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Economia

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Número de pessoas que ganham até três salários aumenta

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Dados do mercado formal mostram que menores remunerações saltaram de 429,8 mil para 501,7 mil


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

09/02/2020 | 00:33


No período de dez anos, o Grande ABC registrou aumento no número de trabalhadores com carteira assinada que recebem até três salários mínimos (R$ 3.135). Entre 2008 e 2018, o grupo aumentou de 429,8 mil pessoas para para 501,7 mil, ou seja, acréscimo de 71,9 mil colaboradores. Se em 2008 este bloco representava 59% do total do mercado formal, em 2018 a proporção atingiu a marca de 69%.

O levantamento foi feito com base nos números da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) do Ministério da Economia pelo coordenador de estudos do observatório econômico da Universidade Metodista de São Paulo, professor Sandro Maskio, a pedido do Diário. Nos números consolidados da Rais, 2018 é o ano mais recente disponível.

O saldo mostra que, no período desta década, o mercado formal da região ganhou 4.217 postos de trabalho com carteira assinada. Somente o saldo – admissões menos demissões – relativo à faixa de remuneração até três salários mínimos ficou positiva em 71,8 mil pessoas. Acima desse índice de remuneração, todas as faixas ficaram no negativo (veja mais na arte abaixo).

Ou seja, os dados mostram que o emprego com menor faixa salarial foi o único indicador que cresceu no período. De acordo com Maskio, ainda efeito da retração econômica que teve início em meados de 2014 em todo o País, sem recuperação consolidada.

“Ainda há um efeito forte da retração do mercado de trabalho. A redução no número de pessoas empregadas, por causa da crise, vai gerar um movimento onde há muitos desempregados. Ou seja, a oferta é muito grande, isso amplia a rotatividade no mercado de trabalho, porque no momento de substituir, o empregador vai trocar a mão de obra com valor maior por aquela de salário menor e há muitos mais pessoas disponíveis para essa vaga”, analisou o docente.

Economista e coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero também cita que a crise eliminou funções de trabalho, que, inclusive, estavam no topo do organograma das empresas. “O corte aconteceu desde postos de trabalho na produção, mas foi até cargos de chefia. Há muitos executivos que perderam o emprego nesse período e estão procurando colocação até hoje ou aceitaram um emprego que paga menos”, disse.

Para Maskio, isso ilustra uma situação alarmante no mercado de trabalho regional: há diminuição no emprego mais qualificado, que, na teoria, é o que tem maiores salários, o que pode gerar consequência até na entrada de jovens nas universidades.

“É muito preocupante, porque esses trabalhadores que ganham menos são pessoas que tiveram que reajustar o padrão de vida. Com isso, há diminuição na capacidade de consumo das famílias, porque o salário é achatado (leia mais ao lado). Isso impacta em diversos setores da economia como comércio e serviços. Além disso, também pode gerar um efeito muito ruim de desestímulo à qualificação das pessoas, o que traz consequências a longo prazo. Temos uma situação onde pessoas qualificadas ficam longe do mercado, acontece a depreciação desses profissionais e gerações mais novas têm pouco estímulo para estudar. Isso porque a sociedade observa que a qualificação e educação não dão essa resposta de um bom emprego”, analisou Maskio.

Parte deste cenário também foi retratada em reportagem do Diário na última semana, em que foi mostrado que a região possui mais empregos, porém a remuneração caiu. Além disso, em 2019, o salário médio dos demitidos (R$ 2.077,02) na região superou a remuneração média dos contratados (R$ 1.724,92).

Para Maskio, a situação deve demorar mais de uma década para mudar, caso o crescimento continue nesse ritmo. “A economia precisa crescer e precisamos voltar a gerar emprego, que é sempre o último indicador a se recuperar.”

Família de Diadema cancela até plano de saúde para se adequar

A recolocação no mercado de trabalho, ainda mais em vagas com maior pretensão salarial, é um desafio enfrentado pelos moradores do Grande ABC. Este é o caso da família de Gislaine Martins Marques, 38 anos, do bairro vila Conceição em Diadema. Mesmo formado com ensino técnico em eletrônica, e no mesmo emprego há 16 anos, o marido Ademir Alves Marques, 45, foi dispensado em setembro do ano passado.

A família (formada também pelo pequeno Arthur Tomaz Martins Marques, 3) viu sua renda despencar de R$ 5.000 mensais para uma média de R$ 3.000. “Tivemos até que cancelar o plano de saúde dele. Temos muitas despesas, inclusive estamos no meio de uma construção”, disse ela, que atualmente mora com os pais e finaliza a obra para morar em cima da casa, ainda em fase de laje.

Desde o fim do ano passado, ela conta que o marido foi chamado apenas para uma entrevista, apesar de procurar emprego intensamente. “Ele tem um bom currículo e muitas vezes as vagas são para remunerações e cargos inferiores. Como por exemplo ajudante de produção, ganhando R$ 1.500. Então ele nem é chamado.”

A saída vai ser o mercado de trabalho informal, já que Ademir está tirando a CNH (Carteira Nacional de habilitação) para trabalhar com aplicativo de transportes. A solução é vista como uma garantia de bico em curto prazo, já que não faz parte do mercado de trabalho formal.

Ela é faturista e trabalha há 15 anos na mesma empresa. O desemprego veio no momento em que pensava em começar a faculdade na área de finanças. “Eu sempre falo que a formação é muito importante. E é algo que eu tinha vontade de fazer, além do crescimento profissional, para o pessoal, mas vai ter que ficar para outro momento”, afirmou ela, que entrou na empresa ganhando um salário mínimo e hoje recebe em torno de R$ 3.000.

“O mercado está muito difícil e eu falo para minhas enteadas que deve ficar ainda mais. É importante se especializar por isso. Não podemos perder a fé, mas a situação não está nada fácil”, finalizou Gislaine. <TL> 



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Número de pessoas que ganham até três salários aumenta

Dados do mercado formal mostram que menores remunerações saltaram de 429,8 mil para 501,7 mil

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

09/02/2020 | 00:33


No período de dez anos, o Grande ABC registrou aumento no número de trabalhadores com carteira assinada que recebem até três salários mínimos (R$ 3.135). Entre 2008 e 2018, o grupo aumentou de 429,8 mil pessoas para para 501,7 mil, ou seja, acréscimo de 71,9 mil colaboradores. Se em 2008 este bloco representava 59% do total do mercado formal, em 2018 a proporção atingiu a marca de 69%.

O levantamento foi feito com base nos números da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) do Ministério da Economia pelo coordenador de estudos do observatório econômico da Universidade Metodista de São Paulo, professor Sandro Maskio, a pedido do Diário. Nos números consolidados da Rais, 2018 é o ano mais recente disponível.

O saldo mostra que, no período desta década, o mercado formal da região ganhou 4.217 postos de trabalho com carteira assinada. Somente o saldo – admissões menos demissões – relativo à faixa de remuneração até três salários mínimos ficou positiva em 71,8 mil pessoas. Acima desse índice de remuneração, todas as faixas ficaram no negativo (veja mais na arte abaixo).

Ou seja, os dados mostram que o emprego com menor faixa salarial foi o único indicador que cresceu no período. De acordo com Maskio, ainda efeito da retração econômica que teve início em meados de 2014 em todo o País, sem recuperação consolidada.

“Ainda há um efeito forte da retração do mercado de trabalho. A redução no número de pessoas empregadas, por causa da crise, vai gerar um movimento onde há muitos desempregados. Ou seja, a oferta é muito grande, isso amplia a rotatividade no mercado de trabalho, porque no momento de substituir, o empregador vai trocar a mão de obra com valor maior por aquela de salário menor e há muitos mais pessoas disponíveis para essa vaga”, analisou o docente.

Economista e coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero também cita que a crise eliminou funções de trabalho, que, inclusive, estavam no topo do organograma das empresas. “O corte aconteceu desde postos de trabalho na produção, mas foi até cargos de chefia. Há muitos executivos que perderam o emprego nesse período e estão procurando colocação até hoje ou aceitaram um emprego que paga menos”, disse.

Para Maskio, isso ilustra uma situação alarmante no mercado de trabalho regional: há diminuição no emprego mais qualificado, que, na teoria, é o que tem maiores salários, o que pode gerar consequência até na entrada de jovens nas universidades.

“É muito preocupante, porque esses trabalhadores que ganham menos são pessoas que tiveram que reajustar o padrão de vida. Com isso, há diminuição na capacidade de consumo das famílias, porque o salário é achatado (leia mais ao lado). Isso impacta em diversos setores da economia como comércio e serviços. Além disso, também pode gerar um efeito muito ruim de desestímulo à qualificação das pessoas, o que traz consequências a longo prazo. Temos uma situação onde pessoas qualificadas ficam longe do mercado, acontece a depreciação desses profissionais e gerações mais novas têm pouco estímulo para estudar. Isso porque a sociedade observa que a qualificação e educação não dão essa resposta de um bom emprego”, analisou Maskio.

Parte deste cenário também foi retratada em reportagem do Diário na última semana, em que foi mostrado que a região possui mais empregos, porém a remuneração caiu. Além disso, em 2019, o salário médio dos demitidos (R$ 2.077,02) na região superou a remuneração média dos contratados (R$ 1.724,92).

Para Maskio, a situação deve demorar mais de uma década para mudar, caso o crescimento continue nesse ritmo. “A economia precisa crescer e precisamos voltar a gerar emprego, que é sempre o último indicador a se recuperar.”

Família de Diadema cancela até plano de saúde para se adequar

A recolocação no mercado de trabalho, ainda mais em vagas com maior pretensão salarial, é um desafio enfrentado pelos moradores do Grande ABC. Este é o caso da família de Gislaine Martins Marques, 38 anos, do bairro vila Conceição em Diadema. Mesmo formado com ensino técnico em eletrônica, e no mesmo emprego há 16 anos, o marido Ademir Alves Marques, 45, foi dispensado em setembro do ano passado.

A família (formada também pelo pequeno Arthur Tomaz Martins Marques, 3) viu sua renda despencar de R$ 5.000 mensais para uma média de R$ 3.000. “Tivemos até que cancelar o plano de saúde dele. Temos muitas despesas, inclusive estamos no meio de uma construção”, disse ela, que atualmente mora com os pais e finaliza a obra para morar em cima da casa, ainda em fase de laje.

Desde o fim do ano passado, ela conta que o marido foi chamado apenas para uma entrevista, apesar de procurar emprego intensamente. “Ele tem um bom currículo e muitas vezes as vagas são para remunerações e cargos inferiores. Como por exemplo ajudante de produção, ganhando R$ 1.500. Então ele nem é chamado.”

A saída vai ser o mercado de trabalho informal, já que Ademir está tirando a CNH (Carteira Nacional de habilitação) para trabalhar com aplicativo de transportes. A solução é vista como uma garantia de bico em curto prazo, já que não faz parte do mercado de trabalho formal.

Ela é faturista e trabalha há 15 anos na mesma empresa. O desemprego veio no momento em que pensava em começar a faculdade na área de finanças. “Eu sempre falo que a formação é muito importante. E é algo que eu tinha vontade de fazer, além do crescimento profissional, para o pessoal, mas vai ter que ficar para outro momento”, afirmou ela, que entrou na empresa ganhando um salário mínimo e hoje recebe em torno de R$ 3.000.

“O mercado está muito difícil e eu falo para minhas enteadas que deve ficar ainda mais. É importante se especializar por isso. Não podemos perder a fé, mas a situação não está nada fácil”, finalizou Gislaine. <TL> 

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