Setecidades Titulo Meio Ambiente
Especialistas criticam captação de água de rio

Para ambientalistas, água de reúso é alternativa
sustentável para a produção industrial na região

Natália Fernandjes
do Diário do Grande ABC
20/05/2015 | 07:07
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Claudinei Plaza/DGABC


A água de reúso é vista por especialistas em meio ambiente da região como a principal alternativa para o consumo sustentável do recurso hídrico em larga escala. O produto, oriundo das estações de tratamento de esgoto, se coloca como opção para processos antigos de captação de água de rios e córregos ainda utilizados por algumas empresas e que podem trazer prejuízos ambientais.

Na região, a Recap (Refinaria de Capuava), em Mauá, é uma das indústrias que possuem outorga do Estado e captam água do Rio Tamanduateí para resfriamento de produtos e geração de vapor de suas caldeiras. Em sua área de 3,7 milhões de m², ela possui estações de tratamento do recurso para uso interno e, posteriormente, descarte no rio. Dados de 2004 mostram retirada de 1.300 m³ de água do Tamanduateí por hora e devolução de 60 m³ por hora.

A principal crítica da bióloga e professora da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Marta Marcondes é que o volume de água descartado corresponde a apenas 4,6% do captado. “Não vejo com bons olhos essa devolução menor de água porque isso faz com que diminua a vazão do rio e, consequentemente, aumente a concentração de poluentes. É preciso equilibrar isso”, observa, ao lembrar que o Tamanduateí já tem alto nível de poluição.

A especialista explica que, ainda que poluído, o rio tem função de equilibrar o ecossistema. “A baixa da vazão do Tamanduateí pode implicar em problemas como queda da pluviometria e da umidade relativa do ar”, diz.

Para o professor do curso de Gestão Ambiental da FSA (Fundação Santo André) Murilo Valle, a preocupação é com a qualidade da água que a Recap devolve para o rio. “Ainda que haja tratamento, é preciso estar atento aos parâmetros de qualidade, porque muito dessa água captada é esgoto e, com isso, acaba devolvendo com alguns poluentes. Temos uma legislação branda para as indústrias”, destaca, ao se referir ao decreto estadual 8.468/76.

O professor do curso de Engenharia Ambiental da UFABC (Universidade Federal do ABC) Gilson Lameira considera que as indústrias precisam lançar mão de alternativas sustentáveis, como é o caso da água de reúso e captação da água da chuva. “Temos o exemplo da Aquapolo aqui na região, que tem vazão que pode crescer”, considera.

Desde 2012, parceria entre a Odebrecht Ambiental e a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) deu início ao Aquapolo, responsável pelo fornecimento de 900 mil m³ de água de reúso por mês para cinco empresas do Polo Petroquímico. A iniciativa possui capacidade instalada de 1.000 litros de água por segundo e, a depender de novos contratos, pode atingi-la em até seis meses.

A Recap informou que investimentos ao longo dos últimos 15 anos culminaram na redução de 10% no consumo de água industrial. A empresa ressalta que não utiliza água potável para fins industriais e avalia a perspectiva de aumentar a participação de água de reúso em seus processos. 




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