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MP irá apurar incêndio no Guarujá

Celso Luiz/DGABC: Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Yara Ferraz
Daniel Macário

16/01/2016 | 07:00


O Ministério Público de Guarujá instaurou inquérito civil para apurar os danos ambientais causados por incêndio em contêineres de produtos químicos na margem esquerda do Porto de Santos, na quinta-feira. O objetivo é gerar possíveis punições e cobranças à empresa responsável, a Localfrio. O órgão vai solicitar número de pessoas atendidas às prefeituras de Guarujá, Santos e São Vicente, a única que ainda não se pronunciou sobre o caso.

Moradores convivem desde quinta-feira com a fumaça causada pelo incêndio. Cerca de 30 contêineres que armazenam produtos químicos no terminal da Localfrio pegaram fogo. Mesmo com as chamas controladas, a fumaça tóxica seguia ontem na cidade, apesar de já ter começado a se dispersar, e os habitantes tentavam retomar a rotina.

Os principais prejudicados são os que vivem no entorno do bairro Vicente de Carvalho. Próximo ao terminal, a maioria dos comércios está fechada e o cheiro forte ainda se faz presente no ar.

José Augusto Roque, 47 anos, que é ajudante de cozinha no restaurante dentro do porto, não conseguiu ir ao trabalho. “O pessoal suspendeu as atividades. Não tem como fazer comida por causa da contaminação. Talvez hoje (ontem) ainda volte, mas só para a distribuição de lanches.”

Ele contou que desde o início do incidente ninguém saiu de casa por medo. “Estávamos todos fechados e com toalha nos rostos. Hoje (ontem) fui comprar uma máscara, mas estava R$ 30”, reclamou.

A equipe do Diário procurou máscaras de proteção nas farmácias do bairro, mas o equipamento estava esgotado desde ontem, conforme informaram os atendentes. A prefeitura da cidade chegou a distribuir o item para quem mora próximo ao local, mas nem todos os moradores receberam. “Isso demonstra que a cidade não está preparada para acontecimentos assim. Tive que sair ontem (quinta-feira) no meio da fumaça mesmo, porque a minha mãe usa fralda geriátrica e precisava comprar”, contou a professora Ana Lúcia Matos, 42.

Na tarde de ontem, a fumaça se concentrava principalmente no entorno da Avenida Santos Dumont, área que deveria ser evacuada por orientação da prefeitura. “Apesar de o bairro não concentrar muitos turistas, quem vem viajar passa nos mercados daqui. Com essa fumaça, que já chegou até a dar coceira no corpo, vai diminuir a quantidade de visitantes”, afirmou o marinheiro Ivan Ramos de Sousa, 53, morador da via.

O portuário Francisco Fernandes, 48, relatou que o medo continua. “Tive que fazer um caminho diferente na volta para casa. Ninguém passou mal. Só saímos hoje (ontem), mas ainda com receio.”

POSICIONAMENTO

A prefeitura de Guarujá informou que desde ontem a Defesa Civil do Estado definiu uma nova técnica de combate ao incêndio. O Corpo de Bombeiros optou por abrir os seis contêineres que ainda possuem fogo, um de cada vez, espalhar o produto no pátio e jogar água sobre ele, aumentando a área de contato de uma única vez. Esta técnica deve acelerar o combate e provocar mais fumaça branca, mas sem ampliar o problema.

Foram atendidas 138 pessoas com algum sintoma ocasionado pelo vazamento, tais como náusea, irritação na garganta, olhos lacrimejando ou mal-estar, nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento). Nenhum caso era grave.

A Localfrio afirmou que o acidente foi em contêiner de ácido dicloro isocianúrico de sódio. A empresa disse que os motivos estão sendo apurados por técnicos contratados e que está avaliando o ocorrido.

Santos informou que ontem foi identificada a redução do cheiro forte e da fumaça na cidade. A Secretaria de Saúde disse que foram realizados 26 atendimentos nos prontos-socorros municipais. Até o fechamento desta edição, apenas um caso demanda mais cuidado, o de uma idosa de 72 anos com histórico de asma. 

Especialista diz que fumaça pode causar danos à saúde

De acordo com o professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Eduardo Mello De Capitani, especialista em pneumologia e integrante do Centro de Controle de Intoxicações da instituição, o produto que vazou do contêiner no Guarujá é extremamente tóxico.

Segundo ele, o ácido dicloro isocianúrico de sódio é um produto à base de cloro, portanto, produz irritações na pele e nos olhos e, caso seja inalado, causa problema também nos pulmões. “Trata-se de um gás bastante irritante. Dependendo da dose a qual a pessoa for exposta, pode causar, inclusive, queimaduras.”

O especialista ainda ressalta que, no caso de pessoas com doenças asmáticas, a situação pode ser ainda pior. “Se esse morador ficar exposto à fumaça durante um bom tempo, a asma dele pode piorar. Isso porque esse produto atinge principalmente as regiões do nariz, pulmão e faringe”, alerta.

CETESB

Para Ronald Magalhães, gerente de departamento de gestão ambiental da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), a única recomendação é evitar a área próxima ao acidente, no distrito de Vicente de Carvalho. “Nossa maior preocupação no momento é com os impactos ambientais, incluindo danos ao solo”, esclarece.

Segundo Magalhães, as condições de balneabilidade das praias da Baixada Santista e Litoral Sul não devem ser afetadas pelo acidente no Guarujá.

 

Ainda conforme a Cetesb, mesmo que haja contaminantes lançados no canal do estuário, a água deverá percorrer cerca de cinco quilômetros até chegar à Baía de Santos e, consequentemente, os seus efeitos sobre as praias serão minimizados ao longo do percurso.



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MP irá apurar incêndio no Guarujá

Yara Ferraz
Daniel Macário

16/01/2016 | 07:00


O Ministério Público de Guarujá instaurou inquérito civil para apurar os danos ambientais causados por incêndio em contêineres de produtos químicos na margem esquerda do Porto de Santos, na quinta-feira. O objetivo é gerar possíveis punições e cobranças à empresa responsável, a Localfrio. O órgão vai solicitar número de pessoas atendidas às prefeituras de Guarujá, Santos e São Vicente, a única que ainda não se pronunciou sobre o caso.

Moradores convivem desde quinta-feira com a fumaça causada pelo incêndio. Cerca de 30 contêineres que armazenam produtos químicos no terminal da Localfrio pegaram fogo. Mesmo com as chamas controladas, a fumaça tóxica seguia ontem na cidade, apesar de já ter começado a se dispersar, e os habitantes tentavam retomar a rotina.

Os principais prejudicados são os que vivem no entorno do bairro Vicente de Carvalho. Próximo ao terminal, a maioria dos comércios está fechada e o cheiro forte ainda se faz presente no ar.

José Augusto Roque, 47 anos, que é ajudante de cozinha no restaurante dentro do porto, não conseguiu ir ao trabalho. “O pessoal suspendeu as atividades. Não tem como fazer comida por causa da contaminação. Talvez hoje (ontem) ainda volte, mas só para a distribuição de lanches.”

Ele contou que desde o início do incidente ninguém saiu de casa por medo. “Estávamos todos fechados e com toalha nos rostos. Hoje (ontem) fui comprar uma máscara, mas estava R$ 30”, reclamou.

A equipe do Diário procurou máscaras de proteção nas farmácias do bairro, mas o equipamento estava esgotado desde ontem, conforme informaram os atendentes. A prefeitura da cidade chegou a distribuir o item para quem mora próximo ao local, mas nem todos os moradores receberam. “Isso demonstra que a cidade não está preparada para acontecimentos assim. Tive que sair ontem (quinta-feira) no meio da fumaça mesmo, porque a minha mãe usa fralda geriátrica e precisava comprar”, contou a professora Ana Lúcia Matos, 42.

Na tarde de ontem, a fumaça se concentrava principalmente no entorno da Avenida Santos Dumont, área que deveria ser evacuada por orientação da prefeitura. “Apesar de o bairro não concentrar muitos turistas, quem vem viajar passa nos mercados daqui. Com essa fumaça, que já chegou até a dar coceira no corpo, vai diminuir a quantidade de visitantes”, afirmou o marinheiro Ivan Ramos de Sousa, 53, morador da via.

O portuário Francisco Fernandes, 48, relatou que o medo continua. “Tive que fazer um caminho diferente na volta para casa. Ninguém passou mal. Só saímos hoje (ontem), mas ainda com receio.”

POSICIONAMENTO

A prefeitura de Guarujá informou que desde ontem a Defesa Civil do Estado definiu uma nova técnica de combate ao incêndio. O Corpo de Bombeiros optou por abrir os seis contêineres que ainda possuem fogo, um de cada vez, espalhar o produto no pátio e jogar água sobre ele, aumentando a área de contato de uma única vez. Esta técnica deve acelerar o combate e provocar mais fumaça branca, mas sem ampliar o problema.

Foram atendidas 138 pessoas com algum sintoma ocasionado pelo vazamento, tais como náusea, irritação na garganta, olhos lacrimejando ou mal-estar, nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento). Nenhum caso era grave.

A Localfrio afirmou que o acidente foi em contêiner de ácido dicloro isocianúrico de sódio. A empresa disse que os motivos estão sendo apurados por técnicos contratados e que está avaliando o ocorrido.

Santos informou que ontem foi identificada a redução do cheiro forte e da fumaça na cidade. A Secretaria de Saúde disse que foram realizados 26 atendimentos nos prontos-socorros municipais. Até o fechamento desta edição, apenas um caso demanda mais cuidado, o de uma idosa de 72 anos com histórico de asma. 

Especialista diz que fumaça pode causar danos à saúde

De acordo com o professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Eduardo Mello De Capitani, especialista em pneumologia e integrante do Centro de Controle de Intoxicações da instituição, o produto que vazou do contêiner no Guarujá é extremamente tóxico.

Segundo ele, o ácido dicloro isocianúrico de sódio é um produto à base de cloro, portanto, produz irritações na pele e nos olhos e, caso seja inalado, causa problema também nos pulmões. “Trata-se de um gás bastante irritante. Dependendo da dose a qual a pessoa for exposta, pode causar, inclusive, queimaduras.”

O especialista ainda ressalta que, no caso de pessoas com doenças asmáticas, a situação pode ser ainda pior. “Se esse morador ficar exposto à fumaça durante um bom tempo, a asma dele pode piorar. Isso porque esse produto atinge principalmente as regiões do nariz, pulmão e faringe”, alerta.

CETESB

Para Ronald Magalhães, gerente de departamento de gestão ambiental da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), a única recomendação é evitar a área próxima ao acidente, no distrito de Vicente de Carvalho. “Nossa maior preocupação no momento é com os impactos ambientais, incluindo danos ao solo”, esclarece.

Segundo Magalhães, as condições de balneabilidade das praias da Baixada Santista e Litoral Sul não devem ser afetadas pelo acidente no Guarujá.

 

Ainda conforme a Cetesb, mesmo que haja contaminantes lançados no canal do estuário, a água deverá percorrer cerca de cinco quilômetros até chegar à Baía de Santos e, consequentemente, os seus efeitos sobre as praias serão minimizados ao longo do percurso.

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