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Liberação de crédito também é problemática

Marcello Casal JR/Agência Brasil Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


05/04/2020 | 07:45


As críticas dos economistas em relação à operacionalização das políticas contracíclicas também alcançam as medidas adotadas pelo Banco Central para aumentar a liquidez no mercado. A autoridade monetária já anunciou uma injeção de R$ 1,2 trilhão no sistema, mas esse dinheiro não tem chegado a quem precisa.

Para o economista Manoel Pires, coordenador do Observatório de Política Fiscal do Instituto Brasileiro de Economia (FGV/Ibre), as medidas do BC, como a redução do compulsório (parcela de depósitos que os bancos precisam manter no BC obrigatoriamente) são pouco eficientes, dado que os bancos não querem dar crédito às empresas agora por causa do risco elevado.

Uma opção, diz ele, seria a autoridade monetária oferecer empréstimo diretamente às companhias, como tem ocorrido nos EUA. Uma medida dessa, porém, teria de ser autorizada por uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

Como o crédito não está chegando à ponta final, políticas fiscais ganharão uma maior importância no combate à crise, explica Pires. "A falta de crédito exige medidas compensatórias, como a redução de impostos, que são bastante custosas sob o ponto de vista fiscal."

Ainda segundo Pires, uma parte da demora na implementação das medidas é explicada pela falta de senso de urgência do governo no início da crise. Depois, na necessidade de se dar uma resposta rápida à sociedade, saíram medidas ruins, como linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) muito caras. Há ainda entraves legais, como a necessidade de se aprovar PECs, o que não ocorre na maioria dos países.

Sócia da Tendências Consultoria, a economista Alessandra Ribeiro também vê problemas no canal de crédito e afirma que uma solução seria a concessão de empréstimos por meio das empresas de cartão.

O setor varejista, que já reclamou da alta da taxa de juros nas linhas de crédito, pediu a adoção dessa medida ao BC. Alessandra diz ainda que a falta de sintonia entre o presidente e os ministros e técnicos das pastas tem atrapalhado bastante o andamento das medidas.

Diferentemente da maioria dos especialistas, o economista Bráulio Borges, da LCA Consultores, diz que as políticas estão andando de forma célere e acredita que o pagamento dos trabalhadores informais deve começar nesta semana.

Ele, porém, afirma que as medidas de saúde têm demorado, o que prejudica a economia. "O Brasil deveria estar testando as pessoas aleatoriamente, porque isso ajuda a definir o tamanho da quarentena e analisar se o auxílio emergencial é suficiente." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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Liberação de crédito também é problemática


05/04/2020 | 07:45


As críticas dos economistas em relação à operacionalização das políticas contracíclicas também alcançam as medidas adotadas pelo Banco Central para aumentar a liquidez no mercado. A autoridade monetária já anunciou uma injeção de R$ 1,2 trilhão no sistema, mas esse dinheiro não tem chegado a quem precisa.

Para o economista Manoel Pires, coordenador do Observatório de Política Fiscal do Instituto Brasileiro de Economia (FGV/Ibre), as medidas do BC, como a redução do compulsório (parcela de depósitos que os bancos precisam manter no BC obrigatoriamente) são pouco eficientes, dado que os bancos não querem dar crédito às empresas agora por causa do risco elevado.

Uma opção, diz ele, seria a autoridade monetária oferecer empréstimo diretamente às companhias, como tem ocorrido nos EUA. Uma medida dessa, porém, teria de ser autorizada por uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

Como o crédito não está chegando à ponta final, políticas fiscais ganharão uma maior importância no combate à crise, explica Pires. "A falta de crédito exige medidas compensatórias, como a redução de impostos, que são bastante custosas sob o ponto de vista fiscal."

Ainda segundo Pires, uma parte da demora na implementação das medidas é explicada pela falta de senso de urgência do governo no início da crise. Depois, na necessidade de se dar uma resposta rápida à sociedade, saíram medidas ruins, como linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) muito caras. Há ainda entraves legais, como a necessidade de se aprovar PECs, o que não ocorre na maioria dos países.

Sócia da Tendências Consultoria, a economista Alessandra Ribeiro também vê problemas no canal de crédito e afirma que uma solução seria a concessão de empréstimos por meio das empresas de cartão.

O setor varejista, que já reclamou da alta da taxa de juros nas linhas de crédito, pediu a adoção dessa medida ao BC. Alessandra diz ainda que a falta de sintonia entre o presidente e os ministros e técnicos das pastas tem atrapalhado bastante o andamento das medidas.

Diferentemente da maioria dos especialistas, o economista Bráulio Borges, da LCA Consultores, diz que as políticas estão andando de forma célere e acredita que o pagamento dos trabalhadores informais deve começar nesta semana.

Ele, porém, afirma que as medidas de saúde têm demorado, o que prejudica a economia. "O Brasil deveria estar testando as pessoas aleatoriamente, porque isso ajuda a definir o tamanho da quarentena e analisar se o auxílio emergencial é suficiente." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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