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A dor da floresta


Rodolfo de Souza

29/08/2019 | 07:00


A grande floresta queima, espalhando pelo ar o cheiro do vandalismo autorizado. A vida pede socorro, mas não há ouvidos que se disponham a ouvir a sua voz. O poder, como é de costume, volta as costas para a sua dor.

Mas o mundo sabe que sem a floresta tudo tende a piorar. O ar certamente não será o mesmo, o aquecimento será potencializado pela sua ausência, muita alteração climática, com toda a certeza, haverá de desestabilizar a vida aqui e por todo o planeta. Entretanto, a destruição, planejada em cada detalhe, segue sem controle e sem providência. Somente propaganda para francês ver.

Desanima pensar que não há mão que possa deter a voracidade do monstro que engole a selva com seus bichos, suas cores, seus cheiros, seu canto e seu encanto. Mas o facínora é mesmo assim, tem suas garras sempre à disposição da morte. Não tolera nada que respire e caminhe por conta própria. Se houver, é preciso matá-lo.

E veja você que o vil traidor prometeu resolver todos os problemas daqui deste imenso quintal. Só não disse que a solução viria pelo aniquilamento dos mais fracos, daqueles que nada podem fazer, porque a luta é desigual, e a briga pelo pão de cada dia já é suficiente para esgotar as suas forças.

Mas os outros países finalmente retumbam seu descontentamento, porque lhes preocupa o fogo ateado, e sabem que, com o desaparecimento da floresta, tudo tende a se transformar em terra calcinada ou inundada.

“Busquemos o diálogo e imploremos que apaguem o fogo!” – dirão os estrangeiros – “Ou podemos ameaçar a sua soberania. Afinal, temos mais dinheiro e mais armas do que o tirano que destrói a natureza. Deve haver um jeito de fazê-lo se curvar aos nossos anseios. Não. Não podemos tomar posse de seu gigantesco território para proteger a selva. Não é tão simples assim. Daria o que falar. Resta-nos mesmo ameaçá-lo ou oferecer-lhe vultuosa quantia, afinal, por dinheiro, este não pensaria duas vezes antes de furar o olho da própria mãe.”

Mas nada os intimida. Tocaram fogo na mata a fim de entregar o território devastado para o império do Norte, ao que tudo indica. Aquele que também não é amigo nosso nem de ninguém e está inconformado com a sua própria decadência, agora decidiu tomar posse deste País varonil, como fez com tantos outros. Talvez busque aí uma maneira de manter a supremacia frente ao inimigo do extremo Leste, que vem à toda, montado num grande dragão, forte o suficiente para atropelar o velho urso branco.

De qualquer forma, segue a devastação. Devasta-se a floresta e a dignidade de um povo que agora envergonha-se diante das outras nações, simplesmente porque fez feio no último pleito, elegendo o pensamento retrógrado e vil para o comando do País. O resultado dessa molecagem é, pois, o desmonte de sua economia, o desemprego, a escalada da violência, o aniquilamento da sua indústria, e por aí vai.

Resta-nos agora as cinzas da grande floresta e as cinzas de tudo o que esta Pátria já teve, e que será difícil reconquistar, sobretudo, porque a tirania continua à frente, tranquila, livre de qualquer ameaça.



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A dor da floresta

Rodolfo de Souza

29/08/2019 | 07:00


A grande floresta queima, espalhando pelo ar o cheiro do vandalismo autorizado. A vida pede socorro, mas não há ouvidos que se disponham a ouvir a sua voz. O poder, como é de costume, volta as costas para a sua dor.

Mas o mundo sabe que sem a floresta tudo tende a piorar. O ar certamente não será o mesmo, o aquecimento será potencializado pela sua ausência, muita alteração climática, com toda a certeza, haverá de desestabilizar a vida aqui e por todo o planeta. Entretanto, a destruição, planejada em cada detalhe, segue sem controle e sem providência. Somente propaganda para francês ver.

Desanima pensar que não há mão que possa deter a voracidade do monstro que engole a selva com seus bichos, suas cores, seus cheiros, seu canto e seu encanto. Mas o facínora é mesmo assim, tem suas garras sempre à disposição da morte. Não tolera nada que respire e caminhe por conta própria. Se houver, é preciso matá-lo.

E veja você que o vil traidor prometeu resolver todos os problemas daqui deste imenso quintal. Só não disse que a solução viria pelo aniquilamento dos mais fracos, daqueles que nada podem fazer, porque a luta é desigual, e a briga pelo pão de cada dia já é suficiente para esgotar as suas forças.

Mas os outros países finalmente retumbam seu descontentamento, porque lhes preocupa o fogo ateado, e sabem que, com o desaparecimento da floresta, tudo tende a se transformar em terra calcinada ou inundada.

“Busquemos o diálogo e imploremos que apaguem o fogo!” – dirão os estrangeiros – “Ou podemos ameaçar a sua soberania. Afinal, temos mais dinheiro e mais armas do que o tirano que destrói a natureza. Deve haver um jeito de fazê-lo se curvar aos nossos anseios. Não. Não podemos tomar posse de seu gigantesco território para proteger a selva. Não é tão simples assim. Daria o que falar. Resta-nos mesmo ameaçá-lo ou oferecer-lhe vultuosa quantia, afinal, por dinheiro, este não pensaria duas vezes antes de furar o olho da própria mãe.”

Mas nada os intimida. Tocaram fogo na mata a fim de entregar o território devastado para o império do Norte, ao que tudo indica. Aquele que também não é amigo nosso nem de ninguém e está inconformado com a sua própria decadência, agora decidiu tomar posse deste País varonil, como fez com tantos outros. Talvez busque aí uma maneira de manter a supremacia frente ao inimigo do extremo Leste, que vem à toda, montado num grande dragão, forte o suficiente para atropelar o velho urso branco.

De qualquer forma, segue a devastação. Devasta-se a floresta e a dignidade de um povo que agora envergonha-se diante das outras nações, simplesmente porque fez feio no último pleito, elegendo o pensamento retrógrado e vil para o comando do País. O resultado dessa molecagem é, pois, o desmonte de sua economia, o desemprego, a escalada da violência, o aniquilamento da sua indústria, e por aí vai.

Resta-nos agora as cinzas da grande floresta e as cinzas de tudo o que esta Pátria já teve, e que será difícil reconquistar, sobretudo, porque a tirania continua à frente, tranquila, livre de qualquer ameaça.

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