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Volta ao trabalho com escolas fechadas preocupa as famílias

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Retomada gradual das atividades não inclui as unidades educacionais e muitas mães não têm com quem deixar as crianças


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

09/06/2020 | 00:01


A flexibilização da quarentena anunciada pelo governador João Doria (PSDB) dia 27 tem causado enorme polêmica entre as cidades do Grande ABC (leia mais na Página 5 de Política) e tem tirado o sono de pais com filhos em idade escolar. A reabertura gradual do comércio não contempla instituições de ensino – que não possuem prazo oficial para voltar a funcionar – e o retorno das pessoas ao trabalho presencial coloca em xeque a situação das crianças que, em muitos casos, não terão onde nem com quem ficar.

Na semana passada, o caso do menino Miguel Otávio Santana da Silva, 5 anos, colaborou para que o receio materno ficasse ainda mais aflorado. O pequeno morreu após cair do nono andar de um prédio de luxo, no Centro do Recife, enquanto procurava por sua mãe, a empregada doméstica Mirtes Renata Souza, que passeava com a cadela de sua patroa. Segundo depoimentos, com a creche fechada e sem ter onde deixar o filho, Mirtes o levou para o trabalho e o deixou sob os cuidados da empregadora no momento em que saiu com o animal.

Analista financeira Bruna Giraldi Silva Mendes, 31, é uma das mães que estão vivendo este drama. Moradora do Parque São Vicente, em Mauá, ela é funcionária de uma rede hoteleira, com escritório na Vila Olímpia, na Capital, e garante que pensar sobre o retorno ao trabalho é tema que está a deixando insegura. Até agora, Bruna teve a sorte de estar de licença- maternidade, já que seu filho Fabrício, 4 meses, nasceu antes da pandemia ter início no País – o pequeno chegou ao mundo no dia 5 de janeiro.

“Os hotéis da rede estão fechados desde março, então, por enquanto, o trabalho de toda a equipe está sendo no sistema home office. Mas com a flexibilização do isolamento físico, se tiver de retornar presencialmente, não sei com quem vou deixar o Fabrício”, relatou a mãe.

Os planos, conforme lembrou Bruna, foram “por água abaixo”. Antes da Covid-19, ela pretendia colocar o filho na escola assim que sua licença-maternidade terminasse. “Sabia que teria um mês de férias na sequência (da licença maternidade) e, depois, o Fabrício teria de ir à escolinha”, contou, pontuando que, com a quarentena, e todas as escolas fechadas, não há nem a possibilidade de matricular o menor na unidade de interesse. “Não sei mesmo o que vou fazer se me chamarem para voltar (ao trabalho presencial)”, lamentou Bruna.

A analista financeira torce para que possa atuar de casa, mesmo que com o filho ao lado, ao menos até que as escolas retornem ao atendimento de forma integral. Por ora, Bruna cumprirá 30 dias de férias, mas garante que pensar no pós é medo que já faz parte de sua rotina. “Já estou preocupada com esse possível retorno presencial”, revelou Bruna.

EM ANÁLISE
Questionado, o governo do Estado pontuou que, embora tenha iniciado a flexibilização do isolamento físico, as determinações de como cada empresa irá reabrir ficam a cargo dos municípios, portanto, cabe às cidades decidirem se os estabelecimentos devem ou não manter as mães em home office até o retorno das aulas.
De forma geral, as prefeituras da região, assim como o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, afirmaram que as cidades estudam estimular o modelo de trabalho em casa, sobretudo para as mães e funcionários que pertençam aos grupos de risco, mas que a decisão terá de partir da empresa.  



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Volta ao trabalho com escolas fechadas preocupa as famílias

Retomada gradual das atividades não inclui as unidades educacionais e muitas mães não têm com quem deixar as crianças

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

09/06/2020 | 00:01


A flexibilização da quarentena anunciada pelo governador João Doria (PSDB) dia 27 tem causado enorme polêmica entre as cidades do Grande ABC (leia mais na Página 5 de Política) e tem tirado o sono de pais com filhos em idade escolar. A reabertura gradual do comércio não contempla instituições de ensino – que não possuem prazo oficial para voltar a funcionar – e o retorno das pessoas ao trabalho presencial coloca em xeque a situação das crianças que, em muitos casos, não terão onde nem com quem ficar.

Na semana passada, o caso do menino Miguel Otávio Santana da Silva, 5 anos, colaborou para que o receio materno ficasse ainda mais aflorado. O pequeno morreu após cair do nono andar de um prédio de luxo, no Centro do Recife, enquanto procurava por sua mãe, a empregada doméstica Mirtes Renata Souza, que passeava com a cadela de sua patroa. Segundo depoimentos, com a creche fechada e sem ter onde deixar o filho, Mirtes o levou para o trabalho e o deixou sob os cuidados da empregadora no momento em que saiu com o animal.

Analista financeira Bruna Giraldi Silva Mendes, 31, é uma das mães que estão vivendo este drama. Moradora do Parque São Vicente, em Mauá, ela é funcionária de uma rede hoteleira, com escritório na Vila Olímpia, na Capital, e garante que pensar sobre o retorno ao trabalho é tema que está a deixando insegura. Até agora, Bruna teve a sorte de estar de licença- maternidade, já que seu filho Fabrício, 4 meses, nasceu antes da pandemia ter início no País – o pequeno chegou ao mundo no dia 5 de janeiro.

“Os hotéis da rede estão fechados desde março, então, por enquanto, o trabalho de toda a equipe está sendo no sistema home office. Mas com a flexibilização do isolamento físico, se tiver de retornar presencialmente, não sei com quem vou deixar o Fabrício”, relatou a mãe.

Os planos, conforme lembrou Bruna, foram “por água abaixo”. Antes da Covid-19, ela pretendia colocar o filho na escola assim que sua licença-maternidade terminasse. “Sabia que teria um mês de férias na sequência (da licença maternidade) e, depois, o Fabrício teria de ir à escolinha”, contou, pontuando que, com a quarentena, e todas as escolas fechadas, não há nem a possibilidade de matricular o menor na unidade de interesse. “Não sei mesmo o que vou fazer se me chamarem para voltar (ao trabalho presencial)”, lamentou Bruna.

A analista financeira torce para que possa atuar de casa, mesmo que com o filho ao lado, ao menos até que as escolas retornem ao atendimento de forma integral. Por ora, Bruna cumprirá 30 dias de férias, mas garante que pensar no pós é medo que já faz parte de sua rotina. “Já estou preocupada com esse possível retorno presencial”, revelou Bruna.

EM ANÁLISE
Questionado, o governo do Estado pontuou que, embora tenha iniciado a flexibilização do isolamento físico, as determinações de como cada empresa irá reabrir ficam a cargo dos municípios, portanto, cabe às cidades decidirem se os estabelecimentos devem ou não manter as mães em home office até o retorno das aulas.
De forma geral, as prefeituras da região, assim como o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, afirmaram que as cidades estudam estimular o modelo de trabalho em casa, sobretudo para as mães e funcionários que pertençam aos grupos de risco, mas que a decisão terá de partir da empresa.  

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