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Placas de trânsito ignoram
Trecho Sul do Rodoanel

Poucas sinalizações dentro das cidades indicam o anel
viário, apesar de ele já ter sido inaugurado há dois anos


Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

05/03/2012 | 07:00


Se depender das placas de orientação de caminhos no Grande ABC, o Trecho Sul do Rodoanel ainda não existe. Inaugurado há quase dois anos, o segmento tem 61,4 quilômetros de extensão e é fundamental na ligação do Sistema Anchieta-Imigrantes e do Porto de Santos com as rodovias que chegam à região Oeste da Grande São Paulo, como Régis Bittencourt, Raposo Tavares, Castello Branco, Anhanguera e Bandeirantes.

A equipe do Diário percorreu cerca de  70 quilômetros de vias da região em busca de placas com orientações precisas. As sinalizações foram encontradas apenas em pontos muito próximos aos trevos de acesso ao Rodoanel, como no Complexo Juscelino Kubitschek, no Centro de Mauá, e nos bairros Batistini, em São Bernardo, e Eldorado, em Diadema.

Dentro das cidades, as placas indicam como chegar às alças de acesso ao anel viário. No entanto, motoristas tendem a se confundir nos trevos de entrada para as rodovias, já que não informam em qual direção o Rodoanel está localizado.

Mesmo em vias utilizadas como rota para caminhoneiros, as informações são insuficientes. Na Avenida dos Estados, responsável pela ligação da região com a Zona Leste e o Centro da Capital, não há placas. Mesma situação é encontrada na Rodovia Índio Tibiriçá, por onde chegam a São Bernardo motoristas vindo de Ribeirão Pires e Suzano.

Na Avenida Perimetral, que liga Santo André a Mauá, são vistas diversas placas com indicação para a Vila de Paranapiacaba, mas não para o anel viário. O bairro histórico está localizado a cerca de 25 quilômetros da rodovia. Também há placas para a vila no bairro do Riacho Grande, em São Bernardo, onde também não há sinalização para a estrada.

A falta de informações acarreta  prejuízos. "Isso implica em perda de tempo e mais gasto de combustível", relata o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região, Francisco Pelúcio. Na avaliação do empresário, os acessos ao Rodoanel têm melhor sinalização na Capital. Ele promete cobrar as prefeituras do Grande ABC para que melhorem a sinalização.

A falta de placas também atinge a extensão da Avenida Jacu-Pêssego, em Mauá, inaugurada em outubro de 2010. A via dá acesso às rodovias Ayrton Senna, Presidente Dutra e Fernão Dias, além do Aeroporto Internacional de Guarulhos.

Pelas ruas da região, as placas ainda indicam o caminho antigo para as rodovias que chegam à Zona Leste. O trajeto proposto inclui as avenidas dos Estados, Juntas Provisórias, Anhaia Melo, Salim Farah Maluf e Marginal do Tietê. O itinerário, no entanto, não poderá ser feito pelos caminhoneiros em dias úteis, já que a Prefeitura de São Paulo restringiu a circulação de veículos de carga na marginal.

Sem indicação, tráfego local piora

Representantes de motoristas de caminhão avaliam que a má sinalização para o Trecho Sul do Rodoanel prejudica o trabalho e atrapalha o trânsito dentro das cidades. "Quando o caminhoneiro está perdido, tem de parar em algum lugar para perguntar como faz para chegar ao destino, ou então se perde e acaba entrando em vias menores, o que também atrapalha", avalia o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos de São Paulo, Norival de Almeida Pinto.

Almeida Pinto também aponta para o risco de acidentes. "O motorista pode ficar preocupado em se localizar e acabar perdendo a concentração ao volante."

O presidente interino do Sindicato dos Motoristas Cegonheiros de São Bernardo, Jaques Douglas Gomes, critica a falta de placas para a Jacu-Pêssego. "Pela via, fazemos o caminho até Guarulhos em pouco mais de meia hora. Pelo caminho antigo, dá duas horas e meia

Prefeituras

No que depender das Prefeituras, a região permanecerá sem indicação para o Rodoanel. As únicas cidades que prometeram aumentar a quantidade de placas são Mauá e Diadema. Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra não se manifestaram.

Em São Caetano, a justificativa da Prefeitura para a falta de informações é o fato de que o município não tem alças de acesso à Rodovia. Já Santo André atribuiu à Dersa a responsabilidade, alegando que a empresa teria prometido instalar os equipamentos. A Dersa, por sua vez, afirma que já cumpriu o planejamento.

Para a Prefeitura de São Bernardo, a responsabilidade é da Ecovias, concessionária do Sistema Anchieta-Imigrantes, e do Governo do Estado. A Ecovias informa que tem dez placas na Anchieta e 12 na Imigrantes.



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