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Educação: uma questão séria


Dom Pedro Cipollini

27/05/2019 | 07:00


Neste mês, milhares de pessoas foram às ruas protestar contra cortes no orçamento na área da educação. Em todas as capitais, e mais 130 cidades, houve protestos. Participaram estudantes, professores de escolas e universidades públicas e privadas, além de outras entidades.

O atual governo já trocou o ministro da Educação e agora anunciou cortes na verba destinada a este importante setor da vida social. Já na antiga Grécia o filósofo Pitágoras asseverava: “Educai as crianças e não será preciso punir os homens”. Certamente teríamos menos presídios se tivéssemos mais escolas e um sistema educacional eficiente.

A palavra educar vem do latim educere, que significa extrair, desenvolver. É o processo de desenvolvimento e formação da personalidade. Não pode ser confundida com a mera adaptação do indivíduo ao meio, ou à preparação do indivíduo para uma profissão. A educação é atividade criadora, que visa levar o ser humano a realizar as suas potencialidades físicas, intelectuais, morais e espirituais.

Pela sua importância na formação dos cidadãos e cidadãs, a educação é uma preocupação constante. Sem aprimorar a educação não conseguiremos ter uma Pátria segura e desenvolvida, um futuro digno para todos. Julgo ser o maior problema de nosso País a questão da educação, até hoje mal resolvida, porque não depende só de verbas e projetos bons. Isso existe, mas depende, sobretudo, de vontade política.

Quando a educação for a prioridade número um para o governo e os governados, resolveremos todos os outros problemas da sociedade. Seremos um povo capaz de perceber que a Nação vai bem não só quando a economia vai bem, mas quando o povo vai bem e vive feliz, e sabe trabalhar por isso com eficiência.

Com propriedade afirmou o atual reitor da USP, professor Vahan Agopyan, para o qual reduzir recursos em educação é uma decisão política, que países mais desenvolvidos não tomaram mesmo em momentos de crise como após uma guerra, por exemplo (cf. Folha de S. Paulo 18 de maio de 19 – Cotidiano B1).

A implementação de um processo educacional eficiente é capaz de solucionar as crises e questões básicas que travam o desenvolvimento de uma nação. Todos os países desenvolvidos investiram de forma prioritária na educação.

A educação é um dos direitos fundamentais do homem, consignado no artigo 26 da Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU). A Constituição Brasileira estabelece no artigo 8º, c. XIV, a competência da União para legislar sobre as diretrizes e bases da educação nacional. No artigo 176 ela determina: “A educação, inspirada no princípio da unidade nacional e nos ideais de liberdade e solidariedade humana, é direito de todos e dever do Estado e será dada no lar e na escola”.

A Igreja Católica iniciou no Brasil, com os jesuítas, o processo de educar. Ela tem uma vasta folha de serviço prestado à Nação na área da educação. Em uma época que o Estado não tinha condições a Igreja manteve vasta rede de escolas em todos os níveis, para crianças, adolescentes e jovens. De certa forma supriu o papel e o dever do Estado. E continua a fazer isso. Nesta matéria cada um e cada instituição devem dar sua contribuição.

“O verdadeiro órfão é aquele que não recebeu educação” (E. de Condillac). A educação é para o homem o que é para o barro o molde: dá-lhe forma. Daí que sem esta formação, que começa em casa e continua na escola, muitas crianças não têm condições de crescer aptas para a vida, o trabalho e para a convivência na sociedade.

A convivência pacífica em sociedade, que cada vez se torna mais problemática, depende da educação. Sem ela teremos não só uma ‘sociedade líquida’ no dizer de Z. Balman, na qual tudo é incerto e errático, mas também uma ‘sociedade do egotismo’, dominada pelo culto narcisista de si e da própria cultura pessoal do indivíduo, erigida em fim supremo da própria conduta.

Uma guerra é a mais nítida imagem do que é a vida em sociedade onde não se leva em conta a educação.

Será que, no Brasil, não estamos em uma guerra disfarçada?



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Educação: uma questão séria

Dom Pedro Cipollini

27/05/2019 | 07:00


Neste mês, milhares de pessoas foram às ruas protestar contra cortes no orçamento na área da educação. Em todas as capitais, e mais 130 cidades, houve protestos. Participaram estudantes, professores de escolas e universidades públicas e privadas, além de outras entidades.

O atual governo já trocou o ministro da Educação e agora anunciou cortes na verba destinada a este importante setor da vida social. Já na antiga Grécia o filósofo Pitágoras asseverava: “Educai as crianças e não será preciso punir os homens”. Certamente teríamos menos presídios se tivéssemos mais escolas e um sistema educacional eficiente.

A palavra educar vem do latim educere, que significa extrair, desenvolver. É o processo de desenvolvimento e formação da personalidade. Não pode ser confundida com a mera adaptação do indivíduo ao meio, ou à preparação do indivíduo para uma profissão. A educação é atividade criadora, que visa levar o ser humano a realizar as suas potencialidades físicas, intelectuais, morais e espirituais.

Pela sua importância na formação dos cidadãos e cidadãs, a educação é uma preocupação constante. Sem aprimorar a educação não conseguiremos ter uma Pátria segura e desenvolvida, um futuro digno para todos. Julgo ser o maior problema de nosso País a questão da educação, até hoje mal resolvida, porque não depende só de verbas e projetos bons. Isso existe, mas depende, sobretudo, de vontade política.

Quando a educação for a prioridade número um para o governo e os governados, resolveremos todos os outros problemas da sociedade. Seremos um povo capaz de perceber que a Nação vai bem não só quando a economia vai bem, mas quando o povo vai bem e vive feliz, e sabe trabalhar por isso com eficiência.

Com propriedade afirmou o atual reitor da USP, professor Vahan Agopyan, para o qual reduzir recursos em educação é uma decisão política, que países mais desenvolvidos não tomaram mesmo em momentos de crise como após uma guerra, por exemplo (cf. Folha de S. Paulo 18 de maio de 19 – Cotidiano B1).

A implementação de um processo educacional eficiente é capaz de solucionar as crises e questões básicas que travam o desenvolvimento de uma nação. Todos os países desenvolvidos investiram de forma prioritária na educação.

A educação é um dos direitos fundamentais do homem, consignado no artigo 26 da Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU). A Constituição Brasileira estabelece no artigo 8º, c. XIV, a competência da União para legislar sobre as diretrizes e bases da educação nacional. No artigo 176 ela determina: “A educação, inspirada no princípio da unidade nacional e nos ideais de liberdade e solidariedade humana, é direito de todos e dever do Estado e será dada no lar e na escola”.

A Igreja Católica iniciou no Brasil, com os jesuítas, o processo de educar. Ela tem uma vasta folha de serviço prestado à Nação na área da educação. Em uma época que o Estado não tinha condições a Igreja manteve vasta rede de escolas em todos os níveis, para crianças, adolescentes e jovens. De certa forma supriu o papel e o dever do Estado. E continua a fazer isso. Nesta matéria cada um e cada instituição devem dar sua contribuição.

“O verdadeiro órfão é aquele que não recebeu educação” (E. de Condillac). A educação é para o homem o que é para o barro o molde: dá-lhe forma. Daí que sem esta formação, que começa em casa e continua na escola, muitas crianças não têm condições de crescer aptas para a vida, o trabalho e para a convivência na sociedade.

A convivência pacífica em sociedade, que cada vez se torna mais problemática, depende da educação. Sem ela teremos não só uma ‘sociedade líquida’ no dizer de Z. Balman, na qual tudo é incerto e errático, mas também uma ‘sociedade do egotismo’, dominada pelo culto narcisista de si e da própria cultura pessoal do indivíduo, erigida em fim supremo da própria conduta.

Uma guerra é a mais nítida imagem do que é a vida em sociedade onde não se leva em conta a educação.

Será que, no Brasil, não estamos em uma guerra disfarçada?

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