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Recessão, o que é isso?


Silvia Cristina da Silva Okabayashi*

05/03/2016 | 07:18


Nos últimos meses, temos nos deparado com inúmeras notícias nada animadoras acerca do desempenho da economia brasileira. Nesta semana, foi divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) o PIB (Produto Interno Bruto) de 2015, que apresentou queda de 3,85%. Os resultados negativos nos valores adicionados da indústria de transformação e de serviços colaboraram para esse recuo no PIB. O setor de agropecuária ainda apresentou crescimento no período analisado.

Mas o que significa queda no PIB?

O PIB representa o somatório de toda a riqueza produzida no País, independentemente da origem das empresas produtoras. Uma queda, portanto, significa que estamos produzindo menos, consumindo menos e recebendo menos.

A baixa na produção – nível da atividade econômica – associada ao aumento no número de desempregados representa o que chamamos em economia de recessão.

Não há perspectivas futuras de inversão nessa tendência negativa do PIB no Brasil, ou seja, no curto prazo não temos expectativas de aumento no nível da atividade econômica. Para reversão da situação, precisaremos promover muitos ajustes na economia, como redução da taxa de juros, facilidade de acesso ao crédito barato para que as indústrias possam investir, gastos públicos que fomentem aportes em infraestrutura (como geração de energia elétrica e “produção” de água), além de sérias melhorias nas condições de mobilidade de pessoas e de transporte de produtos, entre outros.

Mas como fomentar maior atividade econômica se os investimentos no País, representados pela formação bruta de capital fixo, apresentaram queda de 14,1% em 2015? Só em máquinas e equipamentos observamos declínio de 26,5%. O consumo das famílias também caiu em 2015, na ordem de 4%. Pelo quinto ano consecutivo, a indústria perdeu participação na composição do PIB, representando 22,7% do total produzido.

A queda na renda do pessoal ocupado, quando comparamos janeiro de 2016 com o mesmo mês em 2015, é de 7,4%, segundo a pesquisa mensal de emprego do IBGE.

Paralelo a isso, está o aumento no número de desempregados. Segundo a pesquisa de emprego e desemprego do Seade/Dieese, no Grande ABC o desemprego cresceu 16,8% em 2015 comparativamente a 2014. Em janeiro, temos 15% de pessoas desempregadas em nossa região.

Neste cenário, não é possível imaginar que teremos tão cedo melhora no quadro econômico, agravado ainda mais pela crise política que estamos vivenciando. 


* Economista, coordenadora do curso de Ciências Econômicas e pesquisadora no Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo.



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Recessão, o que é isso?

Silvia Cristina da Silva Okabayashi*

05/03/2016 | 07:18


Nos últimos meses, temos nos deparado com inúmeras notícias nada animadoras acerca do desempenho da economia brasileira. Nesta semana, foi divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) o PIB (Produto Interno Bruto) de 2015, que apresentou queda de 3,85%. Os resultados negativos nos valores adicionados da indústria de transformação e de serviços colaboraram para esse recuo no PIB. O setor de agropecuária ainda apresentou crescimento no período analisado.

Mas o que significa queda no PIB?

O PIB representa o somatório de toda a riqueza produzida no País, independentemente da origem das empresas produtoras. Uma queda, portanto, significa que estamos produzindo menos, consumindo menos e recebendo menos.

A baixa na produção – nível da atividade econômica – associada ao aumento no número de desempregados representa o que chamamos em economia de recessão.

Não há perspectivas futuras de inversão nessa tendência negativa do PIB no Brasil, ou seja, no curto prazo não temos expectativas de aumento no nível da atividade econômica. Para reversão da situação, precisaremos promover muitos ajustes na economia, como redução da taxa de juros, facilidade de acesso ao crédito barato para que as indústrias possam investir, gastos públicos que fomentem aportes em infraestrutura (como geração de energia elétrica e “produção” de água), além de sérias melhorias nas condições de mobilidade de pessoas e de transporte de produtos, entre outros.

Mas como fomentar maior atividade econômica se os investimentos no País, representados pela formação bruta de capital fixo, apresentaram queda de 14,1% em 2015? Só em máquinas e equipamentos observamos declínio de 26,5%. O consumo das famílias também caiu em 2015, na ordem de 4%. Pelo quinto ano consecutivo, a indústria perdeu participação na composição do PIB, representando 22,7% do total produzido.

A queda na renda do pessoal ocupado, quando comparamos janeiro de 2016 com o mesmo mês em 2015, é de 7,4%, segundo a pesquisa mensal de emprego do IBGE.

Paralelo a isso, está o aumento no número de desempregados. Segundo a pesquisa de emprego e desemprego do Seade/Dieese, no Grande ABC o desemprego cresceu 16,8% em 2015 comparativamente a 2014. Em janeiro, temos 15% de pessoas desempregadas em nossa região.

Neste cenário, não é possível imaginar que teremos tão cedo melhora no quadro econômico, agravado ainda mais pela crise política que estamos vivenciando. 


* Economista, coordenadora do curso de Ciências Econômicas e pesquisadora no Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo.

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