande ABC, que empregam cerca de 40 mil pessoas. Com cinco montadoras e toda uma cadeia na indústria automobilística, o setor de transportes depende em grande parte da venda de veículos, tanto que a estimativa é que pelo menos 60% delas estejam envolvidas com o transporte de algum componente usado na produção. 

“Nós temos muitas cadeias fortes na região, a dos químicos, por exemplo, que se manteve estável durante este período ou teve poucas quedas. Mas a automotiva é, sem dúvida nenhuma. a mais forte delas”, declarou Brigidio.

Mesmo quando a empresa é especializada no transporte de outros produtos, surge o vínculo com o ramo automotivo. “Muitas vezes é um transporte de setor químico, mas que é responsável por produtos usados na fabricação de pneus. Ou pode ser o têxtil, mas que no fim produz o banco do veículo. O vidro, que também é fornecido para a fabricação do carro. Ou seja, ela pode não trabalhar diretamente na cadeia de autopeças, mas transporta de clientes que fazem peças para os veículos”, disse.

Uma destas empresas é a Paulista Express Transporte, localizada em São Bernardo. De acordo com o diretor-proprietário Ricardo Fernandes Siqueira, mesmo a empresa não sendo totalmente voltada para o ramo automobilístico, que é apenas um dos braços do negócio, a redução na demanda foi de 25%.

“Nós transportamos produtos diversos, e os que envolvem montadoras caíram em média 80%. Mas como trabalhamos muito com demanda de e-commerce, principalmente jogos e luminárias, tivemos aumento de cerca de 30% nessa área. Por isso tivemos este resultado”, disse.

A empresa tem 80 funcionários e, apesar de recorrer à MP (Medida Provisória) 936, que prevê redução de jornada e de salários, além da suspensão do contrato de trabalho, precisou demitir cerca de 15 motoristas. O empresário lamentou a situação. “Vinhamos com 34% a mais de demanda no começo do ano, que tinha tudo para ser promissor, mas começou a cair quando foi decretada a quarentena. Acredito que não dá mais para recuperar as perdas, só em 2021. Hoje a conta já não fecha, estamos indo para um terceiro mês sem fechar as contas”, lamentou Ricardo Fernandes.

De acordo com uma pesquisa encomendada pelo Setrans em maio, que mediu o impacto da Covid-19 nas empresas de logística do Estado, 80% das companhias tiveram redução de demanda, 75% estimam impactos negativos por pelo menos mais quatro meses e 64% apontam capacidade de pagamento comprometida. Em relação às medidas trabalhistas, 45% recorreram à suspensão temporária de contrato de trabalho e 46% à redução de jornada e salários. As demissões ocorreram em 38% das empresas.

“O desempenho desse setor depende intensamente da melhora dos setores industriais e do comércio de bens, o que gera maior demanda por transporte”, analisou o coordenador de estudos do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo, professor Sandro Maskio.

Motoristas relatam dificuldades do trabalho na crise

Os motoristas de caminhão enfrentam série de mudanças na rotina desde que a pandemia teve início, em março. Acostumados a fazer entregas e a passar dias nas estradas, ficou mais difícil fazer uma simples refeição e até mesmo descarregar nas empresas.

O motorista Antônio César Barbosa dos Santos, 49 anos, trabalha há 20 na estrada. Quando a quarentena foi decretada, ele estava a caminho do Recife para fazer entrega de uma montadora.

“Quando fui estava tudo normal, como uma viagem comum. Agora, quando voltei, parecia que o mundo tinha acabado. Não tinha mais restaurante aberto na estrada. As pessoas nos postos de gasolina e de paradas estavam desconfiadas”, disse.

Ele chegou a ficar pouco mais de um mês em casa, com a paralisação da produção. “Quando voltei já tinha que usar a máscara e o álcool gel. É toda uma mudança. Agora, em todo lugar, a higiene está bem maior.”

Natural de Goiânia, Diego Matos de Mendonça, 36, tem 14 anos de estrada e faz entregas principalmente no Porto de Santos. Muitos profissionais como ele passam pela região e descansam no bolsão da Via Anchieta, próximo à interligação com a Imigrantes. Ele conta que hoje gasta o dobro de tempo com as viagens, comparado com o período anterior à pandemia. “Agora, em todo lugar, a gente precisa medir a temperatura. Se antes a gente chegava e ficava um dia, agora ficamos dois. Aumentou a burocracia.”

Ele, que transporta milho e soja, segue duas vezes por semana até o Litoral. “Na estrada está difícil para comer. Para almoçar, você não tem uma mesa para fazer a refeição adequadamente, tem que comprar e fazer a refeição no seu caminhão. Mas nas paradas temos lanche e sabonete para lavar as mãos. Está difícil, mas vamos indo.” 

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