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Cara de pau à moda da casa


Rodolfo de Souza

19/07/2018 | 07:00


 Em meio a muita pompa, discursaram os dois reis do mundo. De um lado, o grande urso branco com seu exuberante topete. Do outro, o homem do frio, com topete não tão proeminente, embora da mesma forma topetudo nos assuntos que dizem respeito ao seu país e aos demais que mantém debaixo das botas.

Falou, pois, o chefe supremo do país da Copa, e sua retórica, tocante, destoou um pouco do seu semblante gelado, sobretudo, a partir do momento em que usou e abusou da palavra cooperação, conversa fiada deveras utilizada em encontros de chefes de estado. Citou, inclusive, a guerra, que chama de regional, travada na Síria. Declarou mesmo como sendo regional um conflito que dizimou milhares de pessoas e expulsou outros milhares para terras européias, tragédia que envolve tantas nações. Como se não soubesse, o mundo, que fora ele quem supre de armamentos o ditador tirano que se recusa a deixar o trono. Que seus aviões despejaram toneladas de bombas, matando e fazendo brotar, nos corações sobreviventes, desejo desesperado de cair fora.

Mas insistiu ele em dizer que se desdobrará em esforços para, junto com a grande nação imperialista do Ocidente, levar a cabo a intenção mútua de botar fim na guerra, ajudar na reconstrução do país e, assim, permitir que sua população ainda viva possa voltar para um lugar de paz. Comovente!

O urso branco, aquele do topete, assentia com o gesto afirmativo de cabeça, enquanto ouvia o outro. Também fazia muxoxo e caretas que, por certo, querem dizer alguma coisa. Talvez confirmar sua posição de austeridade frente às situações consideradas graves pela comunidade internacional. Logicamente que, num encontro tão importante, assistido pelos povos do planeta em tempo real, não teria cabimento se lembrar do armamento que fornece aos rebeldes do país em chamas, para que consigam deitar por terra o regime. Não que eu esteja a favor da tirania, mas sabemos dos seus interesses pela região, motivos que o levam a torrar bilhões de dólares numa disputa acirrada com o homem ali ao seu lado, num jogo que tem como tabuleiro justamente o país mergulhado na guerra civil.

E seguiu discursando o sujeito do frio, tocando, em seguida, no delicado e polêmico assunto das eleições que conduziram o grande urso branco ao poder, lá em terra imperialista. Reiterou, pois, o que vem dizendo sobre não ter tido qualquer participação no pleito daquele imenso território. Até porque, é questão doméstica que não lhe diz respeito, ora pois!

Falou e falou o homem do frio, destacando a sua intenção de parceria com o colega para que, juntos, possam tornar este mundo melhor, mais justo.

Na sua vez de discursar, o grande urso mais enrolou do que falou. A clássica embromação à moda tupinambá o levou ainda a tropeçar no próprio idioma ao dizer que não havia motivo para desconfiar do colega do frio, ali presente, no tocante às eleições de seu país. Se ele disse que não interveio na questão, por que desacreditá-lo?

Com relação ao tropeço na língua, foi a justificativa que deu à imprensa quando cobrado pela defesa que fez do outro. Meteu-se, pois, numa saia justa com a mídia, com o serviço secreto de sua nação e com os próprios correligionários, ao declarar sua confiança na afirmação do grande chefe da Copa. Foi então que se desculpou de forma esfarrapada, dizendo que escorregou nas palavras e deu a entender algo que não dissera. Lembra até um candidato à Presidência do meu País, que vive dizendo coisas e, quando interpelado, diz sempre que foi mal compreendido.



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