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Tradição portuguesa é mantida em São Bernardo

Denis Maciel/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Família Borges chegou ao Brasil em 1949 e criou raízes, no entanto, faz questão de conservar costumes de Portugal


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

02/12/2018 | 07:00


 O Grande ABC, assim como a maior parte do País, foi colonizado principalmente por imigrantes europeus. Entre as cidades e famílias, há histórias e memórias guardadas sobre viagens e tradições. É o caso da família Borges, de São Bernardo. Oriundos de Portugal, os irmãos Álvaro, 74 anos, e Áida, 72, desembarcaram no Brasil, no porto de Santos, em 1949. Embora tenham chegado em solo brasileiro há 69 anos, a dupla ainda mantém vivos os costumes portugueses.

Saudosista, Álvaro guarda fotos da casa onde nasceu, em solo português, o retrato do primeiro dia da família no Brasil, escultura que reproduz a residência portuguesa, além da carteira que o pai usava. Já Áida guarda uma relíquia: a imagem de Santo Antônio que foi do avô.

Quando imigraram, os irmãos ainda eram bem novos. Álvaro tinha apenas 5 anos e Áida, 3. Embora tenham poucas memórias da viagem – que durou 15 dias –, eles guardam o documento de imigração e imagens de pessoas com as quais conviveram no navio Cerpa Pinto, que após servir a guerra, tornou-se meio de transporte de passageiros.

Nascidos no Arquipélago de Açores, na pequena Ilha de São Miguel, Álvaro e Áida embarcaram junto dos pais rumo ao Brasil em busca de vida melhor. “Na nossa ilha era tudo muito simples, plantávamos para comer. Nosso pai veio ao Brasil para crescer na vida e ter um futuro, mas ralou muito”, relembrou o irmão.

O avô dos dois exportava leite. Dessa forma, mantinha chácara no Vale do Anhangabaú, na Capital, onde fez pasto de vacas no Brasil. Ele ficava cerca de dois anos em cada País – Brasil e Portugal – e, com isso, parte dos filhos nasceu em solo brasileiro. O pai dos irmãos Borges, Eduíno, foi um dos que nasceu português. “Viemos (para o Brasil) legalmente, por meio de carta enviada por uma das nossas tias brasileiras. Quando chegamos, ficamos na casa dela até que meu pai encontrasse emprego”, contou Áida.

Embora os imigrantes tivessem dificuldade com a adaptação em solo brasileiro, principalmente em relação à moradia e emprego, a família batalhou e conseguiu conquistar patrimônio. Hoje, os irmãos, sempre que podem, vão até a terra natal visitar os parentes.

Já Márcia Borges, 59, é a caçula da família. Nasceu no Brasil, mas segue os costumes familiares. “Adoramos comer bem”, brinca, quando refere-se à batata na alimentação. Os irmãos Borges seguiram o exemplo do pai e até hoje trabalham como feirantes. Emocionado, Álvaro diz que mesmo com as dificuldades, sempre foram felizes e unidos.

REGIÃO
Ontem foi comemorado o Dia Nacional do Imigrante. O cenário regional em relação ao tema mudou nos últimos anos, tendo em vista que, ao invés da chegada de europeus, atualmente é comum a imigração de haitianos, venezuelanos e demais refugiados de países emergentes.

Em Santo André, por exemplo, atualmente o número de imigrantes assistidos é de 348, segundo o CadÚnico (Cadastro Único) de novembro. As origens variam entre haitianos, bolivianos, venezuelanos, entre outros. A Prefeitura identificou volume maior de imigrantes a partir de 2015.

São Bernardo conta com total de 5.446 imigrantes, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2010.

Já em Ribeirão Pires há registro de imigrantes desde 1888, com a chegada dos italianos – havia 173 famílias italianas da religião católica. A partir de 1889, chegaram os alemães, com 16 famílias. Em seguida, os austríacos, em 1893, se mudaram para a cidade. Já a partir de 1904 o perfil começou a se estender, com os sírio-libaneses, seguidos dos japoneses, em 1923, e outras nacionalidades em menor escala, como espanhóis, portugueses, suíços, russos, poloneses (ou polacos), franceses, a partir de 1950.

São Caetano, Diadema Mauá e Rio Grande da Serra não informaram os dados.



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Tradição portuguesa é mantida em São Bernardo

Família Borges chegou ao Brasil em 1949 e criou raízes, no entanto, faz questão de conservar costumes de Portugal

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

02/12/2018 | 07:00


 O Grande ABC, assim como a maior parte do País, foi colonizado principalmente por imigrantes europeus. Entre as cidades e famílias, há histórias e memórias guardadas sobre viagens e tradições. É o caso da família Borges, de São Bernardo. Oriundos de Portugal, os irmãos Álvaro, 74 anos, e Áida, 72, desembarcaram no Brasil, no porto de Santos, em 1949. Embora tenham chegado em solo brasileiro há 69 anos, a dupla ainda mantém vivos os costumes portugueses.

Saudosista, Álvaro guarda fotos da casa onde nasceu, em solo português, o retrato do primeiro dia da família no Brasil, escultura que reproduz a residência portuguesa, além da carteira que o pai usava. Já Áida guarda uma relíquia: a imagem de Santo Antônio que foi do avô.

Quando imigraram, os irmãos ainda eram bem novos. Álvaro tinha apenas 5 anos e Áida, 3. Embora tenham poucas memórias da viagem – que durou 15 dias –, eles guardam o documento de imigração e imagens de pessoas com as quais conviveram no navio Cerpa Pinto, que após servir a guerra, tornou-se meio de transporte de passageiros.

Nascidos no Arquipélago de Açores, na pequena Ilha de São Miguel, Álvaro e Áida embarcaram junto dos pais rumo ao Brasil em busca de vida melhor. “Na nossa ilha era tudo muito simples, plantávamos para comer. Nosso pai veio ao Brasil para crescer na vida e ter um futuro, mas ralou muito”, relembrou o irmão.

O avô dos dois exportava leite. Dessa forma, mantinha chácara no Vale do Anhangabaú, na Capital, onde fez pasto de vacas no Brasil. Ele ficava cerca de dois anos em cada País – Brasil e Portugal – e, com isso, parte dos filhos nasceu em solo brasileiro. O pai dos irmãos Borges, Eduíno, foi um dos que nasceu português. “Viemos (para o Brasil) legalmente, por meio de carta enviada por uma das nossas tias brasileiras. Quando chegamos, ficamos na casa dela até que meu pai encontrasse emprego”, contou Áida.

Embora os imigrantes tivessem dificuldade com a adaptação em solo brasileiro, principalmente em relação à moradia e emprego, a família batalhou e conseguiu conquistar patrimônio. Hoje, os irmãos, sempre que podem, vão até a terra natal visitar os parentes.

Já Márcia Borges, 59, é a caçula da família. Nasceu no Brasil, mas segue os costumes familiares. “Adoramos comer bem”, brinca, quando refere-se à batata na alimentação. Os irmãos Borges seguiram o exemplo do pai e até hoje trabalham como feirantes. Emocionado, Álvaro diz que mesmo com as dificuldades, sempre foram felizes e unidos.

REGIÃO
Ontem foi comemorado o Dia Nacional do Imigrante. O cenário regional em relação ao tema mudou nos últimos anos, tendo em vista que, ao invés da chegada de europeus, atualmente é comum a imigração de haitianos, venezuelanos e demais refugiados de países emergentes.

Em Santo André, por exemplo, atualmente o número de imigrantes assistidos é de 348, segundo o CadÚnico (Cadastro Único) de novembro. As origens variam entre haitianos, bolivianos, venezuelanos, entre outros. A Prefeitura identificou volume maior de imigrantes a partir de 2015.

São Bernardo conta com total de 5.446 imigrantes, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2010.

Já em Ribeirão Pires há registro de imigrantes desde 1888, com a chegada dos italianos – havia 173 famílias italianas da religião católica. A partir de 1889, chegaram os alemães, com 16 famílias. Em seguida, os austríacos, em 1893, se mudaram para a cidade. Já a partir de 1904 o perfil começou a se estender, com os sírio-libaneses, seguidos dos japoneses, em 1923, e outras nacionalidades em menor escala, como espanhóis, portugueses, suíços, russos, poloneses (ou polacos), franceses, a partir de 1950.

São Caetano, Diadema Mauá e Rio Grande da Serra não informaram os dados.

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