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Exorcize-se

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Filme entra na Netflix em 86 países e conta
com participação de produtores do Grande ABC


Karine Manchini

18/09/2017 | 07:00


 Em rua antiga no bairro Freguesia do Ó, na Capital, existe casa de fachada bonita que lembra confortável moradia de campo. Os móveis de madeira antiga arranhados pelo tempo, as várias imagens tétricas de santos e a pouca iluminação, que pisca freneticamente, revelam que o local, na verdade, não é tão bucólico assim. Serviria perfeitamente para cenário de filme de terror. E caiu como uma luva (tipo a do Freddy Krueger) para a gravação do longa-metragem Diário de Um Exorcista – Zero, que se tornou a primeira produção de terror brasileira a entrar na Netflix e ser transmitida para 86 países. O filme, inspirado em fatos reais, conta trauma familiar de Lucas Vidal, que se torna sacerdote para combater o mal. Durante sessão de exorcismo o padre enfrentará o próprio diabo.

A ideia surgiu quando Renato Siqueira, cineasta de São Paulo, acordou assustado com os gritos que vinham da televisão e pertenciam a Regan MacNeil, do clássico O Exorcista. A partir deste momento tudo mudou. “Fiz pesquisa rápida na hora e descobri que não tinha no Brasil nenhuma obra literária, nada referente ao gênero e nenhum longa-metragem sobre o assunto. Foi quando expliquei o projeto ao produtor Beto Perocini, ele deve ter me achado doido (risos)”, contou à equipe de reportagem do Diário, que visitou a tal casa sinistra.

Perocini, de Diadema, não pensou duas vezes ao aceitar o convite. Os dois já haviam trabalhado juntos em curta-metragem que fizeram em Santo André e Perocini estava terminando curso de Cinema na Escola Livre de Cinema. “Em 2011, o esboço do roteiro começou a ser criado e as ideias foram fluindo. Surgiu saga sobre os padres Lucas Vidal, Pedro e Thomas Biaggio. Siqueira fez o roteiro pensando em situações, prevendo lugares que poderiam ser usados como locação.”

Produzir arte independente não é fácil, então a ordem foi economizar. Os amigos usaram investimentos próprios e contaram com ajuda de doações e colaboradores que simpatizaram com o projeto. Renato e Beto usaram efeitos visuais no lugar de maquiagens e buscaram gravar em locais de fácil acesso. A partir dai surgiu a ideia de usar a casa do avô de Renato, um dos imóveis mais antigos da Freguesia do Ó. “Minha avó morreu e meu avô morava sozinho. Ele nunca se impôs sobre as gravações, mas, infelizmente, não chegou a ver a gente terminar o projeto. Morreu quando estávamos na pós-produção”.

Em 2012, a dupla decidiu colocar o trailer do longa no YouTube para que pudesse chamar atenção. O vídeo fez sucesso e alcançou a margem de 1 milhão de visualizações em poucos meses de postagem. Assinaram contrato com a Europa Filmes e, juntos, conseguiram colocar o filme em plataformas digitais como Net Now, Google Play e iTunes. Depois de oito meses de contrato, pensaram em pleitear a produção em pacotes de TV a cabo. As distribuidoras parceiras tentaram a venda do produto com a Netflix. A empresa analisou o longa e chamou os responsáveis para uma reunião em Miami. “Não pegamos o telefone e ligamos para eles (Netflix), isso seria impossível. Foram vendas feitas por agentes e distribuidoras. Nós estávamos participando de um pacote com dez filmes e concorrendo com longas de qualidade da Warner Bros., títulos de grandes investimentos. Nós fomos os escolhidos”, conta Perocini. Diário de Um Exorcista – Zero estreou no começo de agosto traduzido em seis idiomas.

Depois do sucesso do longa, a dupla decidiu fazer trilogia para lançar nas telonas. O primeiro filme, Diário de um Exorcista I Gêneses do Mal, deve chegar aos cinemas em 2018. Desta vez, a produção não será independente. Contará com verbas e contrato com a Europa Filmes.

ROTEIRO QUE VIROU LIVRO
Entre idas e vindas para Diário de um Exorcista – Zero sair do papel e virar filme, Renato Siqueira esbarrou com o escritor de São Caetano Luciano Milici durante um trabalho que fizeram juntos. Assim surgiu outra ideia: transformar o roteiro em obra literária. Nasceu, então, Diário de um Exorcista (Editora Generale, 256 págs., R$ 40, em média).

Além de participar do livro, Milici estará no roteiro da trilogia a ser lançada nas telonas. “O filme estava em estágio embrionário, mas tinha elementos assustadores que poderiam gerar livro se mais conteúdo fosse adicionado. Então, sugeri trazer realismo à produção e propus versão literária. É como brincamos: Renato me leva ao audiovisual e eu o trago à literatura”, explica Milici.

 

Produções de terror fazem sucesso entre brasileiros
Filmes de terror e suspense são assustadores para alguns, porém, para outros, o gênero é o ‘queridinho’ do momento. Vários títulos lançados nos últimos meses figuram os primeiros lugares de procura nos cinemas de todo o mundo, incluindo os do Brasil. Estão em cartaz Amityille – O Despertar, Annabelle 2 – A Criação do Mal e It A Coisa. Este último – baseado no livro homônimo de Stephen King – quebrou recordes na semana de estreia nas bilheterias brasileiras, desbancando o Invocação do Mal 2 e superando a marca de R$ 18 milhões em bilheteria no primeiro fim de semana.

Para alguns, as produções brasileiras não alcançam tanto sucesso, mas o fato é que mais apostas surgem a cada dia. Em maio, O Rastro, por exemplo, trouxe suspense com toques de realidade. “O gênero agrada por aqui. O desafio é como levar o espectador a conhecer o universo das produções nacionais”, explica o produtor e roteirista do filme, André Pereira.

Outro grande destaque que chega aos cinemas no fim da ano ou começo de 2018 é As Boas Maneiras, que ganhou prêmio especial do júri no 70º Festival de Locarno na Suíça.



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