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Mauá fecha museu por problemas estruturais

Integrantes do conselho de defesa do patrimônio histórico denunciam abandono do equipamento


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

16/02/2019 | 07:00


O imponente imóvel bandeirista, construído há quase 300 anos com taipa e pilão, na Avenida Getúlio Vargas, em Mauá, e que abrigava mais de 5.000 peças de cerâmicas, além de documentos e outros itens, pede socorro. Após anos de abandono e episódios recorrentes de invasão, o Museu Barão de Mauá, mantido pela Prefeitura, foi interditado e está fechado. O episódio final dessa triste novela foi a queda de um batente e de parte da parede de uma das salas, que culminou na interdição do imóvel pela Defesa Civil.

Apesar de o documento falar em interdição parcial, o equipamento foi fechado e todo seu acervo, embalado e enviado para outros locais. Segundo a equipe do Diário apurou, algumas caixas foram enviadas para uma sala no teatro municipal e outras, para uma UBS (Unidade Básica de Saúde) no Jardim São João. Funcionários do museu temem que, separadas, as peças do acervo possam se perder.

Integrante do Condephaat-Ma (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico de Mauá), a turismóloga Vanessa Ferreira de Jesus, 32 anos, afirmou que há meses o conselho vem alertando a administração municipal sobre os problemas do museu. Madeiramento afetado por cupins, falta de segurança e apoio às atividades desenvolvidas estão entre as principais queixas.

Todo mundo se sensibilizou com a tragédia que destruiu o Museu Nacional, mas estamos perdendo aqui o nosso museu, e ninguém faz nada”, desabafou. Segundo a conselheira, que representa a sociedade civil, não havia necessidade de fechar o equipamento, já que a interdição foi parcial. “Estamos falando de um patrimônio tombado pelo conselho estadual”, completou.

As madeiras originais, resistentes à pragas, vêm sendo trocadas sempre que é necessário por outras de qualidade inferior, sem o devido tratamento, o que tem compromeito o tempo de vida útil dos reparos, denunciam os servidores. “É uma casa de 300 anos, que está há muito tempo dando sinais de que precisa de cuidado”, afirmou um funcionário que pediu para não ser identificado.

A professora Tatiane Nunes, 34, que também faz parte do Condephaat, relatou temer que o museu não seja mais reaberto. “Essa situação vem se agravando há vários anos. Nosso acervo é grande, importante, conta a história de Mauá, não sabemos se será reativado”, pontuou. “E, agora, com a nova troca de gestão, tudo tende a ficar ainda mais incerto”, concluiu.

A troca de gestão mencionada pela conselheira é o possível retorno do prefeito Atila Jacomussi (PSB) ao comando da cidade, após ter sido solto ontem, do presídio de Tremembé, no Interior do Estado. Atila foi preso em 13 de dezembro, pela segunda vez no ano, quando foi alvo da Operação Trato Feito, acusado pela PF (Polícia Federal) de superfaturar contratos e de pagar Mensalinho aos vereadores (leia mais na página 3 do Caderno Política).

A Prefeitura de Mauá não se posicionou sobre o caso do museu até o fechamento desta edição nem informou para onde o acervo está sendo transferido.



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