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Impasse na Karmann envolve trineto de Dom Pedro II

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Príncipe Eudes de Orleans e Bragança alega não
ter recebido o pagamento pela venda de fábrica


Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

20/04/2016 | 07:25


Quem acompanha o drama vivido pelos 330 funcionários da Karmann Ghia, cuja sede fica em São Bernardo, nem imagina que as origens dos problemas enfrentados pela empresa remetem ao período do Brasil Imperial, que teve início em 1822 e foi até 1889. A companhia está com sérias dificuldades financeiras e corre o risco de fechar as portas caso não seja vendida ainda neste ano.

Na Jucesp (Junta Comercial do Estado de São Paulo) consta como proprietário da Karmann Ghia o príncipe Eudes Maria Regnier Pedro José de Orleans e Bragança, que é trineto do imperador Dom Pedro II e bisneto da Princesa Isabel.

Dom Eudes entrou na Karmann Ghia como sócio da G Brasil Participações Ltda, que foi admitida na sociedade da fabricante de autopeças em março de 2010, com valor de participação de R$ 78,1 milhões. Em 2013, G Brasil retirou-se da sociedade e a ILP Participações foi admitida no controle acionário da Karmann Ghia, com R$ 99,9 milhões. A ILP saiu do negócio no ano seguinte.

As duas firmas, entretanto, são integradas ao mesmo grupo empresarial, já que, conforme a Jucesp, têm como sócio em comum o empresário Jonas Hipólito de Assis. O príncipe, então, em 2014, passou a constar como único dono da empresa, com capital de R$ 100 milhões.

Ainda naquele ano, segundo processo que corre no TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), dom Eudes assinou contrato de venda da Karmann para Maristela Astorri Nardini, que responde a diversas ações de execução final. Constam nos autos que Maristela “deixou de honrar o pagamento da parcela com vencimento para agosto de 2014 e das demais que foram ajustadas no contrato”. Por esse motivo, a defesa do príncipe requereu a destituição da compradora da administração da empresa “em razão dos atos de má gestão, bem como pelo inadimplemento do preço ajustado”, além de sua reintegração na sociedade vendida.

Os autores da ação sustentam ainda que Maristela é ré em diversos processos cíveis e criminais “e que costuma usar o estratagema de adquirir empresas, não honrar o pagamento do preço, dilapidar o patrimônio e deixá-las em situação de insolvência”.

Os advogados de Maristela, por outro lado, argumentaram que houve, por parte do vendedor, “alienação de quotas sociais”, que ocultaram passivo não declarado de mais de R$ 20 milhões, superior ao preço de aquisição. Isso porque a Karmann Ghia, por meio da ILP Participações, fez transações envolvendo firmas deficitárias, entre elas a Quasar, de Mauá, que está em recuperação judicial. A companhia fechou em 2014 sua fábrica de Santo André e teve o quadro de funcionários reduzido de 1.110 para 140 pessoas.

Em agosto do ano passado, o desembargador Francisco Loureiro, do TJ-SP, indeferiu liminar de autoria de dom Eudes, que pedia reintegração de posse da fábrica da Karmann Ghia, em São Bernardo. O processo, entretanto, ainda não foi transitado em julgado, ou seja, ainda cabem recursos em instâncias superiores.

O especialista em Direito Comercial Armando Luiz Rovai, professor da Universidade Mackenzie e da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e ex-presidente da Jucesp, explica que o imbróglio judicial em andamento não impede que a empresa seja novamente vendida. “Porém, quem adquiri-la irá assumir os passivos e os ativos. Tem que ver com os interessados se eles querem isso.”

RESPOSTAS - O trineto do imperador Dom Pedro II, que mora em apartamento no entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas, área nobre do Rio de Janeiro, ostenta vida luxuosa, é assíduo frequentador de eventos sociais na capital fluminense e ex-presidente da Confederação Brasileira de Golfe, foi contatado pelo telefone e pelo Facebook, mas não respondeu aos pedidos de entrevista.

Os advogados de Maristela Nardini não foram encontrados pelo Diário. Já Mônica Marani, diretora da Karmann Ghia, não atendeu aos telefonemas. Na segunda-feira, ao ser informada de que o contato era para um pedido de entrevista, disse que retornaria a ligação, o que não aconteceu. O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC não se manifestou.


Empresa corre risco de fechar as portas

Para evitar o fechamento da fábrica de São Bernardo, que funciona desde 1960, a Karmann Ghia busca interessados em comprar a empresa. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, se a transação não for efetivada até o fim do ano, a planta poderá ser desativada ainda neste ano.

A unidade, que produz autopeças para os segmentos de estamparia e ferramentaria, sofre com a crise no setor automotivo. Cerca de 70% da sua demanda vem da fábrica da Fiat em Betim (Minas Gerais). O passivo da empresa informado é de aproximadamente R$ 7,7 milhões.

Como a corda sempre tente a arrebentar para o lado mais fraco, os trabalhadores estão com o salários e benefícios como 13º, férias, dissídio e convênio médico atrasados. Os 200 funcionários demitidos ao longo do ano passado também não receberam as verbas rescisórias. Em alguns casos, a empresa prometeu que parcelaria o pagamento em até 22 vezes. Hoje, a companhia tem em torno de 330 empregados, o que gera folha salarial de R$ 1,7 milhão por mês.

Segundo trabalhadores, ontem ocorreu reunião entre a direção da Karmann Ghia e alguns interessados na compra. A expectativa é a de que hoje seja anunciada alguma novidade. Os empregados demonstram esperança no negócio para que a situação na fábrica possa melhorar.

O sindicato foi procurado pelo Diário, mas afirmou não ter conhecimento sobre o encontro. Os funcionários dizem, por outro lado, que a reunião contou com a presença de representantes da entidade sindical. Até o fechamento desta edição, os nomes das empresas envolvidas na negociação não foram divulgados. 



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Impasse na Karmann envolve trineto de Dom Pedro II

Príncipe Eudes de Orleans e Bragança alega não
ter recebido o pagamento pela venda de fábrica

Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

20/04/2016 | 07:25


Quem acompanha o drama vivido pelos 330 funcionários da Karmann Ghia, cuja sede fica em São Bernardo, nem imagina que as origens dos problemas enfrentados pela empresa remetem ao período do Brasil Imperial, que teve início em 1822 e foi até 1889. A companhia está com sérias dificuldades financeiras e corre o risco de fechar as portas caso não seja vendida ainda neste ano.

Na Jucesp (Junta Comercial do Estado de São Paulo) consta como proprietário da Karmann Ghia o príncipe Eudes Maria Regnier Pedro José de Orleans e Bragança, que é trineto do imperador Dom Pedro II e bisneto da Princesa Isabel.

Dom Eudes entrou na Karmann Ghia como sócio da G Brasil Participações Ltda, que foi admitida na sociedade da fabricante de autopeças em março de 2010, com valor de participação de R$ 78,1 milhões. Em 2013, G Brasil retirou-se da sociedade e a ILP Participações foi admitida no controle acionário da Karmann Ghia, com R$ 99,9 milhões. A ILP saiu do negócio no ano seguinte.

As duas firmas, entretanto, são integradas ao mesmo grupo empresarial, já que, conforme a Jucesp, têm como sócio em comum o empresário Jonas Hipólito de Assis. O príncipe, então, em 2014, passou a constar como único dono da empresa, com capital de R$ 100 milhões.

Ainda naquele ano, segundo processo que corre no TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), dom Eudes assinou contrato de venda da Karmann para Maristela Astorri Nardini, que responde a diversas ações de execução final. Constam nos autos que Maristela “deixou de honrar o pagamento da parcela com vencimento para agosto de 2014 e das demais que foram ajustadas no contrato”. Por esse motivo, a defesa do príncipe requereu a destituição da compradora da administração da empresa “em razão dos atos de má gestão, bem como pelo inadimplemento do preço ajustado”, além de sua reintegração na sociedade vendida.

Os autores da ação sustentam ainda que Maristela é ré em diversos processos cíveis e criminais “e que costuma usar o estratagema de adquirir empresas, não honrar o pagamento do preço, dilapidar o patrimônio e deixá-las em situação de insolvência”.

Os advogados de Maristela, por outro lado, argumentaram que houve, por parte do vendedor, “alienação de quotas sociais”, que ocultaram passivo não declarado de mais de R$ 20 milhões, superior ao preço de aquisição. Isso porque a Karmann Ghia, por meio da ILP Participações, fez transações envolvendo firmas deficitárias, entre elas a Quasar, de Mauá, que está em recuperação judicial. A companhia fechou em 2014 sua fábrica de Santo André e teve o quadro de funcionários reduzido de 1.110 para 140 pessoas.

Em agosto do ano passado, o desembargador Francisco Loureiro, do TJ-SP, indeferiu liminar de autoria de dom Eudes, que pedia reintegração de posse da fábrica da Karmann Ghia, em São Bernardo. O processo, entretanto, ainda não foi transitado em julgado, ou seja, ainda cabem recursos em instâncias superiores.

O especialista em Direito Comercial Armando Luiz Rovai, professor da Universidade Mackenzie e da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e ex-presidente da Jucesp, explica que o imbróglio judicial em andamento não impede que a empresa seja novamente vendida. “Porém, quem adquiri-la irá assumir os passivos e os ativos. Tem que ver com os interessados se eles querem isso.”

RESPOSTAS - O trineto do imperador Dom Pedro II, que mora em apartamento no entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas, área nobre do Rio de Janeiro, ostenta vida luxuosa, é assíduo frequentador de eventos sociais na capital fluminense e ex-presidente da Confederação Brasileira de Golfe, foi contatado pelo telefone e pelo Facebook, mas não respondeu aos pedidos de entrevista.

Os advogados de Maristela Nardini não foram encontrados pelo Diário. Já Mônica Marani, diretora da Karmann Ghia, não atendeu aos telefonemas. Na segunda-feira, ao ser informada de que o contato era para um pedido de entrevista, disse que retornaria a ligação, o que não aconteceu. O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC não se manifestou.


Empresa corre risco de fechar as portas

Para evitar o fechamento da fábrica de São Bernardo, que funciona desde 1960, a Karmann Ghia busca interessados em comprar a empresa. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, se a transação não for efetivada até o fim do ano, a planta poderá ser desativada ainda neste ano.

A unidade, que produz autopeças para os segmentos de estamparia e ferramentaria, sofre com a crise no setor automotivo. Cerca de 70% da sua demanda vem da fábrica da Fiat em Betim (Minas Gerais). O passivo da empresa informado é de aproximadamente R$ 7,7 milhões.

Como a corda sempre tente a arrebentar para o lado mais fraco, os trabalhadores estão com o salários e benefícios como 13º, férias, dissídio e convênio médico atrasados. Os 200 funcionários demitidos ao longo do ano passado também não receberam as verbas rescisórias. Em alguns casos, a empresa prometeu que parcelaria o pagamento em até 22 vezes. Hoje, a companhia tem em torno de 330 empregados, o que gera folha salarial de R$ 1,7 milhão por mês.

Segundo trabalhadores, ontem ocorreu reunião entre a direção da Karmann Ghia e alguns interessados na compra. A expectativa é a de que hoje seja anunciada alguma novidade. Os empregados demonstram esperança no negócio para que a situação na fábrica possa melhorar.

O sindicato foi procurado pelo Diário, mas afirmou não ter conhecimento sobre o encontro. Os funcionários dizem, por outro lado, que a reunião contou com a presença de representantes da entidade sindical. Até o fechamento desta edição, os nomes das empresas envolvidas na negociação não foram divulgados. 

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