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Retração do PIB e reflexo aos cidadãos


Sandro Maskio*

05/05/2018 | 07:23


Caros leitores, retomando a avaliação da trajetória do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, proponho refletirmos sobre seus efeitos aos cidadãos. Quando tomamos conhecimento sobre o crescimento da economia do País, que nos informa qual foi a variação da produção, a princípio este dado parece distante do nosso dia a dia.

Entretanto, quando nos é apresentada a variação da produção, seja para mais ou para menos, tomamos conhecimento sobre o montante de riqueza produzida no Brasil, que pode ter sido maior ou menor do que no período anterior. O montante de riqueza se concretiza na geração de renda da economia, distribuída internamente sob a forma de salários, lucros, recebimento de juros e aluguéis. Ou seja, quando há alteração do volume de produção, há a mudança do volume de renda gerada e distribuída na economia, segundo os canais criados pelas relações estabelecidas no mercado.

Se tomarmos a variação real do PIB entre 2010 e 2017, que desconsidera o efeito da variação dos preços, a geração de produção no Brasil, e consecutivamente de renda, elevou-se 10,9% nesse período, uma taxa de crescimento anual médio de apenas 1,3% ao ano – mesmo considerando os auspiciosos crescimentos de 7,5% e 4 % em 2010 e 2011.

Levando em conta o mesmo período, o PIB per capita – calculado pela relação entre volume do PIB e população, que nos traz um indicador do montante de riqueza produzida por habitante – apresentou elevação de 3,5%. Levem em conta que o crescimento da população interfere neste indicador. O crescimento anual, portanto, foi de apenas 0,43 % ao ano, o que nos permite observar que a riqueza produzida por habitante no Brasil tem crescido a taxas muito menores.

Se considerarmos apenas o período entre 2014 e 2017, caracterizado pela recente retração econômica do País, o PIB diminuiu 5,47% e o PIB per capita reduziu-se em 8,5%. Entretanto, temos que considerar que a redução de 8,5% da renda por habitante no período não afetou todos os indivíduos igualmente na economia. Certamente encontraremos quem teve acréscimo de renda e outros que tiveram redução mais intensa.

Exemplo desse efeito é observado no mercado de trabalho. Entre o fim de 2014 e de 2017, a taxa de desemprego elevou-se de aproximadamente 6,5% para 12% da PEA (População Economicamente Ativa). Os dados da pesquisa de desemprego nos mostram que jovens e mulheres têm se defrontado como taxa de desocupação maior, assim como brasileiros com nível de qualificação não adequada ao novo perfil demandado pelos empregadores. Estes grupos têm sofrido comparativamente mais com a queda de renda dos últimos anos. Esse comportamento se diferencia quando comparamos diferentes regiões do País ou Estado.

Então, quando tivermos acesso à informação de que houve crescimento econômico ou recessão, temos que observar que não se trata apenas de um indicador de desempenho da economia, mas que haverá impactos para os cidadãos, seja para melhorar ou corroer a qualidade de vida. 


* Coordenador de estudos do Observatório Econômico da Faculdade de Administração e Economia da Metodista



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Retração do PIB e reflexo aos cidadãos

Sandro Maskio*

05/05/2018 | 07:23


Caros leitores, retomando a avaliação da trajetória do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, proponho refletirmos sobre seus efeitos aos cidadãos. Quando tomamos conhecimento sobre o crescimento da economia do País, que nos informa qual foi a variação da produção, a princípio este dado parece distante do nosso dia a dia.

Entretanto, quando nos é apresentada a variação da produção, seja para mais ou para menos, tomamos conhecimento sobre o montante de riqueza produzida no Brasil, que pode ter sido maior ou menor do que no período anterior. O montante de riqueza se concretiza na geração de renda da economia, distribuída internamente sob a forma de salários, lucros, recebimento de juros e aluguéis. Ou seja, quando há alteração do volume de produção, há a mudança do volume de renda gerada e distribuída na economia, segundo os canais criados pelas relações estabelecidas no mercado.

Se tomarmos a variação real do PIB entre 2010 e 2017, que desconsidera o efeito da variação dos preços, a geração de produção no Brasil, e consecutivamente de renda, elevou-se 10,9% nesse período, uma taxa de crescimento anual médio de apenas 1,3% ao ano – mesmo considerando os auspiciosos crescimentos de 7,5% e 4 % em 2010 e 2011.

Levando em conta o mesmo período, o PIB per capita – calculado pela relação entre volume do PIB e população, que nos traz um indicador do montante de riqueza produzida por habitante – apresentou elevação de 3,5%. Levem em conta que o crescimento da população interfere neste indicador. O crescimento anual, portanto, foi de apenas 0,43 % ao ano, o que nos permite observar que a riqueza produzida por habitante no Brasil tem crescido a taxas muito menores.

Se considerarmos apenas o período entre 2014 e 2017, caracterizado pela recente retração econômica do País, o PIB diminuiu 5,47% e o PIB per capita reduziu-se em 8,5%. Entretanto, temos que considerar que a redução de 8,5% da renda por habitante no período não afetou todos os indivíduos igualmente na economia. Certamente encontraremos quem teve acréscimo de renda e outros que tiveram redução mais intensa.

Exemplo desse efeito é observado no mercado de trabalho. Entre o fim de 2014 e de 2017, a taxa de desemprego elevou-se de aproximadamente 6,5% para 12% da PEA (População Economicamente Ativa). Os dados da pesquisa de desemprego nos mostram que jovens e mulheres têm se defrontado como taxa de desocupação maior, assim como brasileiros com nível de qualificação não adequada ao novo perfil demandado pelos empregadores. Estes grupos têm sofrido comparativamente mais com a queda de renda dos últimos anos. Esse comportamento se diferencia quando comparamos diferentes regiões do País ou Estado.

Então, quando tivermos acesso à informação de que houve crescimento econômico ou recessão, temos que observar que não se trata apenas de um indicador de desempenho da economia, mas que haverá impactos para os cidadãos, seja para melhorar ou corroer a qualidade de vida. 


* Coordenador de estudos do Observatório Econômico da Faculdade de Administração e Economia da Metodista

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