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Com Metrô, renda aumenta em até 9%

Banco de Dados Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Para estudo chileno, modal também impacta no orçamento de quem mora próximo às estações


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

01/07/2019 | 07:00


A instalação do Metrô pode incrementar entre 6% a 9% na média de renda dos moradores das proximidades das estações. O dado tem como base um estudo publicado pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Chile, que mediu os impactos da instalação de linha do modal que liga Santiago (capital) à região metropolitana no mercado de trabalho. Ou seja, os moradores da região que tiverem residência fixada entre 1 e 1,5 quilômetro de uma das 13 estações da Linha 18-Bronze poderão ampliar o orçamento familiar.

O texto do professor da Escola de Governo da Universidade Católica, Kenzo Asahi, publicado em 2016, investiga a relação entre a facilidade do acesso ao transporte urbano e os impactos no mercado de trabalho. Para isso, ele pega como exemplo a linha 4, que interliga a região da Providencia, centro empresarial da cidade, a Puente Alto, na região metropolitana. O projeto de 24 quilômetros de extensão foi anunciado pelo governo em 2001 e concluído totalmente em 2006.

Para medir a influência do modal na economia, o especialista utilizou metodologia britânica em que utiliza para cálculo critérios como: distância entre as estações, velocidade prevista para os trens, atividade econômica de cada região e eficiência do trajeto entre a origem e destino.

“Até hoje, o principal instrumento para medir a qualidade do transporte é a questão da origem e destino. Foi concluído na modelagem da experiência chilena que melhora a qualidade de vida do trabalhador, isso porque ele fica menos tempo no transporte público e tem mais tempo para atividades de lazer e cultura. Se ele vai para casa, consegue sair depois, então acaba puxando melhora em toda a economia”, destacou o gestor do curso de arquitetura e urbanismo da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Enio Moro, que também analisou a pesquisa chilena.

Após a instalação do modal, a população que vive a até 1,5 quilômetro das estações teve teve aumento de 6% a 9% na renda, assim como a atividade econômica próxima as estações. “Isso porque, teoricamente, as pessoas gastariam menos. Quando não possuíam essa linha, tinham de pegar dois modais de transporte, o que impactaria nas compras de produtos em locais centrais, por exemplo. Com essa diminuição de gasto e do tempo por conta do deslocamento para o trabalho (leia mais abaixo), sobra mais salário, que de alguma maneira volta para economia nos arredores das estações. Esse aumento de renda, tenho certeza que vai acontecer aqui”, disse Moro.

A Linha 18 vai passar por Santo André, São Bernardo e São Caetano, interligando a região até a Estação Tamanduateí, em São Paulo. O especialista afirmou que, assim como no Chile, ela vai ligar um centro financeiro como São Paulo, principalmente a Avenida Paulista – após a baldeação na Estação Tamanduateí – a um polo industrial e com forte presença de universidades como o Grande ABC,
“São relações econômicas e a própria construção bem parecidas com a nossa. Além de que ambos os países foram colonizados, fomos exportadores de commodities e lá existem multinacionais importantes como temos aqui na região. Sem dúvida, o Metrô vai representar aumento de renda e na atividade econômica”, declarou Moro. 

Trabalhador ganha tempo com o trajeto

O estudo chileno também demonstrou que, com o menor tempo de deslocamento, os profissionais ganharam média de 35 minutos por dia. Ou seja, o período que pode chegar a até três horas por semana, por trabalhador, pode ser utilizado na empresa ou para o desenvolvimento de outras atividades.

“De qualquer forma, a economia acaba ganhando e a própria dinâmica financeira faz com que essas horas voltem para o mercado. Essa pessoa pode ficar em casa, tomar banho, comprar alguma coisa, ou seja, indiretamente há consequências positivas”, disse o gestor do curso de arquitetura e urbanismo da USCS, Enio Moro. De acordo com o especialista, portanto, essa diminuição não representa uma “redução de produção econômica, porque se acaba investindo em arte, lazer”, afirmou.

Além disso, Moro afirmou que o BRT (sigla em inglês para sistema de transporte rápido por ônibus), que é a alternativa estudada pelo governador João Doria (PSDB) para a substituição da Linha 18, não teria os mesmo impactos. O prazo para essa decisão terminou ontem, sem nenhum anúncio de nova data.

“O Metrô é um modal muito importante, até mesmo pela questão da velocidade e eficiência. A linha passa num local que tem demanda, universidades, área de comércio. Como eu digo, esta linha já começa cheia, e o BRT é apenas um ônibus melhorado.”



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Com Metrô, renda aumenta em até 9%

Para estudo chileno, modal também impacta no orçamento de quem mora próximo às estações

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

01/07/2019 | 07:00


A instalação do Metrô pode incrementar entre 6% a 9% na média de renda dos moradores das proximidades das estações. O dado tem como base um estudo publicado pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Chile, que mediu os impactos da instalação de linha do modal que liga Santiago (capital) à região metropolitana no mercado de trabalho. Ou seja, os moradores da região que tiverem residência fixada entre 1 e 1,5 quilômetro de uma das 13 estações da Linha 18-Bronze poderão ampliar o orçamento familiar.

O texto do professor da Escola de Governo da Universidade Católica, Kenzo Asahi, publicado em 2016, investiga a relação entre a facilidade do acesso ao transporte urbano e os impactos no mercado de trabalho. Para isso, ele pega como exemplo a linha 4, que interliga a região da Providencia, centro empresarial da cidade, a Puente Alto, na região metropolitana. O projeto de 24 quilômetros de extensão foi anunciado pelo governo em 2001 e concluído totalmente em 2006.

Para medir a influência do modal na economia, o especialista utilizou metodologia britânica em que utiliza para cálculo critérios como: distância entre as estações, velocidade prevista para os trens, atividade econômica de cada região e eficiência do trajeto entre a origem e destino.

“Até hoje, o principal instrumento para medir a qualidade do transporte é a questão da origem e destino. Foi concluído na modelagem da experiência chilena que melhora a qualidade de vida do trabalhador, isso porque ele fica menos tempo no transporte público e tem mais tempo para atividades de lazer e cultura. Se ele vai para casa, consegue sair depois, então acaba puxando melhora em toda a economia”, destacou o gestor do curso de arquitetura e urbanismo da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Enio Moro, que também analisou a pesquisa chilena.

Após a instalação do modal, a população que vive a até 1,5 quilômetro das estações teve teve aumento de 6% a 9% na renda, assim como a atividade econômica próxima as estações. “Isso porque, teoricamente, as pessoas gastariam menos. Quando não possuíam essa linha, tinham de pegar dois modais de transporte, o que impactaria nas compras de produtos em locais centrais, por exemplo. Com essa diminuição de gasto e do tempo por conta do deslocamento para o trabalho (leia mais abaixo), sobra mais salário, que de alguma maneira volta para economia nos arredores das estações. Esse aumento de renda, tenho certeza que vai acontecer aqui”, disse Moro.

A Linha 18 vai passar por Santo André, São Bernardo e São Caetano, interligando a região até a Estação Tamanduateí, em São Paulo. O especialista afirmou que, assim como no Chile, ela vai ligar um centro financeiro como São Paulo, principalmente a Avenida Paulista – após a baldeação na Estação Tamanduateí – a um polo industrial e com forte presença de universidades como o Grande ABC,
“São relações econômicas e a própria construção bem parecidas com a nossa. Além de que ambos os países foram colonizados, fomos exportadores de commodities e lá existem multinacionais importantes como temos aqui na região. Sem dúvida, o Metrô vai representar aumento de renda e na atividade econômica”, declarou Moro. 

Trabalhador ganha tempo com o trajeto

O estudo chileno também demonstrou que, com o menor tempo de deslocamento, os profissionais ganharam média de 35 minutos por dia. Ou seja, o período que pode chegar a até três horas por semana, por trabalhador, pode ser utilizado na empresa ou para o desenvolvimento de outras atividades.

“De qualquer forma, a economia acaba ganhando e a própria dinâmica financeira faz com que essas horas voltem para o mercado. Essa pessoa pode ficar em casa, tomar banho, comprar alguma coisa, ou seja, indiretamente há consequências positivas”, disse o gestor do curso de arquitetura e urbanismo da USCS, Enio Moro. De acordo com o especialista, portanto, essa diminuição não representa uma “redução de produção econômica, porque se acaba investindo em arte, lazer”, afirmou.

Além disso, Moro afirmou que o BRT (sigla em inglês para sistema de transporte rápido por ônibus), que é a alternativa estudada pelo governador João Doria (PSDB) para a substituição da Linha 18, não teria os mesmo impactos. O prazo para essa decisão terminou ontem, sem nenhum anúncio de nova data.

“O Metrô é um modal muito importante, até mesmo pela questão da velocidade e eficiência. A linha passa num local que tem demanda, universidades, área de comércio. Como eu digo, esta linha já começa cheia, e o BRT é apenas um ônibus melhorado.”

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