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Sérgio Gomes da Silva passará Natal na cadeia
Gislayne Jacinto
Do Diário do Grande ABC
13/12/2003 | 19:50
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O empresário Sérgio Gomes da Silva, denunciado pelo MP (Ministério Público) como mandante do assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel (PT), vai passar o Natal e o Ano Novo na cadeia. Tudo porque os seus advogados não vão recorrer da decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que negou sexta-feira liminar que concederia o habeas-corpus para que Gomes da Silva aguardasse o julgamento em liberdade.

Adriano Sales Vanni, um dos advogados do empresário, disse sábado que a idéia é aguardar o julgamento do mérito do habeas-corpus. “Isso pode levar de 20 a 40 dias”, disse Vanni. Segundo ele, trata-se de uma estratégia, mas não quis revelar qual. “Vamos aguardar. Não temos outra coisa para fazer”, completou.

Vanni e Roberto Podval, o outro advogado do empresário, estiveram sábado na cadeia de Juquitiba, onde o empresário está preso. Foi em uma estrada no mesmo município que Celso foi encontrado morto. Os advogados chegaram no local por volta das 10h30 e permaneceram com o cliente durante meia hora.

Como todo preso – Ao ser questionado como Gomes da Silva está, o advogado disse: “ele está como todo preso se sente. Mesmo assim, ele disse que confia na Justiça e que sua inocência será reconhecida”, afirmou Vanni.

O empresário também vai continuar dividindo a cela com outros 11 presos de baixa periculosidade e que possuem nível superior. Segundo o advogado, no país não existem celas com poucos presos. “Não vamos perder tempo com isso e atrapalhar a Justiça com esse tipo de coisa”, afirmou.

A prisão preventiva de Gomes da Silva foi decretada pelo juiz Luiz Fernando Migliori Prestes, da 1ª Vara Judicial de Itapecerica da Serra. “Primariedade, bons antecedentes, residência fixa e profissão definida não elidem a decretação da custódia nesses casos, onde se evidencia uma real comoção popular, com repercussão nacional”, justificou o juiz no despacho.

O procurador da República aposentado Aristides Junqueira, que foi contratado pelo PT estadual para acompanhar as investigações que envolvem os contratos da Prefeitura de Santo André, acre-dita que a prisão do empresário não tem base legal e acha que se o caso for parar no STF (Supremo Tribunal Federal), ela será anulada. Segundo ele, quem pode fazer a investigação é a polícia e não o Ministério Público. “O Supremo tem cansado de dizer que isso não é possível. Quem faz a investigação é a polícia e não os promotores”, disse o ex-procurador.

Junqueira disse que a polícia já tinha feito a apuração por meio de inquérito e o que o Mistério Público fez foi um aditamento. “Tumultua-se o processo para no fim não dar em nada, a ação vai ser anulada, porque se trata de prova colhida indevidamente”, afirmou.

Investigações – Os promotores da Gaerco (Grupo de Atuação Especial Regional para Prevenção e Repressão ao Crime Organizado) do Grande ABC que há quase dois anos investigam o seqüestro e o assassinato do prefeito, não atuaram sábado no caso. Eles tiraram o final de semana para descansar. “Precisamos de tranqüilidade para trabalhar”, disse Roberto Wider Filho.

O promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro disse que as 16 testemunhas que foram ouvidas por eles sobre a morte do prefeito também vão depor em juízo. No dia 19, às 13h, já vão começar os interrogatórios dos réus.

Entre as testemunhas contra o empresário está o preso Aílton Alves Feitosa, que disse ter participado de uma reunião com o preso Dionísio de Aquino Severo para planejar o crime. Severo, que foi resgatado de helicóptero de uma cadeia em Guarulhos em 17 de janeiro de 2002, um dia antes do seqüestro de Celso, foi morto na cadeia poucos dias depois que disse ter informações sobre o assassinato de Celso Daniel.

Feitosa declarou que houve duas reuniões e, a segunda, realizada no dia do seqüestro (18 de janeiro de 2002), contou com a presença dele, do Dionísio, o filho e a mulher, duas pessoas cujos apelidos eram Bola e Teco, além de cinco pessoas, sendo que não se pode revelar os nomes de três delas a pedido dos promotores e outras duas que não conhecia.

O promotor Reinaldo Guimarães disse que foi solicitada a descrição das duas pessoas que o preso desconhecia, mas o Gaerco não chegou até elas. “Ele (Feitosa) disse que uma delas era bexiguenta, um termo usado para dizer que trata-se de um rosto cheio de cicatrizes provocadas por espinhas”, afirmou.




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