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Lugar de menina é no campo

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Projeto de São Bernardo incentiva prática do futebol feminino e se torna referência no Brasil, com 260 alunas


Anderson Fattori
Do Diário do Grande ABC

22/07/2019 | 07:00


A vontade de ajudar na evolução do futebol feminino é o que faz Isaque Guimarães sair de casa todos os sábados, sem ganhar nada, e ir até a quadra do Crec (Clube Recreativo Esportivo Cultural) Baetinha, em São Bernardo, ensinar garotas a partir de 7 anos a darem os primeiros toques na bola. Ele é idealizador da Acaff (Academia de Futebol Feminino), criada em 2016, e que se tornou um dos maiores projetos sociais do País, atendendo 260 meninas do Grande ABC e outras regiões. 

Isaque faz no Crec Baetinha o mesmo que muitos outros projetos espalhados pelo Brasil, só que com garotas. Ele abriu as portas pela primeira vez quando se deu conta de que não havia locais para que meninas pudessem jogar. De lá para cá não parou mais de fazer inscrições – atualmente, são seis, em média, por dia.

Nenhuma atleta paga para participar das aulas, que, além do sábado, acontecem nas noite de quarta-feira. A única contribuição é esporádica, quando a Acaff entra em alguma competição e não consegue patrocínio para bancar taxas. Da Prefeitura, recebe autorização para utilizar as quadras sintéticas do Crec Baetinha. E só.

Isaque trabalha com marketing e é voluntário na Acaff, assim como todos os outros professores que ao longo do tempo entraram no projeto. O mesmo acontece com Sandra Moni, a Xuxa, que é seu braço direito. “Somos o único projeto deste porte no Brasil. As meninas que nos procuram não têm condições financeiras. Temos garotas do Grande ABC, além de São Paulo e Santos. Tem duas venezuelanas também”, conta Isaque.

O idealizador do projeto viu tudo mudar após a Copa do Mundo, realizada recentemente na França. Ele conta que foram 60 inscrições apenas no período do Mundial. “No dia da eliminação do Brasil (nas oitavas de final) nossas redes sociais foram pesquisadas por 16 mil pessoas”, contabiliza.

Agora Isaque e a Acaff estão a um passo de mais um importante degrau. O projeto vai disputar a partir de quarta-feira a IberCup, um dos maiores campeonatos de futebol do mundo, que pela primeira vez acontece no Brasil, na USP, em São Paulo, e também terá a inédita participação feminina. “Primeira vez que a IberCup abre espaço para meninas. Sonho grande”, constata Isaque. Não é só isso. Ele terá na equipe Júlia Souza, conhecida como JujuGol, fenômeno da modalidade, que veio para o time de São Bernardo justamente para dar visibilidade ao projeto na IberCup.

O problema é que JujuGol tem 9 anos, assim como boa parte do elenco da Acaff e a IberCup terá apenas a categoria sub-12. “Não temos compromisso em ganhar. Queremos é dar oportunidade para as meninas”, justifica Isaque.

Além de JujuGol, a Acaff vai contar com outro talento nato: GabiGoal, que já faz parte do projeto. Esta será a primeira vez que elas, que treinam na Academia do Paris Saint-Germain, em São Paulo, vão disputar um torneio juntas.

Mesmo com os dois talentos, a expectativa não é por grandes resultados e, sim, por passo no fortalecimento do futebol feminino. “Não estamos mudando o futebol feminino. Quem está mudando são os pais. Temos 40 meninas de 7 a 9 anos no projeto que não conseguem vir sozinhas. Os pais estão percebendo que as filhas vão jogar futebol porque elas querem jogar. Cada menina que vem ao treino tem um pai ou uma mãe que está trazendo. Isso é fantástico”, orgulha-se o treinador, que hoje, às 15h30, participa do Diário Esportivo, transmitido ao vivo pela página do Diário no Facebook.



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Lugar de menina é no campo

Projeto de São Bernardo incentiva prática do futebol feminino e se torna referência no Brasil, com 260 alunas

Anderson Fattori
Do Diário do Grande ABC

22/07/2019 | 07:00


A vontade de ajudar na evolução do futebol feminino é o que faz Isaque Guimarães sair de casa todos os sábados, sem ganhar nada, e ir até a quadra do Crec (Clube Recreativo Esportivo Cultural) Baetinha, em São Bernardo, ensinar garotas a partir de 7 anos a darem os primeiros toques na bola. Ele é idealizador da Acaff (Academia de Futebol Feminino), criada em 2016, e que se tornou um dos maiores projetos sociais do País, atendendo 260 meninas do Grande ABC e outras regiões. 

Isaque faz no Crec Baetinha o mesmo que muitos outros projetos espalhados pelo Brasil, só que com garotas. Ele abriu as portas pela primeira vez quando se deu conta de que não havia locais para que meninas pudessem jogar. De lá para cá não parou mais de fazer inscrições – atualmente, são seis, em média, por dia.

Nenhuma atleta paga para participar das aulas, que, além do sábado, acontecem nas noite de quarta-feira. A única contribuição é esporádica, quando a Acaff entra em alguma competição e não consegue patrocínio para bancar taxas. Da Prefeitura, recebe autorização para utilizar as quadras sintéticas do Crec Baetinha. E só.

Isaque trabalha com marketing e é voluntário na Acaff, assim como todos os outros professores que ao longo do tempo entraram no projeto. O mesmo acontece com Sandra Moni, a Xuxa, que é seu braço direito. “Somos o único projeto deste porte no Brasil. As meninas que nos procuram não têm condições financeiras. Temos garotas do Grande ABC, além de São Paulo e Santos. Tem duas venezuelanas também”, conta Isaque.

O idealizador do projeto viu tudo mudar após a Copa do Mundo, realizada recentemente na França. Ele conta que foram 60 inscrições apenas no período do Mundial. “No dia da eliminação do Brasil (nas oitavas de final) nossas redes sociais foram pesquisadas por 16 mil pessoas”, contabiliza.

Agora Isaque e a Acaff estão a um passo de mais um importante degrau. O projeto vai disputar a partir de quarta-feira a IberCup, um dos maiores campeonatos de futebol do mundo, que pela primeira vez acontece no Brasil, na USP, em São Paulo, e também terá a inédita participação feminina. “Primeira vez que a IberCup abre espaço para meninas. Sonho grande”, constata Isaque. Não é só isso. Ele terá na equipe Júlia Souza, conhecida como JujuGol, fenômeno da modalidade, que veio para o time de São Bernardo justamente para dar visibilidade ao projeto na IberCup.

O problema é que JujuGol tem 9 anos, assim como boa parte do elenco da Acaff e a IberCup terá apenas a categoria sub-12. “Não temos compromisso em ganhar. Queremos é dar oportunidade para as meninas”, justifica Isaque.

Além de JujuGol, a Acaff vai contar com outro talento nato: GabiGoal, que já faz parte do projeto. Esta será a primeira vez que elas, que treinam na Academia do Paris Saint-Germain, em São Paulo, vão disputar um torneio juntas.

Mesmo com os dois talentos, a expectativa não é por grandes resultados e, sim, por passo no fortalecimento do futebol feminino. “Não estamos mudando o futebol feminino. Quem está mudando são os pais. Temos 40 meninas de 7 a 9 anos no projeto que não conseguem vir sozinhas. Os pais estão percebendo que as filhas vão jogar futebol porque elas querem jogar. Cada menina que vem ao treino tem um pai ou uma mãe que está trazendo. Isso é fantástico”, orgulha-se o treinador, que hoje, às 15h30, participa do Diário Esportivo, transmitido ao vivo pela página do Diário no Facebook.

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