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Desafios econômicos ao próximo presidente


Anderson dos Santos*

22/09/2018 | 07:04


Estamos a 15 dias das eleições mais importantes desde a redemocratização nos anos 1980. Os rumos que o País tomará para a próxima década começarão a ser decididos a partir do dia 7 de outubro. O cenário é altamente conturbado e imprevisível, gerando fortes impactos no câmbio e nas expectativas dos agentes econômicos. O fato é que, independentemente do candidato que saia vitorioso destas eleições, não se poderá negligenciar as medidas necessárias para equilibrar as contas públicas nos próximos anos, muito menos as políticas estratégicas para colocar o Brasil na rota do crescimento sustentável. Caso contrário, teremos anos difíceis pela frente.

Não é segredo que a economia brasileira mergulhou em um abismo que parece não ter fim. Desde 2014, apresentamos dificuldades para engrenar crescimento sólido. Mesmo com a menor taxa Selic da história (6,5% ao ano), os níveis de investimentos ainda estão baixos, a taxa de desemprego é alarmante, a confiança dos empresários e consumidores está abalada, e as contas públicas continuam, pelo quinto ano consecutivo, deficitárias.

Como reverter este quadro? O que fazer para crescermos a taxas mais altas? Esse será o grande desafio do próximo presidente e da equipe econômica que lhe acompanhar.

Não restam dúvidas de que as contas públicas são a prioridade no curto prazo. Os gastos cresceram assombrosamente nos últimos 15 anos, movimento causado principalmente pelo aumento das despesas previdenciárias. O atual regime de repartição não é mais eficiente diante de cenário demográfico com alta expectativa de vida, sem contar os privilégios usufruídos pelo Judiciário e pelo Legislativo. Inevitavelmente, o governo seguinte precisará estancar essa sangria para equilibrar as contas públicas. Só então o Estado poderá fomentar o crescimento econômico, principalmente no que tange a obras de infraestrutura, visando mitigar o alto custo Brasil, que abrange desde problemas estruturais até diversas dificuldades impostas pela burocracia brasileira.

Outro imbróglio que se terá pela frente é o dilema enfrentado pelos caminhoneiros diante dos aumentos no preço do combustível. No fim do mês de maio passamos por momento crítico, com a paralisação dos caminhoneiros em decorrência dos constantes aumentos no preço do diesel desde a nova política de preços da Petrobras. Isso impactou consideravelmente os custos dos transportes, reduzindo os ganhos da classe. As soluções adotadas pelo atual governo para resolver essa situação só fizeram surgir novos impasses e distorções em outros setores da economia. O receio de novas paralisações, ainda neste ano, tem deixado os empresários apreensivos, o que reduz o nível de confiança na atividade econômica, prejudicando seu desempenho. O presidente eleito precisará encontrar meios de solucionar essa questão sem que a sociedade seja mais onerada para isso.

Outro ponto bastante relevante é a questão da insegurança jurídica e os péssimos números da Segurança pública. A insegurança jurídica inibe o investimento, e a falta de clareza das ‘regras do jogo’ prejudica nossa economia. Ademais, os chocantes números de homicídios no País (cerca de 60 mil por ano) também trazem sobre si seus efeitos negativos. Segundo estudo da Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo federal, a morte de jovens brasileiros tem impacto direto na produtividade econômica do País. Para cada jovem de 13 a 25 anos que é assassinado, perdemos cerca de R$ 550 mil. Estima-se que desde 1996, esse número já alcance mais de meio trilhão de reais. A Segurança pública tem sido custosa para a sociedade, ainda assim, os índices só pioram ano a ano. O próximo governo terá a missão de diminuir esses números e melhorar o ambiente jurídico, a fim de atrair novos investimentos e gerar a sensação de um País minimamente seguro.

Após equilibrar as contas públicas e as variáveis que dificultam o avanço do País, precisamos convergir para uma política que permita o crescimento econômico de longo prazo. Uma simplificação tributária aliada ao fomento da quarta revolução industrial, com melhorias na Educação básica, são ações que teriam grande efeito na produtividade e competitividade da economia brasileira. O setor financeiro também precisa sofrer alterações. Historicamente, o Brasil possui altas taxas de juros, o que desestimula o consumo, os investimentos e a inovação tecnológica. Um dos caminhos para se tentar reduzir as altíssimas taxas de juros praticadas pelo mercado seria diminuir a concentração bancária e estimular o surgimento e desenvolvimento de empresas de tecnologia do setor financeiro, as chamadas fintechs.

Parece haver consenso entre os economistas no diagnóstico dos sintomas apresentados pela economia brasileira, apesar de, por vezes, receitarem medidas diferentes para estes problemas. Os desafios são enormes, porém, possuímos plenas condições de suplantá-los. É necessário, no entanto, políticas que garantam o desenvolvimento da economia brasileira com o aumento da renda per capita e a diminuição da desigualdade social.


* Graduando do curso de Ciências Econômicas da Universidade Metodista de São Paulo. 



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Desafios econômicos ao próximo presidente

Anderson dos Santos*

22/09/2018 | 07:04


Estamos a 15 dias das eleições mais importantes desde a redemocratização nos anos 1980. Os rumos que o País tomará para a próxima década começarão a ser decididos a partir do dia 7 de outubro. O cenário é altamente conturbado e imprevisível, gerando fortes impactos no câmbio e nas expectativas dos agentes econômicos. O fato é que, independentemente do candidato que saia vitorioso destas eleições, não se poderá negligenciar as medidas necessárias para equilibrar as contas públicas nos próximos anos, muito menos as políticas estratégicas para colocar o Brasil na rota do crescimento sustentável. Caso contrário, teremos anos difíceis pela frente.

Não é segredo que a economia brasileira mergulhou em um abismo que parece não ter fim. Desde 2014, apresentamos dificuldades para engrenar crescimento sólido. Mesmo com a menor taxa Selic da história (6,5% ao ano), os níveis de investimentos ainda estão baixos, a taxa de desemprego é alarmante, a confiança dos empresários e consumidores está abalada, e as contas públicas continuam, pelo quinto ano consecutivo, deficitárias.

Como reverter este quadro? O que fazer para crescermos a taxas mais altas? Esse será o grande desafio do próximo presidente e da equipe econômica que lhe acompanhar.

Não restam dúvidas de que as contas públicas são a prioridade no curto prazo. Os gastos cresceram assombrosamente nos últimos 15 anos, movimento causado principalmente pelo aumento das despesas previdenciárias. O atual regime de repartição não é mais eficiente diante de cenário demográfico com alta expectativa de vida, sem contar os privilégios usufruídos pelo Judiciário e pelo Legislativo. Inevitavelmente, o governo seguinte precisará estancar essa sangria para equilibrar as contas públicas. Só então o Estado poderá fomentar o crescimento econômico, principalmente no que tange a obras de infraestrutura, visando mitigar o alto custo Brasil, que abrange desde problemas estruturais até diversas dificuldades impostas pela burocracia brasileira.

Outro imbróglio que se terá pela frente é o dilema enfrentado pelos caminhoneiros diante dos aumentos no preço do combustível. No fim do mês de maio passamos por momento crítico, com a paralisação dos caminhoneiros em decorrência dos constantes aumentos no preço do diesel desde a nova política de preços da Petrobras. Isso impactou consideravelmente os custos dos transportes, reduzindo os ganhos da classe. As soluções adotadas pelo atual governo para resolver essa situação só fizeram surgir novos impasses e distorções em outros setores da economia. O receio de novas paralisações, ainda neste ano, tem deixado os empresários apreensivos, o que reduz o nível de confiança na atividade econômica, prejudicando seu desempenho. O presidente eleito precisará encontrar meios de solucionar essa questão sem que a sociedade seja mais onerada para isso.

Outro ponto bastante relevante é a questão da insegurança jurídica e os péssimos números da Segurança pública. A insegurança jurídica inibe o investimento, e a falta de clareza das ‘regras do jogo’ prejudica nossa economia. Ademais, os chocantes números de homicídios no País (cerca de 60 mil por ano) também trazem sobre si seus efeitos negativos. Segundo estudo da Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo federal, a morte de jovens brasileiros tem impacto direto na produtividade econômica do País. Para cada jovem de 13 a 25 anos que é assassinado, perdemos cerca de R$ 550 mil. Estima-se que desde 1996, esse número já alcance mais de meio trilhão de reais. A Segurança pública tem sido custosa para a sociedade, ainda assim, os índices só pioram ano a ano. O próximo governo terá a missão de diminuir esses números e melhorar o ambiente jurídico, a fim de atrair novos investimentos e gerar a sensação de um País minimamente seguro.

Após equilibrar as contas públicas e as variáveis que dificultam o avanço do País, precisamos convergir para uma política que permita o crescimento econômico de longo prazo. Uma simplificação tributária aliada ao fomento da quarta revolução industrial, com melhorias na Educação básica, são ações que teriam grande efeito na produtividade e competitividade da economia brasileira. O setor financeiro também precisa sofrer alterações. Historicamente, o Brasil possui altas taxas de juros, o que desestimula o consumo, os investimentos e a inovação tecnológica. Um dos caminhos para se tentar reduzir as altíssimas taxas de juros praticadas pelo mercado seria diminuir a concentração bancária e estimular o surgimento e desenvolvimento de empresas de tecnologia do setor financeiro, as chamadas fintechs.

Parece haver consenso entre os economistas no diagnóstico dos sintomas apresentados pela economia brasileira, apesar de, por vezes, receitarem medidas diferentes para estes problemas. Os desafios são enormes, porém, possuímos plenas condições de suplantá-los. É necessário, no entanto, políticas que garantam o desenvolvimento da economia brasileira com o aumento da renda per capita e a diminuição da desigualdade social.


* Graduando do curso de Ciências Econômicas da Universidade Metodista de São Paulo. 

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