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Ramalhão na Primeira Divisão

Celso Luiz/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Guerreiro, time segura o Água Santa no Inamar e, mesmo com derrota por 3 a 2, avança à final da Série A-2


Anderson Fattori
Do Diário do Grande ABC

22/04/2019 | 07:43


 O Santo André preencheu com letras maiúsculas mais uma página da sua história. Guerreiro, encontrou forças quando muitos viam o time fadado ao insucesso. Sob a batuta do veterano Cristian, a equipe escolhida a dedo pelo técnico Fernando Marchiori foi se organizando, ganhou corpo e, ontem, chegou ao ápice. Segurou o ímpeto do Água Santa, melhor time da Série A-2, e, mesmo perdendo por 3 a 2, no Estádio do Inamar, em Diadema, sacramentou o retorno à elite do Campeonato Paulista no ano seguinte ao do rebaixamento.

O acesso só foi possível graças à vitória por 2 a 0 no primeiro jogo da semifinal, há uma semana, no Bruno Daniel. Com a vantagem, o Ramalhão podia perder por um gol de diferença e foi o que aconteceu. Além de subir, o Santo André vai decidir o título da Série A-2 contra a Inter de Limeira, que despachou o XV de Piracicaba. As datas serão definidas hoje pela Federação Paulista, mas o primeiro duelo será no fim de semana, no Interior, e a decisão, no Grande ABC, provavelmente no feriado de 1º de maio.

Há quatro meses, no início da Série A-2, era inimaginável falar de acesso no Ramalhão. Em crise financeira – teve uma das menores folhas salariais da competição, com vencimentos na faixa dos R$ 4.000 –, o clube perdeu jogadores para mercados menos valorizados. O volante Tiago Ulisses, por exemplo, tinha pré-contrato assinado, mas preferiu ir para o Aparecidense-GO. Marcão, atacante, Samuel Teram, zagueiro, entre outros, foram procurados, mas a proposta financeira que ouviam impossibilitava o acerto.

Até mesmo o treinador foi uma aposta. Fernando Marchiori, 39 anos, nunca tinha trabalhado em São Paulo. Talvez este tenha sido o grande mérito da diretoria. Contratou e confiou no técnico, que havia conseguido bons resultados no futebol paranaense e mato-grossense.

Marchiori, aliás, foi quem trouxe grande parte dos reforços. Ligou para cada um e pediu voto de confiança, mesmo que fosse para contrato de apenas quatro meses e com salário abaixo do mercado. Assim, foi montando o elenco, longe do ideal, mas com atletas compromissados com o treinador.

Os improvisos se tornaram característica de elenco montado no limite financeiro. Muitos chegaram longe da melhor capacidade física. Foi como consertar o carro em movimento. Mas nunca faltou vontade.

À medida em que Cristian e Raphael Toledo encaixaram sequência de jogos, o time cresceu de produção. No momento certo, conseguiu vitórias que deu confiança e a torcida veio junto. A virada entre brigar contra o rebaixamento ou pela vaga veio na vitória por 1 a 0 sobre o Juventus, na Rua Javari, na penúltima rodada da primeira fase.

Por mais que ainda tenha a decisão do título, ontem era o dia para entrar na história. E o Santo André se agigantou diante de um Água Santa com uma das mais valorizadas folhas de pagamento e que se deu ao luxo de, na semana decisiva, se preparar em um resort. O Netuno tinha o melhor time, o Santo André a camisa mais pesada. Subiu o Ramalhão.

Marchiori tira peso das costas em primeiro trabalho no futebol paulista

Atletas e diretoria são unânimes em apontar Fernando Marchiori como um dos grandes responsáveis pelo acesso do Santo André. Em seu primeiro trabalho no futebol paulista, o técnico participou efetivamente da montagem do elenco, indicou a maioria dos jogadores e, ontem, tirou peso das costas.

“Na montagem do elenco tinha muita gente com medo de o time cair. Normal, são jogadores desconhecidos. Há atletas que não tiveram oportunidades, com salários mais baratos, mas eu, que conhecia 90% do grupo, tinha certeza que teria equipe competitiva”, elogiou. “Fazer clube que caiu voltar tão rápido não é fácil. Quero agradecer todo mundo, principalmente os atletas. Sabia que tinha grupo de homens decentes e fomos coroados com situação que ninguém imaginava esse ano para o Santo André”, acrescentou o treinador, que hoje tem viagem marcada à Aparecida, no Interior, para agradecer o êxito alcançado.

Um dos jogadores que aceitou o convite após conversar com o treinador foi o meia Cristian, fundamental na reta final. “Cristian é um amigo. Fui lá pedir para ele vir. Teve ele, Thomazella, Rhuan, Maikinho, o que eu lutei para trazer esses caras (...), Juntamos com os meninos da base, todos tiveram nosso crivo e da diretoria. Liguei e mostrei para eles que isso aqui seria importante para nossa carreira. Pegamos o clube com uma página em branco e tínhamos que construir uma história. Nossa responsabilidade era maior pelas dificuldades que teríamos pela frente, mas conseguimos”, desabafou o técnico, que iniciou a carreira em 2015 e com o de ontem acumula seis títulos ou acessos em cinco temporadas.

Cristian diz que conversa fechou grupo

Ainda no gramado do Inamar, aclamado pela torcida, o meia Cristian revelou que conversa franca entre os jogadores durante a campanha foi decisiva para a conquista do acesso. Segundo ele, só depois que um confiou plenamente no outro as coisas encaixaram.

“Teve situação, em parte do campeonato, quando estávamos entre classificar e cair, acho que depois do empate contra a Inter de Limeira, que nos fechamos na concentração, conversamos, colocamos olho no olho, um falou o que achava do outro. Depois dali melhoramos muito. Contra o Juventus, a dedicação do time foi o divisor de águas”, opinou.

Mesmo com 39 anos, depois de ter vestido a camisa do Palmeiras por dois anos e ser campeão paulista com o Ituano, em 2014, Cristian disse que ontem foi especial.

“Olha, essa conquista é diferente. Pessoalmente eu até estava pensando em parar, mas o Fernando (Marchiori, treinador) me ligou. Como eu sabia que tinha condições, sem ser capengando, aceitei. Chegamos em momento que ninguém acreditava. Até nós chegamos a desconfiar e aquela conversa fechou o grupo. Por isso tem sabor especial”, comentou.

Márcio Ribeiro critica regulamento

Nem mesmo os aplausos da torcida minimizou a frustração do Água Santa. Melhor equipe da Série A-2 desde as primeiras rodadas, o acesso já era visto como certo pela diretoria, que inclusive começou há dez dias reforma no Inamar para adequar o estádio ao regulamento da Série A-1. A eliminação na semifinal contra o Santo André, porém, mudou o tom da conversa em Diadema.

O técnico Márcio Ribeiro, por exemplo, criticou o regulamento da Série A-2. “Fizemos 40 pontos no geral (somada fase de classificação e mata-mata). É campeonato que não premia em nada quem faz a melhor campanha (dá apenas o direito de decidir em casa), mas faz parte. Subiu uma equipe que fez 27 pontos no total. São coisas do futebol”, lamentou.

O técnico, porém, não desistiu de jogar o Paulista de 2020 e se agarra na possibilidade de ficar com possível terceira vaga, que seria aberta com a fusão entre Red Bull e Bragantino, ambos clube da elite. Caso o time de Campinas simplesmente feche as portas, a vaga fica com o Netuno, mas existe chance de a empresa de energético vender o time.

“Tentamos a vitória no campo para buscar o título, mas infelizmente não foi possível. Mas achamos que essa terceira vaga está bem encaminhada e vamos trabalhar em cima disso a partir de agora”, comentou Márcio Ribeiro.



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Ramalhão na Primeira Divisão

Guerreiro, time segura o Água Santa no Inamar e, mesmo com derrota por 3 a 2, avança à final da Série A-2

Anderson Fattori
Do Diário do Grande ABC

22/04/2019 | 07:43


 O Santo André preencheu com letras maiúsculas mais uma página da sua história. Guerreiro, encontrou forças quando muitos viam o time fadado ao insucesso. Sob a batuta do veterano Cristian, a equipe escolhida a dedo pelo técnico Fernando Marchiori foi se organizando, ganhou corpo e, ontem, chegou ao ápice. Segurou o ímpeto do Água Santa, melhor time da Série A-2, e, mesmo perdendo por 3 a 2, no Estádio do Inamar, em Diadema, sacramentou o retorno à elite do Campeonato Paulista no ano seguinte ao do rebaixamento.

O acesso só foi possível graças à vitória por 2 a 0 no primeiro jogo da semifinal, há uma semana, no Bruno Daniel. Com a vantagem, o Ramalhão podia perder por um gol de diferença e foi o que aconteceu. Além de subir, o Santo André vai decidir o título da Série A-2 contra a Inter de Limeira, que despachou o XV de Piracicaba. As datas serão definidas hoje pela Federação Paulista, mas o primeiro duelo será no fim de semana, no Interior, e a decisão, no Grande ABC, provavelmente no feriado de 1º de maio.

Há quatro meses, no início da Série A-2, era inimaginável falar de acesso no Ramalhão. Em crise financeira – teve uma das menores folhas salariais da competição, com vencimentos na faixa dos R$ 4.000 –, o clube perdeu jogadores para mercados menos valorizados. O volante Tiago Ulisses, por exemplo, tinha pré-contrato assinado, mas preferiu ir para o Aparecidense-GO. Marcão, atacante, Samuel Teram, zagueiro, entre outros, foram procurados, mas a proposta financeira que ouviam impossibilitava o acerto.

Até mesmo o treinador foi uma aposta. Fernando Marchiori, 39 anos, nunca tinha trabalhado em São Paulo. Talvez este tenha sido o grande mérito da diretoria. Contratou e confiou no técnico, que havia conseguido bons resultados no futebol paranaense e mato-grossense.

Marchiori, aliás, foi quem trouxe grande parte dos reforços. Ligou para cada um e pediu voto de confiança, mesmo que fosse para contrato de apenas quatro meses e com salário abaixo do mercado. Assim, foi montando o elenco, longe do ideal, mas com atletas compromissados com o treinador.

Os improvisos se tornaram característica de elenco montado no limite financeiro. Muitos chegaram longe da melhor capacidade física. Foi como consertar o carro em movimento. Mas nunca faltou vontade.

À medida em que Cristian e Raphael Toledo encaixaram sequência de jogos, o time cresceu de produção. No momento certo, conseguiu vitórias que deu confiança e a torcida veio junto. A virada entre brigar contra o rebaixamento ou pela vaga veio na vitória por 1 a 0 sobre o Juventus, na Rua Javari, na penúltima rodada da primeira fase.

Por mais que ainda tenha a decisão do título, ontem era o dia para entrar na história. E o Santo André se agigantou diante de um Água Santa com uma das mais valorizadas folhas de pagamento e que se deu ao luxo de, na semana decisiva, se preparar em um resort. O Netuno tinha o melhor time, o Santo André a camisa mais pesada. Subiu o Ramalhão.

Marchiori tira peso das costas em primeiro trabalho no futebol paulista

Atletas e diretoria são unânimes em apontar Fernando Marchiori como um dos grandes responsáveis pelo acesso do Santo André. Em seu primeiro trabalho no futebol paulista, o técnico participou efetivamente da montagem do elenco, indicou a maioria dos jogadores e, ontem, tirou peso das costas.

“Na montagem do elenco tinha muita gente com medo de o time cair. Normal, são jogadores desconhecidos. Há atletas que não tiveram oportunidades, com salários mais baratos, mas eu, que conhecia 90% do grupo, tinha certeza que teria equipe competitiva”, elogiou. “Fazer clube que caiu voltar tão rápido não é fácil. Quero agradecer todo mundo, principalmente os atletas. Sabia que tinha grupo de homens decentes e fomos coroados com situação que ninguém imaginava esse ano para o Santo André”, acrescentou o treinador, que hoje tem viagem marcada à Aparecida, no Interior, para agradecer o êxito alcançado.

Um dos jogadores que aceitou o convite após conversar com o treinador foi o meia Cristian, fundamental na reta final. “Cristian é um amigo. Fui lá pedir para ele vir. Teve ele, Thomazella, Rhuan, Maikinho, o que eu lutei para trazer esses caras (...), Juntamos com os meninos da base, todos tiveram nosso crivo e da diretoria. Liguei e mostrei para eles que isso aqui seria importante para nossa carreira. Pegamos o clube com uma página em branco e tínhamos que construir uma história. Nossa responsabilidade era maior pelas dificuldades que teríamos pela frente, mas conseguimos”, desabafou o técnico, que iniciou a carreira em 2015 e com o de ontem acumula seis títulos ou acessos em cinco temporadas.

Cristian diz que conversa fechou grupo

Ainda no gramado do Inamar, aclamado pela torcida, o meia Cristian revelou que conversa franca entre os jogadores durante a campanha foi decisiva para a conquista do acesso. Segundo ele, só depois que um confiou plenamente no outro as coisas encaixaram.

“Teve situação, em parte do campeonato, quando estávamos entre classificar e cair, acho que depois do empate contra a Inter de Limeira, que nos fechamos na concentração, conversamos, colocamos olho no olho, um falou o que achava do outro. Depois dali melhoramos muito. Contra o Juventus, a dedicação do time foi o divisor de águas”, opinou.

Mesmo com 39 anos, depois de ter vestido a camisa do Palmeiras por dois anos e ser campeão paulista com o Ituano, em 2014, Cristian disse que ontem foi especial.

“Olha, essa conquista é diferente. Pessoalmente eu até estava pensando em parar, mas o Fernando (Marchiori, treinador) me ligou. Como eu sabia que tinha condições, sem ser capengando, aceitei. Chegamos em momento que ninguém acreditava. Até nós chegamos a desconfiar e aquela conversa fechou o grupo. Por isso tem sabor especial”, comentou.

Márcio Ribeiro critica regulamento

Nem mesmo os aplausos da torcida minimizou a frustração do Água Santa. Melhor equipe da Série A-2 desde as primeiras rodadas, o acesso já era visto como certo pela diretoria, que inclusive começou há dez dias reforma no Inamar para adequar o estádio ao regulamento da Série A-1. A eliminação na semifinal contra o Santo André, porém, mudou o tom da conversa em Diadema.

O técnico Márcio Ribeiro, por exemplo, criticou o regulamento da Série A-2. “Fizemos 40 pontos no geral (somada fase de classificação e mata-mata). É campeonato que não premia em nada quem faz a melhor campanha (dá apenas o direito de decidir em casa), mas faz parte. Subiu uma equipe que fez 27 pontos no total. São coisas do futebol”, lamentou.

O técnico, porém, não desistiu de jogar o Paulista de 2020 e se agarra na possibilidade de ficar com possível terceira vaga, que seria aberta com a fusão entre Red Bull e Bragantino, ambos clube da elite. Caso o time de Campinas simplesmente feche as portas, a vaga fica com o Netuno, mas existe chance de a empresa de energético vender o time.

“Tentamos a vitória no campo para buscar o título, mas infelizmente não foi possível. Mas achamos que essa terceira vaga está bem encaminhada e vamos trabalhar em cima disso a partir de agora”, comentou Márcio Ribeiro.

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