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Restauro, ofício da paciência


Alessandro Soares
Do Diário do Grande ABC

28/07/2001 | 15:13


Um conjunto de obras sacras começa a renascer nas mãos solitárias de um restaurador na Catedral do Carmo, na área central de Santo André. E isso quase 50 anos depois do início de sua criação. Quem costuma freqüentar a igreja certamente já notou um homem sobre um andaime instalado dentro da capela de batismo, à direita da entrada principal. Graças a ele, Mário Caldeira Brant, 56 anos, pintor e restaurador profissional há 40 anos, o lugar começa a recuperar suas cores vivas.

O belo acervo barroco neoclássico, representando cenas bíblicas e da vida de Cristo, pintado entre 1952 e 1957 pelos irmãos Bastiglia (Enrico, morto em 1973, e Fernando) nas paredes laterais, no teto, no altar e nas naves laterais, também deve passar por um detalhado trabalho de restauro.

O início dessas atividades, previstas para durar pelo menos cinco anos, deve coincidir com um evento que a recém-formada Comissão de Bens Culturais da Arquidiocese de São Paulo realizará em setembro deste ano, aberto ao público em geral, profissionais de restauração, padres e seminaristas. Um seminário discutirá as necessidades de preservação do patrimônio das igrejas, seja ele móvel ou imóvel.

Além disso, começam a aparecer na região iniciativas para a conservação de importantes obras sacras de mestres do gênero. Em Mauá, surgem os primeiros passos para a conservação dos murais e dos desenhos originais de Emeric Marcier na Capela Nossa Senhora Imaculada Conceição. Ao mesmo tempo, a Igreja de São José de Ribeirão Pires já planeja o restauro do painel de Fulvio Pennacchi, no altar, para o ano que vem.

Por enquanto, a restauração que Brant realiza em Santo André se resume à capela de batismo na Catedral, cuja pintura estava descascada na cúpula e nas laterais. E ele é detalhista. Foi o próprio Fernando Bastiglia, 86 anos, quem o recomendou. É um dos poucos profissionais no Estado especializado em obras desse estilo: “Eu gosto do gênero. A pintura é leve e cativa as pessoas que a observam”. Perfeccionista, ele não tem pressa. “São muitos detalhes. Tenho de ir pigmento por pigmento”, afirma.

Na Catedral andreense, uma infiltração à direita do arco superior sobre o altar danificou a pintura ali localizada. Reformas são necessárias, antes da restauração. Brant sabe disso, e também possui fotografias da pintura original de toda a igreja, recebidas dos Bastiglia. É por meio delas que ele baseia seu trabalho. E se a paróquia gostar da capela, Brant deve continuar na igreja – acompanhado de ajudantes – pelos próximos cinco anos para o restauro total, incluindo imagens sacras rachadas e colunas descascadas.



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