Fechar
Publicidade

Segunda-Feira, 6 de Dezembro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

setecidades@dgabc.com.br | 4435-8319

A grande muralha, enfim, é vencida


Ademir Medici

20/08/2017 | 07:11


 Domar a grande muralha no limite entre o Litoral e o planalto foi um desafio de séculos. E a usina da Light na Serra do Mar, com suas escavações, tecnologia, barragens e obras de arte, sintetiza trabalho que envolveu alguns milhares de personagens que vão dos primitivos indígenas estabelecidos desde antes da descoberta do Brasil até os técnicos modernistas e anônimos que levaram adiante os projetos e sonhos de ilustres como Asa White Kenney Billings e Henry Borden.
A Grande Muralha – título do romance de 1954 de Diná Silveira de Queirós, que virou até novela da Globo – deu-se por vencida, depois de muitas etapas.
Os pioneiros exploradores venceram a Serra do Mar arrastando-se, sustentando-se em raízes e troncos de árvores, até a formação dos primeiros caminhos. A complexidade das obras de arte para gerar energia elétrica em Cubatão, então bairro de Santos, tem início em 1925.
Foi naquele ano em que se iniciou a construção da Usina Henry Borden pela extinta Light. A empresa de capital canadense vinha fornecendo energia elétrica a São Paulo desde 1900. E era cobrada: crescia a Capital, a eletricidade falhava para tocar a locomotiva ávida por empreendimentos industriais.
Uma grande seca se abateu em 1924. Faltou água. Não era mais possível adiar a construção de uma hidrelétrica, tarefa entregue ao engenheiro norte-americano Billings. Uma equipe foi formada. Alguns nomes daqueles técnicos morreram por aqui. Há jazigos no Cemitério da Vila Euclides, em São Bernardo, com os seus corpos e legendas em inglês. Mas o certo é que a grande sacada foi fazer a reversão de rios.
O Rio Grande, que nasce em Paranapiacaba e atravessa todo o Grande ABC – as tais áreas chamadas de mananciais –, teve seu curso invertido. O Pinheiros também. O Tietê igualmente. Toda bacia hídrica dos rios Grande, Pequeno e das Pedras, e seus afluentes formam o grande lago, que começa a ganhar forma em 1927.
E dá-lhe: estações elevatórias, canais, túneis e tubulações adutoras. E tudo ocorre muito rapidamente. A Usina de Cubatão, ou Usina da Light, e, desde 1964, Usina Henry Borden, é inaugurada em 10 de outubro de 1926.
Entre as fotos do complexo da Usina da Light feitas em 1957 pelo repórter-fotográfico Beltran Asêncio, que foi colaborador do Diário, até as imagens deslumbrantes captadas pelo repórter-fotográfico André Henriques, do Diário, 60 anos depois, observa-se que a engenharia de Billings não afetou, de morte, a exuberante vegetação da Serra do Mar. E o projeto quase centenário que mexeu literalmente com a natureza no quintal do Grande ABC, e que foi chamado de um dos maiores do mundo em sua época, hoje aí está, testemunha ocular de um feito que domou a grande muralha.



Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;