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Desigualdade no mercado de trabalho


Moisés Santos
Diego Rodrigues
Érica Moreira*

27/05/2017 | 07:22


Apesar dos grandes avanços dos meios de comunicação e das inovações tecnológicas no início do atual século, enormes desigualdades sociais desafiam os governantes em diversas partes do mundo. A diferença salarial entre homens e mulheres está presente na maioria dos países. As sociedades mais igualitárias, estabelecidas na primeira metade do século passado, implementaram políticas públicas avançadas para o bem-estar da população, incorporando a igualdade como meta.

Os trabalhos exercidos por mulheres em séculos passados ocorriam basicamente nos lares. A sociedade enxergava a mulher como sendo a responsável pelos afazeres domésticos, com tarefas de manutenção/organização do lar e dedicação em período integral à criação dos filhos. Cabia ao homem a missão de prover o lar. A participação ativa dos movimentos feministas paralelamente ao desenvolvimento econômico colaborou para que o papel da mulher na sociedade sofresse grandes mudanças.

A inserção cada vez mais intensa e a crescente participação feminina no mercado de trabalho deveriam diminuir o diferencial de salários entre homens e mulheres. Estatísticas oficiais do Brasil sugerem que as mulheres dedicam mais tempo aos estudos que os homens. No entanto, essa condição de maior escolaridade não tem sido capaz de reverter as desigualdades, seja no âmbito salarial ou na inserção a postos de maior poder e decisão. Os avanços na questão da equidade tendem a ocorrer quando a mulher passa a ocupar postos mais qualificados e, também, aqueles de predominância masculina, como, por exemplo, os de executivo, engenheiro, mecânico, motorista, entre outros.

No Grande ABC, conforme dados da PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) das instituições Seade/Dieese/MTE, em 2010 a taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho era equivalente a aproximadamente 44% do total de trabalhadores, enquanto a dos homens estava em torno de 56%. Em 2015, as mulheres aumentaram timidamente a participação para 46% e os homens recuaram para 54% a presença no total de empregos da região. Em 2010, as mulheres representavam aproximadamente 59% do total de pessoas desempregadas. Já em 2015, esse percentual diminuiu para 49%, confirmando a tendência de inserção das mulheres no mundo do trabalho.

Durante esse mesmo período, a média salarial das mulheres permaneceu abaixo da calculada para os homens. A razão entre o salário da mulher e o do homem sugere que em 2010 a mulher ganhava, em média, 67% do salário do homem. Em 2015, enquanto o homem recebia aproximadamente R$ 2.500, o rendimento da mulher estava pouco abaixo de R$ 1.800 – o que corresponde a cerca de 72% do salário do homem. Comparando a razão de salários nesses dois momentos diferentes, constata-se uma tímida amenização da desigualdade de gênero.

Os dados para o Grande ABC sinalizam a existência de discriminação por gênero no mercado de trabalho. Apesar da desvantagem da mulher no que tange à sua participação no mundo do trabalho e ao seu rendimento médio, verifica-se a possibilidade de convergência salarial a longo prazo no que tange à questão do gênero. O ritmo dessa convergência dependerá da dinâmica do mercado, da estrutura familiar e também das políticas públicas voltadas à redução da discriminação da mulher no trabalho. 


* Respectivamente, economista e professor, aluno e ex-aluna do curso de Ciências Econômicas da Universidade Metodista de São Paulo



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Desigualdade no mercado de trabalho

Moisés Santos
Diego Rodrigues
Érica Moreira*

27/05/2017 | 07:22


Apesar dos grandes avanços dos meios de comunicação e das inovações tecnológicas no início do atual século, enormes desigualdades sociais desafiam os governantes em diversas partes do mundo. A diferença salarial entre homens e mulheres está presente na maioria dos países. As sociedades mais igualitárias, estabelecidas na primeira metade do século passado, implementaram políticas públicas avançadas para o bem-estar da população, incorporando a igualdade como meta.

Os trabalhos exercidos por mulheres em séculos passados ocorriam basicamente nos lares. A sociedade enxergava a mulher como sendo a responsável pelos afazeres domésticos, com tarefas de manutenção/organização do lar e dedicação em período integral à criação dos filhos. Cabia ao homem a missão de prover o lar. A participação ativa dos movimentos feministas paralelamente ao desenvolvimento econômico colaborou para que o papel da mulher na sociedade sofresse grandes mudanças.

A inserção cada vez mais intensa e a crescente participação feminina no mercado de trabalho deveriam diminuir o diferencial de salários entre homens e mulheres. Estatísticas oficiais do Brasil sugerem que as mulheres dedicam mais tempo aos estudos que os homens. No entanto, essa condição de maior escolaridade não tem sido capaz de reverter as desigualdades, seja no âmbito salarial ou na inserção a postos de maior poder e decisão. Os avanços na questão da equidade tendem a ocorrer quando a mulher passa a ocupar postos mais qualificados e, também, aqueles de predominância masculina, como, por exemplo, os de executivo, engenheiro, mecânico, motorista, entre outros.

No Grande ABC, conforme dados da PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) das instituições Seade/Dieese/MTE, em 2010 a taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho era equivalente a aproximadamente 44% do total de trabalhadores, enquanto a dos homens estava em torno de 56%. Em 2015, as mulheres aumentaram timidamente a participação para 46% e os homens recuaram para 54% a presença no total de empregos da região. Em 2010, as mulheres representavam aproximadamente 59% do total de pessoas desempregadas. Já em 2015, esse percentual diminuiu para 49%, confirmando a tendência de inserção das mulheres no mundo do trabalho.

Durante esse mesmo período, a média salarial das mulheres permaneceu abaixo da calculada para os homens. A razão entre o salário da mulher e o do homem sugere que em 2010 a mulher ganhava, em média, 67% do salário do homem. Em 2015, enquanto o homem recebia aproximadamente R$ 2.500, o rendimento da mulher estava pouco abaixo de R$ 1.800 – o que corresponde a cerca de 72% do salário do homem. Comparando a razão de salários nesses dois momentos diferentes, constata-se uma tímida amenização da desigualdade de gênero.

Os dados para o Grande ABC sinalizam a existência de discriminação por gênero no mercado de trabalho. Apesar da desvantagem da mulher no que tange à sua participação no mundo do trabalho e ao seu rendimento médio, verifica-se a possibilidade de convergência salarial a longo prazo no que tange à questão do gênero. O ritmo dessa convergência dependerá da dinâmica do mercado, da estrutura familiar e também das políticas públicas voltadas à redução da discriminação da mulher no trabalho. 


* Respectivamente, economista e professor, aluno e ex-aluna do curso de Ciências Econômicas da Universidade Metodista de São Paulo

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